Quanto mais ocultas, mais fétidas serão as emendas desse abominável orçamento secreto

 (crédito: editoria de ilustração)

Ilustração reproduzida do Correio Braziliense

Luiz Carlos Azedo
Correio Braziliense

Nova semana de queda de braços entre o Congresso e o Supremo Tribunal Federal (STF) teremos pela frente. Na aprovação da PEC dos Precatórios, a maioria do Senado manteve o sigilo sobre as emendas já executadas e adotou uma espécie de “me engana que eu gosto” em relação às que ainda não foram liberadas, ao propor que prefeituras, governos estaduais, órgãos federais e instituições da sociedade encaminhem “diretamente” ao relator os seus pedidos de emendas.

A malandragem permite que os “padrinhos” desses pedidos não apareçam, ou seja, continuem ocultos os parlamentares, seus verdadeiros autores.

ESTILO PONTE PRETA – É como dizia, ironicamente, o cronista carioca Sérgio Porto, o Stanislaw Ponte Preta, “ou restaura-se a moralidade ou nos locupletemos todos”. A proposta aprovada no Congresso adotou a segunda opção, que ainda vai dar muito pano para as mangas dos que estão distribuindo verbas do Orçamento com mãos de gato.

O Supremo, ao endossar a decisão da ministra Rosa Weber, mandando sustar a execução das emendas, foi muito claro: orçamento secreto é inconstitucional. Tudo o que ocorreu precisa ter transparência, inclusive os nomes dos autores das emendas.

A forma desesperada como se tenta esconder seus autores só aumenta as suspeitas de “intermediação onerosa”, superfaturamento e desvios de recursos públicos.

MERCADO DE EMENDAS – Haveria até mercado de emendas. Sobrou para o relator-geral do Orçamento da União de 2021, senador Marcio Bittar (MDB-AC), operador das emendas secretas.

O presidente do Congresso, senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG), segundo a Advocacia do Senado informou ao Supremo, pediu a Bittar (PSL-AC) que adote todas as “providências possíveis e necessárias para o cumprimento das citadas deliberações do Congresso Nacional e da mencionada decisão do Supremo Tribunal Federal”. Mas no prazo de 180 dias…

No documento encaminhado ao STF, os advogados do Senado fazem questão de ressaltar que não havia obrigação para que esses dados — o autor da emenda, o valor pedido, o valor liberado e a destinação, por exemplo — estivessem cadastrados em algum sistema do Congresso.

ALEGAÇÃO ILUSÓRIA – Somente os tolos podem imaginar que alguma emenda parlamentar ao Orçamento da União seja aprovada e liberada sem que se saiba e se registre o autor. Até os brincantes do calçadão da Gameleira, em Rio Branco (AC), sabem que o senador Bittar não dá ponto sem nó.

Além disso, o toma lá dá cá como instrumento de fidelidade na base governista impede que esse tipo de informação não seja do conhecimento de alguns mandachuvas do Centrão: o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL); a deputada Flávia Arruda (PL-DF), ministra-chefe da Secretaria de Governo; e o senador Ciro Nogueira (PP-PI), ministro da Casa Civil.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGLuiz Carlos Azedo, filho do lendário jornalista Raul Azedo e sobrinho do também jornalista Maurício Azedo, é um dos astros da mídia em Brasília. Como amigo da família Azedo, vejo com alegria que Luiz Carlos tem alguma ligação com meu querido Acre, terra de meus avós maternos, onde meu avô paterno foi juiz federal. O bairro Gameleira, citado no artigo, é onde o Rio Acre faz a curva, no caminho do Aeroporto. E os brincantes são os foliões das tradicionais festas populares. Saudades de Rio Branco. (C.N.)

 

2 thoughts on “Quanto mais ocultas, mais fétidas serão as emendas desse abominável orçamento secreto

  1. Quanto mais ocultas, mais fétidas serão as emendas desse abominável orçamento secreto

    Fétidas são “outras emendas” que ninguém comenta.
    Até hoje toda a podridão foi colocada debaixo do tapete franco-tucano-suiço
    Vamos perguntar de novo. “onde foram parar os trilhões que eram para despoluir aquilo que chamam de rio tietê…???

  2. Existem cornos para todos os gostos. Fazer o quê? É daí, que os talaricos deitam e rolam. Parabéns pelo seu comentário, SEU CORNO JURAMENTADO.

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