Quebradeira geral nos governos estaduais uma bomba-relgio

Luiz Tito

Com o quadro deixado em seus Estados pelos governos substitudos em todo pas, de se imaginar a alegria daqueles que transferiram as consequncias da bomba-relgio (prestes a explodir) que se tornou a administrao pblica brasileira. Refns do caixa e da boa vontade do governo federal, em funo do ordenamento fiscal construdo no Brasil h mais de duas dcadas, Estados e municpios brasileiros, sem exceo, esto em situao falimentar.

O recm-empossado governador Fernando Pimentel vem h quase um ms denunciando que no lhe foram apresentados os dados do caixa e o organograma atualizado do Estado, prevendo o que por sensibilidade j se sabia: a economia de Minas est no CTI. No est agora nem entrou nesse ambiente recentemente. Minas h muito luta para sobreviver. Luta em decorrncia da dependncia que tem da exportao de seu minrio de ferro, cujo preo sofre de seguido processo de aviltamento no mercado internacional.

Luta pela postura fiscalista que elegeu como facilitrio para prover seu caixa e, assim, enfrentar o progressivo custo de manuteno de uma mquina pblica paquidrmica e pouco eficiente, cujos efeitos se refletem no desestmulo de novos investimentos, do empreendedorismo e da criatividade. Somos um Estado em que a capital, Belo Horizonte, mera sede da administrao pblica, para onde se dirigem demandas que no conseguem socorro nos Estados vizinhos. Regies como o Tringulo Mineiro e o Sul de Minas se relacionam com So Paulo. De l, importam o que no produzem e, para l, destinam a produo que ainda conseguem fazer competir com produtos da indstria e do agronegcio paulista.

MINAS PRECISA DE ARROJO

As regies da Zona da Mata e Campo das Vertentes tm a facilidade de comunicao, suportada por estradas de qualidade, pelos atrativos naturais e de mercado do Rio de Janeiro. Em ambos Estados, Rio de Janeiro e So Paulo, e tambm no Esprito Santo h uma realidade facilitadora recepo de novos investimentos e ampliao dos empreendimentos existentes, alicerada na pujana de seus mercados, na eficincia dos rgos de licenciamento e regulao e no desempenho da mquina pblica. No podemos excluir Gois, que gerou condies de atrao de indstrias, muitas de Minas Gerais, e fez avanar os resultados do agronegcio, em todo Estado.

O governador Fernando Pimentel tem sobre seus ombros a tarefa de construir em Minas Gerais uma administrao moderna, capaz de integrar o Estado, estimulando a criatividade e a capacidade empreendedora da iniciativa privada. Minas carece de arrojo, de polticas de desenvolvimento adequadas s condies adversas de suas regies, de fomento, de justia tributria. Carece especialmente de um Estado que funcione e responda com trabalho s suas responsabilidades constitucionais.

AMPLA INDIGNCIA

Os recursos para essas iniciativas, o governador sabe bem onde esto, mas eles viro reforados com as relaes que souber construir com o mercado e a sociedade. Eles sero fruto da confiana, da certeza do cumprimento de compromissos, de projetos de gesto e do trabalho de uma equipe que contenha os efeitos do empreguismo, da letargia, do gigantismo estatal, do aparelhamento administrativo, do d-l, toma-c. Precisamos trabalhar para conter os efeitos dessa ampla indigncia em que estamos mergulhados. E j estamos atrasados. (transcrito de O Tempo)

12 thoughts on “Quebradeira geral nos governos estaduais uma bomba-relgio

  1. Os estados esto quebrados! Quantas vezes j ouvimos isto? Notcia repetida, distribuda, quase sempre, pelos mesmos atores.
    O interessante, para no dizer triste, que a cada governo novo, a ladainha a mesma. Durante a campanhas, oferecem solues: o mais correto seria dizer-se iluses. Antes mesmo de assumirem, j estavam “chorando” pelos cantos!
    Mas por que as coisas acontecem sempre assim? Fcil: so todos filhos da mesma me. Os pais, talvez sejam diferentes. A me “ganncia”, pelo poder, os faz mentir, esconder a verdade, vender falsas idias. E boa parte dos eleitores, incautos, desinteressados, descrentes, seguem atrs do cortejo.
    Contudo, passado algum tempo, pouco ou quase nada fazem de diferente: dia a dia se parecem, mais e mais, com o seu antecessor.
    E o povo? A esperar pelo milagre. Sim, povo dependente, com parcos valores, com nacionalidade s nos documentos e despreocupado com o futuro dos filhos, idolatra nulidades e acredita em qualquer coisa.
    preciso medir a seriedade e capacidade dos novos governantes, principalmente dos novos (no reeleitos) pelos atos que praticaro, na busca de identificar e responsabilizar os causadores da situao ingovernvel de seus estados.
    indigno um administrador (eleito) dizer que recebeu um “estado quebrado”, mas no identificar as causas e os responsveis.
    Se o “corporativismo” ou a idia de tambm sair inclume, ao final de seu mandato, for o objetivo para a no “devassa nas contas pblicas”, bem, estaremos diante da continuidade da incapacidade e irresponsabilidade dos governantes eleitos.
    Daqui quatro anos, assistiremos as mesmas promessas, as mesmas desculpas e teremos uma situao ainda pior.
    O que fazer? Quem dever fazer? Com quem e onde est a soluo?
    Diria Bob Dylan que a “resposta est soprando no vento”.

    • Fallavena,
      Mais um comentrio irrefutvel que fizeste sobre os nossos governantes.
      Antes da eleio, promessas de um mundo maravilhoso e solues para todos os problemas; eleitos, um interminvel choro e rosrio de lamentaes pelo estado das finanas que encontraram.
      Como bem escreveste, o nome dessa lamentao hipocrisia, somada ao cinismo das lgrimas de crocodilo derramadas, haja vista que o verdadeiro objetivo foi alcanado, o poder!
      Lembras quando Simon assumiu o governo do RS? A maior greve da histria do Magistrio;
      Lembras do Britto? Incompetente, incapaz, deu de bandeja a nossa CRT em uma privatizao criminosa;
      Lembras do Rigotto? Salrios pela metade para o Executivo e integral ao Legislativo e Judicirio!
      Pois agora temos o Sartori, que segue a mesma linha de terrorismo para o servidor pblico e ameaas de atrasos nos pagamentos (antes que eu esquea, os governadores citados acima so todos do PMDB).
      O que no vemos um governante CORAJOSO, QUE HONRE AS SUAS CALAS, e desafie Braslia com relao distribuio dos impostos arrecadados.
      Que raio esta Repblica Federativa?
      Estados mngua, sem recursos, dependentes da boa vontade da presidncia, de um Congresso desonesto e corrupto, perdulrio, irresponsvel, enquanto que os geradores de riqueza (os Estados) cada vez mais so explorados pelo poder central.
      Por que os governadores no se unem, viajem capital federal, sentam-se mesa com a presidente e seus ministros e sejam sinceros e contundentes em suas reivindicaes, inclusive com a desobedincia civil?
      Por que no fazem o mesmo com os deputados e senadores que foram eleitos pelos seus Estados e determinem que apressem a reforma fiscal e tributria?
      Basta de lamentos, choros pelos cantos, queremos atuao, criatividade, ousadia, coragem, e no governadores ndegas frouxas, titubeantes, indecisos, que s sabem amedrontar o funcionalismo e atrasar pagamentos de fornecedores.
      Pois que NO sejam pagos os salrios dos parlamentares por trs meses, como sinal de boa vontade para com o Brasil!
      Afinal das contas, antes de serem eleitos suas excelncias no estavam desempregados, tinham uma que outra ocupao, portanto, podem ficar sem receber seus polpudos e nababescos vencimentos por um curto perodo, mas deixar de pagar policiais, professoras, gente que ganha pouco da administrao geral do Estado e se manter os altos proventos desses prias da “democracia”?!
      Na verdade falta unio, coeso, determinao, planejamento, uma plataforma de governo onde todos os representantes do Estado no Legislativo e de todos os partidos assinassem um documento comprometendo-se a trabalhar pelo povo e pela sua Federao, declinando desse jogo imbecil de poltica partidria que sabemos inexistente, basta que o poder central acene com um ministrio que deixa de ser oposio.
      Enfim, muito barulho por nada, salvo os aumentos que se concedem, as imorais e desonestas “indenizaes” referentes s despesas pessoais e de locomoo, moradia e manuteno de seus gabinetes, um escrnio aos aposentados e para os que percebem o salrio mnimo.
      Eis o Brasil dividido em castas, com o povo sendo a escria, a plebe ignara, o vassalo, a sustentar esta corja de fascnoras, de traidores da Ptria, esses meliantes travestidos em parlamentares que, desgraadamente, somos ns mesmos que os elegemos, que permitimos tantos desmandos e descalabros. At quando no sei, mas um dia esse bacanal com o dinheiro do povo vai terminar, por bem ou por mal!

      • Grande amigo, parceiro e mestre Bendl
        E ns temos de chorar sempre!
        Desta feita, por tantas coisas a repetir, esqueceste (e te ajudo a complementar) do governo Tarso. O piso do magistrio que ajudou a fazer e aprovar, MAS PARA QUE OS OUTROS PAGASSEM.
        E tudo comea pelo povo e nele deve terminar.
        Um abrao amigo.

    • Corroborando as afirmaes iniciais do seu texto:
      – Governadora de Roraima emprega 18 familiares na administrao estadual (hoje no Estado)
      – Empresa de saneamento do Paran tem uma diretoria que passa de me para filho (hoje na Gazeta do Povo)
      – alm dos exemplos por demais conhecidos, j expostos pela imprensa, dos governos federais, congresso, judiciario, que balizam o comportamento da estrutura governamental brasileira atravs da impunidade.

  2. Essa a realidade mineira. Muita maquiagem para eleger o mentiroso Acio. Na entrevista que deu na globo News disse que perdeu em Minas para aqueles que ganham bolsa famlia, para a pobreza mineira que depende do PT. Se Acio ganhasse a eleio imagina o que no faria com o Brasil com o seu dio, despreparo e hipocrisia ? Acio vai acabar como vereador da cidade de Claudio, onde ele construiu um aeroporto para o parente. O Palcio que Aciodonosor construiu para abrigar a administrao do estado custou uma fortuna porque a rea era um brejo. Dizem que custou R$ 5 bilhes. Acio, o carioca do brejo.

  3. Basta ver como o ex-governador Agnelo Queiroz (PT), do Distrito Federal, deixou como herana a Rodrigo Rollemberg (PSB) uma conta corrente zerada, de acordo com saldo de 31 de dezembro de 2014.

    Em nota divulgada pela assessoria da Casa Civil apresentou demonstrativo em que mostra a conta corrente do Tesouro do GDF sem um centavo sequer.

    Na poupana, o cenrio no alentador: o saldo total de R$ 64.201,07, aplicados em fundos de investimentos do Banco de Braslia.

    S para lembra que Agnelo, cujo patrimnio aumentou 413% em trs anos, era filiado ao PCdoB antes de entrar para o bando PT.

    • Guilherme
      Procure os governos petistas e encontrars a farsa, a farra, os desmandos, o empreguismo, as obras no inciadas e/ou inacabadas. At matar companheiro com eles!
      Tem gente que enxerga somente os erros dos outros. Os de seus amigos e correligionrios no existem: so invenes das classes dominantes, elitistas, descriminadoras, racistas e neoliberais.
      O PT escreveu seus dogmas mas esqueceu de fabricar seus santos!
      Abrao e sade.

    • E MAIS:

      Roseana Sarney que deixou o gunverno do Maranho pelas portas do fundo e FALIDO hoje est PASSEANDO EM MIAMI. Agnelo Queiroz que deixou o gunverno de Braslia pelas portas do fundo e FALIDO hoje est PASSEANDO EM MIAMI.

      QUADRILHEIROS

  4. Vo acabar dando um jeitinho. Sempre deram. Alguns calotes aqui, outros calotes ali, aumento de impostos, corte de benefcios, etc. …
    A nica coisa que se recusam a fazer cortar, por exemplo, o empreguismo no Senado, de 13.000 pessoas cadastradas na folha de pagamento, para digamos, “modestos” 5.000 funcionrios.
    Preferem ver os empregados da iniciativa privada perder os seus empregos, do que cortar esta semvergonhice, esta canalhice, que colocar nas folhas de pagamento do setor pblico, todos seus cabos eleitorais, parentes, amantes e amigos.
    Bando de cretinos !!!

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