Que campanha feia!

Não se pode dizer que a campanha se dedicou exclusivamente ao exercício de tiro ao alvo. Não. Viram-se ideias, programas, propostas e feitos de candidatos, tanto na esfera federal quanto no âmbito dos Estados. E, também, perorações genéricas, cheias de boa intenção. Mas pouco ficou da substância dos programas eleitorais. O que teria sobrado, então, da verborragia eleitoreira? Infelizmente, os aspectos negativos prevaleceram sobre os pontos positivos.

Vejamos o que restou. De Marina, o perfil mais singelo e puro quando adentrou palanque como candidata, resta uma moldura pendendo da parede, de vidros quebrados, precisando de urgente conserto. O manto da pureza que cobria a imagem foi puxado pelas mãos de uma campanha negativa.

TÁTICA DA ABELHA

Nesse caso, tanto Dilma (que usou o voto de Marina contra a CPMF e suas posições sobre homofobia, flexibilização da legislação trabalhista/perda para trabalhadores, entre outros) quanto Aécio (que lembrava sua vestimenta petista) arriscaram usar a tática da abelha, da fábula de Esopo: a vespa pousou sobre a cabeça da serpente, pondo-se a atormentá-la com seu ferrão. Furiosa, atormentada por picadas, não podendo defender-se com seu veneno, a cobra meteu a cabeça debaixo da roda de um carro, morrendo junto com a vespa. Pois é, as duas vespas fizeram os cálculos e concluíram que poderiam arrastar a adversária ao túmulo, mesmo sob o risco de irem juntos. Não apenas sobreviveram como Dilma esticou seu patamar nas pesquisas e Aécio subiu alguns degraus.

Sobre a imagem de Aécio, jogou-se a sombra do governo FHC, em que transitam vultos envolvidos nas capas da privatização, com denúncias do petismo sobre venda de empresas na “bacia das almas” e, ainda, de ser ele contrário ao programa Mais Médicos e outras ações sociais. Só recentemente o tucano passou a ser mais contundente, depois de bom tempo sem fixar imagem de oposicionista. Ademais, a maneira de articular a expressão oral gera ruído para a compreensão da mensagem. Seu repertório não consegue entrar com facilidade na cachola dos fundões. Já o tiroteio sobre Dilma contou com forte ajuda de livres atiradores, bem posicionados na retaguarda das redes sociais.

“DESCONSTRUÇÃO”

Outrora, a “desconstrução” de imagens era uma encomenda feita a terceiros. Havia certo pejo em atacar diretamente adversários. Hoje, os torpedos são disparados por uns contra outros. A vergonha parece ter desaparecido nas sombras da competitividade política. Por quê? Porque a política virou um bom negócio, sendo, até, mais engraçado que o circo. O palhaço Tiririca que o diga: “Eu votei. De novo eu vou votar”, cantarola ele. Sob o arremate de baixo nível: “Tá de saco cheio da política? Vote Tiririca”.

2 thoughts on “Que campanha feia!

  1. Sr Gaudêncio, me desculpe mas estou completamente transtornado.

    Parece apelação, mas não é.

    O que se assistiu foi um filme de horror, onde prevalece interesses, a maioria deles perniciosos a sociedade como um todo. Pareciam urubus esfomeados, onde os escrúpulos desceram pelo ralo.

    Vade Retro.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *