Quanto pior, melhor. Mas para quem?

Luiz Tito
O Tempo

Passamos os últimos dias discutindo o casamento gay e as comemorações da abertura que o plenário da Suprema Corte dos EUA promoveu, considerando legal a união das pessoas do mesmo sexo. Em todo mundo, por ocasião desse decreto da Corte americana, por influência, há uma esperança da revisão da legislação civil para se abrigar igual abertura. Sem dúvida um passo adiante. A união gay existe como uma realidade. Negá-la ou desconhecê-la é um preconceito idiota e disfuncional.

Na Câmara dos Deputados, aí já falando do Brasil, o presidente Eduardo Cunha recolocou em votação a redução da maioridade penal, que o próprio tem como um de seus troféus, desconsiderando o Regimento Interno e a Constituição Federal. Reprovada em votação horas antes, o novo certame a aprovou. Comemorações, protestos e pano pra manga. Mas a redução da maioridade caminha a passos de ganso pra virar lei. Contra a OAB e o STF.

Na mesma Câmara onde ocorreu suposto golpe, o fato da hora é a ampliação do prestígio político do vice Michel Temer. Não que ele pretendesse inserir-se na roda das discussões de estratégias ou opções para o Brasil sair do buraco em que se acha. Não. Temer quer ser quem distribuirá os cargos ainda não ocupados pelos indicados pela base parlamentar de sustentação do governo no Congresso. E o contribuinte pagando a conta. Eu, tu, ele, nós, vós, eles.

PEGAR A DILMA

A operação Lava Jato, que parou o Brasil, prende, arrebenta e solta, conforme o que deseja a Polícia Federal (PF), o Ministério Público Federal (MPF) e o juiz Sérgio Moro. As delações premiadas (e que prêmios!) andam e voltam, afirmam, desmentem e criam fatos. Criam também factoides. Parece que o único objetivo a que miram a PF e o MPF é o de pegar a Dilma com a mão na massa. Na semana passada, a imprensa nacional estampou que o doleiro Alberto Youssef, essa pérola, disse que havia sido abordado por um jovem, de nome talvez Felipe, filho de um empreiteiro de obras públicas de cujo nome não se lembrava nem a qual empreiteira pertencia, que desejava trazer R$ 20 milhões que estavam lá fora, em paraísos fiscais, para serem utilizados na última campanha presidencial.

Foi o bastante para se comemorar o êxito de um sonho: Dilma foi atropelada. Mas não vingou, ainda. Essa delação, como várias outras, era imprecisa demais. Ninguém dispõe de R$ 20 milhões para deles decidir de maneira tão informal. Mas ficou a dúvida.

“DENUNCISMO”

Não defendo por defender petistas, a Dilma, o PT, o PSDB, o Aécio, o Pimentel, o Anastasia, ninguém. Nem eles precisam. Mas temos que reconhecer que estamos vivendo um perigoso momento de assassinato da reputação das pessoas, da forma mais generalizada, beirando o fascismo, onde todos detêm o monopólio da verdade. A delação premiada e a confissão são procedimentos presentes na legislação penal dos países democráticos.

Mas onde também a lei é severa, se faz cumprir, sem exceções e privilégios. Com responsabilidade nas investigações, de quem as determina e as comanda. Que se processe e ponha na cadeia os culpados. Mas sem achismos, sem a irresponsabilidade de prender e depois nada acontecer senão a desmoralização definitiva das pessoas alcançadas.

Vivemos no Brasil um momento de completa falência das instituições, de desprestígio da lei, em que uma fábrica de denúncias decide da vida e da história de cada um pela simples suposição, pela suspeita, pela delação premiada oferecida por criminosos declarados. Paramos o país, as pessoas estão sendo desempregadas, a inflação recrudesce, o povo tem fome, está doente, sem segurança. Não há oportunidades, não há perspectivas e não há esperança e sobram holofotes. As responsabilidades se avolumam e não esperam. Teimosamente mantemos nossas energias aplicadas no denuncismo, no quanto pior, melhor.

4 thoughts on “Quanto pior, melhor. Mas para quem?

  1. Não existe uma fábrica de denúncias, existe uma fábrica de bandidos. A preocupação legitima deve ser como estancar essa sangria do dinheiro público!

  2. Quem criou essa fabrica de denuncias que visam, sujar a imagem das pessoas foi o proprio PT, ou sera que ja se esqueceram, de quando vei a tona o quanto a Dona Marisa a Corna gastava no cartão corporativo, a nossa Presidanta vazou os gastos da Dona Ruth Cardoso

  3. “Vivemos no Brasil um momento de completa falência das instituições, de desprestígio da lei, ”
    -Ora, o povo do pais onde moro ja vive isso ha muitas decadas!

    “responsabilidade nas investigações, de quem as determina e as comanda. Que se processe e ponha na cadeia os culpados. Mas sem achismos, sem a irresponsabilidade de prender e depois nada acontecer senão a desmoralização definitiva das pessoasalcançadas.”
    -suponho que o Moro nao esteja prendendo essas pessoas so por “achar” que sejam bandidas. Ele deve ter provas! E se sao, nao se pode desmoralizar quem ja nao tem moral.

  4. Ora, o Luiz Tito um notório MAV vem com a mesma cantilena. Tenho tanta pena dos ladrões, bandidos e corruptos que estão sendo investigados pela PF, pelo Ministério Público e pelo Juiz Moro, que toda a noite acendo uma vela para a Santa dos Desprotegidos. E quanto a segunda votação da maioridade penal,se o Luiz Tito lesse um pouco mais as leis e a constituição saberia que a votação foi feita dentro da lei. Mas, escrever mentiras e repetir mentiras até que ela se torne uma verdade tem sido a mola mestra do PT. Por que o Luiz Tito não fala da inflação galopante, do PIB negativo, da qualidade péssima do ensino, da saúde, do número crescente da violência? Por que o Luiz Tito não explica onde o Mensalão está errado, onde o Petrolão está errado? E ele poderia também explicar a lavagem de votos na última eleição presidencial. É simples Luiz Tito quem vive no meio de bandidos acaba virando um igual aos outros. Perde o senso de cidadania.

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