“Quantos mistérios andarão errantes, quantas almas em busca de quimera?”, indagava Cruz e Sousa

Escritores do Simbolismo - Alphonsus, Cruz e Sousa e maisPaulo Peres
Poemas & Canções

O poeta João da Cruz e Sousa (1861-1898) nasceu em Desterro, atual Florianópolis. Com a alcunha de Dante Negro ou Cisne Negro, foi um dos principais representantes do simbolismo no Brasil. Segundo Antonio Candido, Cruz e Sousa era o “único escritor eminente de pura raça negra na literatura brasileira, onde são numerosos os mestiços”. No soneto “As Estrelas”, ele questiona se tais astros não são sentimentos dispersos de primitivos grupos humanos.

AS ESTRELAS
Cruz e Sousa

Lá, nas celestes regiões distantes,
No fundo melancólico da Esfera,
Nos caminhos da eterna Primavera
Do amor, eis as estrelas palpitantes.

Quantos mistérios andarão errantes,
Quantas almas em busca de Quimera,
Lá, das estrelas nessa paz austera
Soluçarão, nos altos céus radiantes.

Finas flores de pérolas e prata,
Das estrelas serenas se desata
Toda a caudal das ilusões insanas.

Quem sabe, pelos tempos esquecidos,
Se as estrelas não são os ais perdidos
Das primitivas legiões humanas?!

2 thoughts on ““Quantos mistérios andarão errantes, quantas almas em busca de quimera?”, indagava Cruz e Sousa

  1. Li o poema do grande poeta e me senti como se lesse uma bula de remédio – com uma diferença: a bula não contém elocubrações tolas.
    Convenhamos, que emoções esses versos nos trazem? Nenhuma! Sintam isso: “Fundo melancólico da esfera”. Que esfera? Mais essa: quem sabe se as estrelas não são os ais perdidos… Pois eu sei: não são! Nas estrelas existem reações atômicas gigantes e o céu não é o firmamento perfeito de gelo onde elas se encrustam – no céu não existem almas, porque nossas almas ficam alguns palmos abaixo da superfície da terra bendita que nos dá o pão, o chão onde pisar, o suporte da morada, a rosa bela e tão cantada em versos, prosa e nas canções.
    Ora, pois pois.

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