Queda de emprego na indústria abala economia do país

Em 2012, já estávamos assim. De lá para cá, pioramos.

Pedro do Coutto

A retração de aproximadamente 3% no nível de emprego na indústria em 2014, confirmada pelo técnico do IBGE Fernando Abrita e focalizada na reportagem de Pedro Soares, Folha de São Paulo, edição de 16, envolveu o fechamento de 190 mil postos de trabalho e representa um abalo na economia brasileira, produzindo um triplo efeito: menor renda proporcionada pelo trabalho humano; recuo na produção nacional; crescimento aquém do desejado na formação do Produto Interno Bruto.

Recuo da renda per capita (divisão do PIB pelo número de habitantes) é o resultado negativo no final da ópera. E como os salários na indústria são maiores do que os pagos na agropecuária e no setor de serviços comuns, o desemprego industrial afeta mais diretamente o mercado de consumo. Como se constata, surge em consequência uma espiral de fatores negativos.

Fernando Abrita apontou como causas principais a diminuição da produção industrial de 2014 os juros bancários maiores e a restrição do crédito, além do pessimismo de empresários e consumidores. Tudo convergindo para um processo de desaceleração de renda. A esta sequência – disse – acrescente-se a maior competição com os bens importados e o desempenho fraco das exportações.

PESSIMISMO

Ouvido também por Pedro Soares, o economista Fábio Romão, da consultoria LCA, mostrou-se pessimista com as perspectivas para 2015. Para ele, o desemprego na indústria manterá a tendência de queda, prevendo uma nova perda de 65 mil postos de trabalho. Inclusive porque as empresas, em regime de compressão, sempre que o nível dos lucros recua, preferem convocar horas extras a contratar trabalhadores. Porém, não pagam em dinheiro essas horas extras e sim as lançam num esquema de compensação através de um banco de reservas horárias. Assim as horas extraordinárias são lançadas numa escala de tempo, nada acrescentando em matéria de volume salarial.

Além de tudo isso, agora sob a ótica da arrecadação de impostos, a maior retração na indústria corresponde à menor receita proporcionada pelo Imposto de Renda, pelo IPI, pelo Pis-Cofins, atingindo igualmente o ICMS nas áreas estaduais. O sistema tributário, portanto, depende do desenvolvimento econômico, que, por seu turno, implica em maior oferta de empregos. É assim indispensável substituir-se o círculo vicioso da redução pelo ciclo virtuoso do crescimento econômico, produzindo efeitos concretos na escala social e fomentando a redistribuição de renda.

Sem esta ruptura o país não sairá da crise. Não adianta apenas aumentar tributos e tarifas, se não se ampliarem as fronteiras no rumo do progresso – aí sim – cabe bem a expresão desenvolvimento sustentável.

PATROCÍNIOS ESPORTIVOS

Por falar em arrecadação de impostos, deixo uma sugestão ao ministro Joaquim Levy: mande realizar um acompanhamento mais próximo, sob a ótica fiscal, nos patrocínios esportivos que há por aí. Pois não tem aparentemente lógica a realização desses patrocínios, mediante colocação de publicidade na camisa dos atletas, com a situação financeira dos clubes e federações de futebol e de outros esportes. Entidades esportivas operam com deficit que se transformam em dívidas acumuladas, em contraste com as remunerações atribuídas aos atletas. Os repasses dos recursos são integralmente os revelados ao público? Fica a pergunta.

E para terminar este artigo, desejo agradecer as referências a mim feitas pelo conceituado advogado Jorge Béja, companheiro deste site. Me honram muito. Obrigado.

7 thoughts on “Queda de emprego na indústria abala economia do país

  1. O grande e experiente Jornalista, Sr. PEDRO DO COUTTO, chama atenção da constante Recessão ( crescimento negativo ao longo do tempo) de nossa estratégica Indústria. É grave porque a Indústria, como bem destacado pelo brilhante Jornalista, é a verdadeira criadora de Classe Média, pois que paga os melhores Salários e permite ao Trabalhador ascender na escala hierárquica, bem mais que os setores da Agricultura/Pecuária, e Serviços.
    Em termos de participação da Indústria no PIB, depois de atingir um pico nos anos 70’s, voltamos aos índices dos anos 50’s. E o pior é que as Empresas mais atingidas são as de MATRIZ NO BRASIL, justamente as que criam TECNOLOGIA NACIONAL, que verdadeiramente CAPITALIZAM a Economia Nacional e dão grande Padrão de Vida ao Povo.
    A meu ver, este é o maior problema estrutural da Economia Brasileira. Deve o Governo voltar os olhos para ele e atuar para reverter tal situação.
    A Indústria sofre dos seguintes males, e que vem se agravando ano a ano:
    Alta Carga Tributária, +- 37% do PIB e com viés de alta, junto com Burocracia infernal consumidora de tempo e energia; Câmbio Desfavorável ( o grande ex-Ministro DELFIM NETTO calculou que só o Real sobre-valorizado causou perdas nas exportações Industriais nos últimos 10 anos de US$ 450 Bi, mais do que todas as nossas Reservas de +- US$ 377 Bi. Leis Salariais Rígidas que dificultam enormemente a Demissão/Contratação, ex. um Trabalhador com +- 4 anos de Trabalho, ao ser Demitido exige +- 1 ano de Salário extra para a Demissão, o que engessa todo o processo; Crédito muito caro, pois os Juros Comerciais são muito altos, exceção dos do BNDES que são para poucos; Energia Cara; ……. Em função de tudo isto, a Lucratividade das Empresas Industriais, principalmente as de MATRIZ NO BRASIL tem caído nos últimos 10 anos, de um Lucro Líquido Normal de +- 15%aa – 18%aa, para +- 7%aa, numa Inflação de +- também 7%aa. Como INVESTIR e despertar o Instinto Animal do Empresário, numa Conjuntura assim e com viés de baixa?
    Mas com bons exemplos de cima e fazendo as coisas certas, o Brasil tem condições de reverter este quadro.

  2. Raciocínio de quem não entende de economia: Sem consumo não há desenvolvimento.
    Quanto mais aumento de impostos e juros altos, menos consumo. Isso é o golpe final
    para acabar de liquidar o Brasil.

  3. Prezado Sr. NÉLIO JACOB, Saudações.
    A meu ver, antes que um tanto de queda de CONSUMO acabe com a Economia, um Deficit maior ainda do Orçamento Federal que já está em +- 6% do PIB, a perda do grau de Investimento das Agências de Rating Internacionais, a PERDA TOTAL DA CONFIANÇA pelos Agentes Econômicos, acabam com a Economia bem mais cedo. Aqui trata-se de escolher fazer O QUE É MENOS PIOR NO MOMENTO. Abrs.

  4. “.. Leis Salariais Rígidas que dificultam enormemente a Demissão/Contratação, ex. um Trabalhador com +- 4 anos de Trabalho, ao ser Demitido exige +- 1 ano de Salário extra para a Demissão, o que engessa todo o processo; …”

    Não sabia que que esta barbaridade havia retornado.
    Enquanto esses aloprados não nos equipararem com a Venezuela e outros, eles não descansam.
    Mas afinal, cadê a oposição política no Congresso Lamaçal à estas medidas suicidas ?

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