Quase todas as repúblicas do mundo, foram sangrentas e surpreendentes. A do Brasil, farsa completa, dominada por dois marechais. Agora, livrou-se de Serra, mas não de Dilma. Resistirá?

Houve um tempo em que no mundo ocidental não existia nenhuma República. Os países vinham de domínio imperial, elitista e imperialista. Pode ser dito, que até curiosamente, o primeiro sobressalto tenha ocorrido em 1649 na Inglaterra. Oliver Cromwell, juntou forças poderosas, se aproveitou de divergência entre os países que formavam a Grã-Bretanha, implantou a República.

Mas como era uma vocação pura de ditador, não durou muito tempo, e fez fracassar a República. Ficou alguns anos, o filho Richard apenas oito meses, sua República não resistiu. O Parlamento decidiu restaurar a monarquia na Inglaterra e Escócia, e o rei Carlos II reassumiu o trono.

Em 1789 (pura coincidência), surgiram duas Repúblicas. A que se chamou de Estados Unidos. E a França, que adotou o mesmo nome (França), derrubando a monarquia, mas não poupando a eles mesmos, as maiores lideranças republicanas.

A República da França se manteve, mas foi tão trágica e destruidora, que basta apenas um exemplo para situá-la. Em 1789, Napoleão tinha 18 anos, entrava para a Escola Militar de Saint-Cyr. Aos 28 anos já era imperador, escreveu páginas e mais páginas da História. E as grandes figuras da República, todos assassinados entre si.

A outra República surgida nesse ano, fez tudo rigorosamente certo. Declarou a Independência, depois da vitória, a brilhante Convenção da Filadélfia, que durou 4 meses, tudo democraticamente acertado. Convocação da Constituinte, divisão do Poder entre ESTADUALISTAS e FEDERALISTAS, que dura até hoje. E em nenhum momento admitiram a eleição INDIRETA.

Tanto que coloco aqui (como licença poética “histórica”) o início dessa República em 1789, posse de George Washington, eleito DIRETAMENTE em 1788, como primeiro presidente da República. Vou cortar caminho, pois na verdade o que interessa é o que aconteceu no Brasil, com uma República deturpada, equivocada, surrupiada e não conquistada. Mas não posso deixar de falar, ligeiramente, nas Repúblicas da Espanha e da Itália.

Na Espanha, em 1936, declarada a tão desejada República, derrubada a monarquia, marcada a eleição DIRETA. Realizada pacificamente, foi eleito o republicano Primo de Rivera. Tomou posse, começou a governar, alguns generais não se conformaram. (É próprio de generais não ficarem satisfeitos, desse nome surgiu a palavra GENERALIZAR).

Os generais se dividiram, metade a favor, metade contra a República. O que provocou, de 1936 a 1939, a maior guerra civil da História, superando as sempre citadas dos EUA em 1860 e da Rússia, que se transformou em União Soviética, a partir de 1917.

(Lógico, a da Espanha é a maior de todas, proporcionalmente. Do ponto de vista populacional ou territorial, a Espanha não pode se comparar com os EUA e a antiga Rússia. Sem falar que nessa guerra civil de 3 anos, não participaram apenas espanhóis. Nazistas (Alemanha) e fascistas (Itália) experimentavam armas modernas que usariam na Segunda Guerra Mundial, que começava praticamente ali).

A República da Itália, acabou melancolicamente. Teve uma bela História com o Império Romano (toda dividida), depois transformada e unificada pelo estadista Cavour, transformando os estados num país único. Em 1945, pouco antes do fim da guerra, a modificação total, que o povo só soube pelas manchetes dos jornais.

Mussolini, que chegara ao Poder em 1922, na famosa “Marcha sobre Roma”,  foi pendurado numa “corda de secar roupa”, apenas poucas pessoas viram isso. Tomou o Poder como socialista, diretor e proprietário do jornal , “Il Popolo de Roma”. Com ele desapareceu a monarquia, a “Casa de Savoia” passou à História.

A República da Itália comemora agora 65 anos, se é que se pode usar a palavra COMEMORA para um país que há anos e anos é dominado por um corrupto como Berlusconi.

Com 121 anos, o Brasil tem uma das mais novas e mais infelizes Repúblicas. Dois marechais liquidaram sumariamente duas grandes gerações. A dos “Propagandistas da República”, que começaram em 1880 em Itu (a cidade de São Paulo que tinha menos de mil habitantes), onde foi realizada a convenção que lançou o jornal diário “A Republica”, que começou a circular em pleno Império.

A outra, os “Abolicionistas”, surgiu em 1870, logo se juntaram, se fundiram no amor pela liberdade. Eram todos, vá lá, quase todos, formados em Direito, jornalistas e políticos. Em relação à escravidão, tiveram a impressão de vitória, foram iludidos pela “Lei do Ventre Livre”. Mistificação que a própria História adotou superficialmente.

(Nessa época em que se acreditava no fim da escravidão, o mundo inteiro realmente não tinha mais escravos. Acabaram com essa vergonha, comercial e industrialmente, principalmente por causa da Revolução Industrial de 1780 na Inglaterra. Só três países mantinham a escravidão: EUA, Cuba e Brasil).

A República brasileira é ISSO que está aí. Um dos grandes personagens dessa República, diretor do jornal que defendia sua implantação, foi Saldanha Marinho. Mas quem definiu melhor essa República e sua repercussão, foi o jornalista Aristides Lobo, Republicano histórico e primeiro Ministro da Justiça.

Numa entrevista exclusiva para o “Jornal do Commercio” (então o maior do país), declarou: “O País só soube dos fatos no dia seguinte, BESTIALIZADO”. O jornalista, deliberadamente, trocava a rotineira palavra BESTIFICADO, pela outra, mais decisiva e definitiva, que foi manchete do jornal no dia 18 de novembro.

Os dois medíocres marechais já haviam ASSALTADO o Poder da República que surgia, ficaram 1 ano como PROVISÓRIOS, um na Presidência, o outro dominando o Exército. E só fizeram eleição, também INDIRETA, em 25 de fevereiro de 1891, institucionalizando a divisão da República entre os dois.

A eleição verdadeira (?) só ocorreria em 1894. Chegou ao Poder Prudente de Moraes, o verdadeiro consolidador da República. (Só que essa palavra “consolidador”, tem que ser usada com todas as aspas possíveis e imagináveis. Duas vezes a República se deixou dominar pela ditadura, ninguém desconhece o que aconteceu nessas duas aventuras).

***

PS – Não vou RECORDAR o passado, nem tentar adivinhar o futuro. Embora esse não fosse um exercício tão difícil ou complicado.

PS2 – Para não “desgostar”, “contrariar” ou “decepcionar” alguns, a verdade que muitos aceitarão como fato rigorosamente verdadeiro.

PS3 – Serão 4 anos, (pelo menos) rigorosamente tumultuados e ambiciosos, do ponto de vista negativo.

PS4 – Resumindo: ou fazem as reformas que o país exige, e contribuem para o desenvolvimento e a tranqüilidade, ou repetiremos 1930 e 1964.

PS5 – NÃO FARÃO.

This entry was posted in Sem categoria. Bookmark the permalink.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *