Queda de Jango levou à ditadura que impediu Juscelino de voltar ao poder em 1965

O Golpe nas Reformas de Base - Portal Disparada

Jango radicalizou as reformas de base e provocou sua queda

Pedro do Coutto

Ontem escrevi baseado na matéria de Ancelmo Gois a respeito do filme que está sendo feito pela diretora Suzana Lira, focalizando a ascensão e queda do presidente João Goulart. Cito ascensão e queda utilizando o título do historiador e jornalista William Scherer sobre a chegada ao poder e derrocada de Hitler. Mas esta é outra questão.

Após reler a matéria, decidi, como faço hoje, acrescentar alguns aspectos sobre o movimento político militar que em 64 derrubou o presidente da República. Faço isso com base no meu princípio de que a história deve ser escrita no presente, pois isso dá margem àqueles que têm algo a adicionar aos fatos suas impressões pessoais. Deixar correr as décadas pode obscurecer acontecimentos e interpretações.

INÍCIO DA QUEDA – Dito isso, relembro que Jango começou a cair em 1962, quando Tancredo Neves deixou o cargo de primeiro-ministro para concorrer ao Senado por Minas Gerais. E também em reflexo à saída da UDN que devolveu os três postos que maNtinha na equipe ministerial – Virgílio Távora nos Transportes, Gabriel Passos nas Minas e Energia, Afonso Arinos embaixador junto à ONU.

Eu estava ao lado de Virgílio Távora quando recebeu telefonema de Goulart pedindo que ele ficasse na pasta. Távora respondeu que não poderia porque a UDN, seu partido anunciara o rompimento para poder disputar as eleições de 62 para o Congresso Nacional. A UDN, digo eu, levantava sua antiga bandeira política na busca de reencontrar seu eleitorado.

SAÍDA DE TANCREDO – Outro fato de extraordinária importância foi a saída de Tancredo Neves, que explodiu a aliança entre o PSD e o PTB. A respeito de Tancredo conto um episódio que antecedeu sua nomeação como primeiro ministro. O jornalista Plínio de Abreu Ramos e eu o encontramos por acaso na Av. Graça Aranha. Ele nos disse que se encontrava entristecido porque depois da derrota para Magalhães PInto para o governo de Minas Gerais muitos amigos evitavam encontrá-lo. Acrescento eu: não imaginavam que 14 meses depois Tancredo Neves, como primeiro ministro retornaria ao palco central do poder. A vida é assim.

Sem Tancredo e abalado pela derrota de Santiago Dantas para primeiro-ministro, Jango sensibilizou-se negativamente com os ataques de Brizola. Estes ataques, partindo de seu próprio partido político, adicionaram-se aos ataques de Carlos Lacerda que era governador da Guanabara.

RADICALIZAÇÃO – João Goulart, para responder a Brizola, tentou ser mais radical do que seu cunhado. Perdeu-se. Rompeu com setores econômicos fundamentais. Estatizou refinarias, ameaçou uma reforma agrária radical, e envolveu-se no episódio da quebra frontal da hierarquia e disciplina militar.

Tancredo e o próprio Brizola o desaconselharam de comparecer à reunião dos sargentos do Exército e da Marinha no Automóvel Clube, centro do Rio. Era o dia 30 de março. No dia seguinte vieram a deposição e o exílio.

O filme de Suzana Lira baseia-se também nas memórias de Maria Tereza Goulart, viúva de Jango.

16 thoughts on “Queda de Jango levou à ditadura que impediu Juscelino de voltar ao poder em 1965

  1. Pedro do Coutto … quem depôs Jango foram as Mulheres com Terço nas Mãos na Marcha da Família com Deus pela Liberdade no dia 19/03/64, do Esposo São José … após infelizmente Jango afirmar que não seria a Reza do Terço que o impediria de realizar as tão necessárias Reformas até hoje não realizadas.

    Em seu discurso na Estação da Central do Brasil, RJ, em 15/03/64, Jango corretamente afirmava estar seguindo a Doutrina Social da Igreja Católica, ensinada pelos Papas, desde o grande Leão XIII … … … porém, não precisava ofender o sentimento católico, especialmente das Mulheres.

    E aí a coisa pega, né??? Os EUA são poderosos enquanto suas Mulheres aceitam receber seus Homens no caixão.

    E os EUA estão sem doutrina militar … desde quando a de Rumsfeld (pouca morte de soldado por uso de tecnologia) não deu certo.

  2. 64 foi a nova versão do golpe fracassado de 61. Nesta nova versão, souberam ludibriar muitos políticos civis, entre eles JK, que esperava ser bem recompensado em 65. Hoje a História. Se repete. Muitos golpistas estão na fila.

  3. Jango foi derrubado por forças conservadoras terríveis, que minaram seu governo. Financiamento de empresas multinacionais e de empresários brasileiros, principalmente de São Paulo.
    A marcha com Deus pela família foi só um detalhe.
    O embaixador americano Lincon Gordan conspirou, o Adido Militar Wernon Whalter convenceu os militares para dar o golpe e acabar com a democracia.
    Usaram o argumento falso de que Jango iria se aliar aos comunistas e criar uma Republica Sindicalista. Nada mais fake do que esse argumento tosco e tolo. A maioria dos brasileiros sempre foram conservadores e o presidente um fazendeiro gaúcho, milionário, mas, profundamente preocupado com as questões sociais.
    O embaixador brasileiro nós EUA também traiu o presidente, tanto que foi logo convocado por Castelo para ser Ministro da Economia.
    O presidente não era para ser o general Castelo Branco. O preferido da caserna era o general Costa e Silva. O general Olímpio Mourão, precipitou a derrubada de Jango ao movimentar suas tropas de Juiz de Fora em direção ao Rio de Janeiro. Ao chegar em Rezende suas tropas estiveram na iminência de um combate, com as tropas das Agulhas Negras, mas, as pombas da paz entraram em ação e acabaram se confraternizando.
    Mourão partiu para o Rio de Janeiro. Lá chegando suas tropas ficaram aquarteladas no Maracanã.
    No dia do golpe e nos outros dias subsequentes, Mourão foi afastado e passado para a reserva. Morreu entristecido e decepcionado com seus pares da caserna. O poder não estava reservado para ele. Quem manda de verdade vetou o seu nome.
    O certo é, que uma conspiração brutal tirou o presidente do cargo.

    • Caro Roberto Nascimento … tudo que o senhor escreveu é verdade … porém, conspiração era o que não faltava … e a Marcha encorajou Denys a ir a MG e convencer Mourão a descer … pois ninguém tinha coragem de tomar iniciativa.

      Jango ficou sem Ministro da Guerra … e antes de nomear alguém, Costa e Silva se autoproclamou Ministro da Guerra por ser o mais antigo na ocasião … e se pôs como Comandante Supremo da Revolução e exigindo obediência do corajoso Mourão … que se declarou vaca fardada pois MG ficaria sob o Podrer Federal de Jango com o Decreto de Expropriação de Terras limítrofes com bens federais.

      Sds.

    • Juscelino Kubitschek, assim como Carlos Lacerda fizeram a aposta errada ao apoiarem o golpe em marcha, na crença pueril, de que os militares convocariam eleições em 1965. Ledo engano. Ambos foram cassados e depois perseguidos pelo regime que apoiaram. Uma terrível lição de vida para os dois políticos. Não adiantou nada a criação da Frente Ampla, o destino estava traçado: os dois políticos se tornaram personas não gratas para os donos do poder. O sonho da presidência foi pelos ares. Quem perdeu com tudo isso foram os brasileiros, principalmente os mais pobres.
      Meu avô recebia R$ 1.200,00 de aposentadoria. Castelo Branco reduziu para R$ 700,00.
      Que tristeza esse país. Os americanos impuseram regimes ditatoriais em toda a América Latina, com medo do alinhamento dos países do Cone Sul com a URSS. Era preciso preservar o quintal para a América.
      Quem não se lembra da Operação Condor?
      A história de repete e não é farsa. Os americanos não querem que o Brasil aceite a tecnologia 5 G da CHINA, muito mais barata e eficiente em termos tecnológicos.

      • Eu penso que devemos analisar pensando no Brasil … que aprendeu o milho híbrido com o Nelson Rockefeller … que resultou na Embrapa … e hoje somos concorrentes no agronegócio.
        Também foi o Mister Link que nos indicou procurar petróleo no mar … hoje exportamos até para a China.
        Outro do Norte disse para usar sondas que fizessem furos mais profundos – e chegamos no pré-sal, né???

  4. Eita república podre, hein ? Golpes, ditaduras, eleições fraudulentas, democracia fake…, república 171, gerações e mais gerações perdidas, nada de novas lideranças. Quando é que vai acabar esse FEBEAPÁ que já dura 130 anos ?

  5. Apesar de muitos definirem o protestantismo, no Brasil, como alguma coisa messiânica ou uma profecia consumada, o pano de fundo dessa corrente religiosa esconde a voracidade do imperialismo ianque (Estados Unidos e Grã-Bretanha), em transculturar os povos de credos diferentes. Quanto mais esses dois países inculcarem nas demais nações o espírito protestante, maior será o número de “igualados” a se identificarem e absorverem a ideologia ianque. Noutras palavras: cada elemento que se “converte”, consciente ou inconscientemente, “é um esterco que está adubando a erva daninha semeada por esse império internacionalista”. E o pior: as criaturas manipuladas não se dão conta de que estão servindo de vetor de propagação para uma peste mundial. Durante a ditadura militar, entidades como o IBAD (Instituto Brasileiro de Ação Democrática) teriam recebido milhões de dólares para investir na manipulação da consciência nacional, tendo como principal agente as seitas oriundas dos Estados Unidos.
    Ao longo desse período totalitário, bastava surgir uma liderança popular, progressista, para que a mesma fosse enquadrada na Lei de Segurança Nacional. Se o trabalho de conscientização fosse pregado no campo, o crime seria tipificado de: “Incitação a camponeses”. Igual punição não era aplicada a padres e/ou pastores que usurpavam e encabrestavam seus sequazes. Óbvio, ao sistema opressor, é utilíssimo alguém que o ajude a controlar a massa subjugada, porém, é por demais pernicioso e ameaçador quem tentar retirar as amarras da mesma.
    “O que é esperado raramente acontece – e nunca acontece da forma como é esperado”. Vernon Walters – Ex-general do exército e embaixador do EUA nas Nações Unidas. O Senhor dos golpes na América Latina.

  6. Jango caiu ao se recusar a seguir a recomendação de Brizola, marchar com o 3º Exército e com o General Oromar Osório e tomar o poder que o Congresso havia traiçoeiramente e ilegitimamente retirado dele na calada da noite no final de agosto e início de setembro de 61. Quanto a Juscelino, teve o que mereceu, também oportunista apoiou Castelo Branco em 9 de abril de 64 votando no ditador e dois meses depois estava cassado. Certo estava Vitorino Freire quando disse a JK na saída da reunião do PSD que decidiu pelo apoio ao golpe: “Vais pagar caro por esse voto.” Pagou. Foi massacrado pelos militares com acusações infundadas e, quem diria, por causa de um triplex na Francisco Otaviano, perto do colégio São Paulo. A história se repete. Recentemente ocorreu coisa parecida.

Deixe uma resposta para Mário Cancelar resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *