Queda de preços inviabiliza investimentos em mineração

Vale pode desativar algumas de suas minas

Raquel Faria

A crise na mineração deve comprometer investimentos em Minas Gerais. Segundo o especialista Guilherme Leão, gerente de estudos econômicos do Instituto Euvaldo Lodi, ligado à Federação das Indústrias de Minas Gerais, 70% dos projetos anunciados para o Estado nos próximos anos têm a ver com minério de ferro. E foram planejados quando os preços da commodity estavam em alta. Agora, muitos podem não sair mais do papel.

Entendidos em mineração avaliam que o início da operação Minas-Rio, da Anglo American, deve manter o volume da produção mineral do Estado em 2015, compensando as perdas com o fechamento de minas. E a subida do dólar vem amenizando a queda de preço. Mesmo assim, a perspectiva é de declínio do faturamento, o que desestimula investimentos no setor.

DESMOBILIZAÇÃO

A Vale já tem estudos de viabilidade de suas minas no novo cenário de mercado. Se os preços continuarem caindo, a desativação daquelas menos rentáveis será inevitável no médio prazo. Estima-se que a mineradora possa vir a paralisar até 50% de suas operações com ferro em Minas Gerais. (transcrito de O Tempo)

15 thoughts on “Queda de preços inviabiliza investimentos em mineração

  1. A Vale opera com custos elevados, altíssimos. Uma mina que pode se operar com um gerente e quatro encarregados é utilizando uma planilha Excel , a Vale utiliza dez diretores, outra dezena de burocratas no escritório ou seja gerenciando uma burocracia que os próprios burocratas inventaram.
    Só trabalha com grandes e rentáveis depósitos e preços bem lá em cima (100 dólares).

  2. É triste, mas, é a verdade. O preço das commodities está caindo em todo o mundo. Com reflexo maior, claro, para as economias que se firmam em commodities como é o caso do Brasil e dos países ditos emergentes.

    Atenção para o petróleo, uma preocupação a mais para nós brasileiros. O Lifting cost (preço de produção do barril de petróleo) com a participação do governo, até o segundo trimestre deste ano estava em US$32,79.

    O preço do barril lá fora chegou a US$59,0 dólares, salvo engano, na semana que se passou. Não pode cair muito mais do que isto, senão inviabiliza o nosso pré-sal.

    Dureza está para a Russia, cuja queda estimulou desinvestimentos e a queda do rublo numa massiva fuga de capitais que só foi estancada com a elevação da sua taxa básica de juros para 17%.

    A Russia hoje possui, simplesmente, a maior taxa real de juros do mundo, ganhando do Brasil que está em segundo lugar com 11,75%.

    Tudo isso para não aniquilar sua reserva monetária de dólar que, de mais de US$500,0 bilhões, caiu rapidamente para o mesmo que o Brasil, isto é, US$375,0 bilhões.

  3. Uma hora o preço das commodities teria que cair. É lógico, que esse cenário virtuoso não demoraria por muito tempo. Os reflexos da queda do preço das commodities remetem a crise de 2008. EUA e Europa os mais atingidos pela crise financeira, o que ocasionou a recessão dos maiores consumidores do planeta. Comprando menos, pois vieram planos de austeridade e freio nas economias, com a consequente perda salarial dos consumidores, as commodities viraram pó.

    A produção das commodities cresceram absurdamente nos países exportadores. Com a crise, os países importadores deixaram de comprar como nos tempos áureos, então, os preços desabaram. A lei da oferta e da demanda nunca falha.

    A queda da commodities mineral, o ferro, cujo maior importador, a China reduziu a compra, em função da desaceleração de sua economia, afetou a Vale em cheio. Se tiver que fechar as minas e interromper os projetos, isso será feito pragmaticamente, custe o que custar, principalmente o emprego dos mineiros. A empresa privada só se preocupa com o lucro. Quem tiver que perder irá perder, mesmo que dinheiro do povo tenha sido emprestado a juros subsidiados pelo BNDES para expansão dos negócios privados.

    O governo empresta baratinho, o empresário demite diante da crise da commoditie mineral e sobra para a gente pagar os custos do aumento da dívida pública (aumento dos impostos), porque o governo capta no mercado com juros de 12% e empresta no patamar de 5%. Quem paga a diferença somos nós, os bobos de sempre.

    Até quando?

  4. Senhores,

    Por falar em mineração, estive nesse final de semana na área onde o empresário Olacyr de Moraes encontrou o mineral Tálio, em Barreiras, Bahia. Tudo está como era antes, SEM A MENOR PERSPECTIVA DE EXPLORAÇÃO. Até os furos das sondagens estavam lá, intocados…

    Como os baianos não precisam de emprego, saúde, educação ou de moradia digna e a cidade de Barreiras não tem esgoto nas ruas, nem favelas, nem ruas de terra e de lama e como não tem O ESGOTO RESIDENCIAL JOGADO NO RIO DE ONDAS (o mesmo que as ONGs dizem proteger), nem precisam de dinheiro, as jazidas permanecerão guardadas para posterior uso dos Donos do Mundo (os mesmos que financiam as ONGs), caso necessitem.
    Cazaquistão e China não precisam se preocupar com a concorrência, pois ela só acontecerá daqui a uns cinquenta anos, quando o mundo tiver outro mapa político.

    Vejam estas retrospectivas sobre o assunto:

    MAIO DE 2011
    “EMPRESA DE OLACYR DE MORAES, 80, DESCOBRE A 1ª RESERVA BRASILEIRA DE TÁLIO
    Em pleno oeste baiano, de cerrado e plantações de soja, foi encontrada a primeira jazida de tálio do Brasil, única de tálio em estado puro em todo o mundo. O metal, raro, caro, tóxico e com aplicações importantes na indústria energética, é agora a menina dos olhos da companhia Itaoeste, do empresário Olacyr de Moraes. Na década de 70, Olacyr virou o maior produtor individual de soja do mundo. Aproveitou a grande cheia de 1973 do rio Mississipi, que arruinou as lavouras dos Estados Unidos, para expandir a fronteira do grão no Centro-Oeste brasileiro. Ganhou a alcunha de “rei da soja” e chegou à casa dos bilhões de dólares, até que os negócios decaíram e ele teve que se desfazer de grande parte de seu patrimônio. Agora, com mais de 80 anos, ele recorre novamente ao cerrado – precisamente a cidade de Barreiras, na Bahia. O quilo do produto, raro e tóxico, foi cotado a R$ 9.600 em 2010; Cazaquistão e China são atualmente os únicos produtores.

    INÍCIO DA EXTRAÇÃO DE TÁLIO PODE LEVAR ANOS
    O DNPM (Departamento Nacional de Pesquisa Mineral) vai vistoriar até julho a jazida de tálio da empresa Itaoeste, do empresário Olacyr de Moraes. Segundo o superintendente da instituição na Bahia, Teobaldo Oliveira Júnior, essa vistoria permitirá avaliar o volume da reserva. Para a empresa conseguir a licença para lavra, deverá apresentar um plano de aproveitamento econômico. Haverá rodadas de audiência pública na região, entre outras exigências, que devem empurrar o início da exploração para daqui a uns dois anos, avalia Oliveira. Em apenas uma das áreas pesquisadas pela empresa Itaoeste foi encontrado o equivalente para atender todo o consumo mundial, estimado em 10 toneladas anuais, pelo período de seis anos.

    LICENCIAMENTO AMBIENTAL
    Por se tratar de um elemento tóxico e supostamente cancerígeno, cuja exploração pode contaminar a água e o solo da região da jazida, há chances de a empresa encontrar dificuldade para licenciamento ambiental. O tálio é usado na produção e pesquisa de supercondutores de alta temperatura, que permitem a transmissão de eletricidade a longas distâncias com poucas perdas. O mineral tem também propriedades termelétricas: consegue transformar diretamente calor em eletricidade. Dispositivos como motores e chips de computador desperdiçam a energia gerada por seu funcionamento na forma de calor, o que pode ser solucionado com o uso de materiais como o tálio. Ele é usado também como contraste em exames médicos e em sensores de infravermelho E também na produção de elemento supercondutor (HTS – High Temperature Superconductor), que são os mais eficientes para transmissão de energia, com um mínimo de perdas. Um um cabo HTS pode substituir o equivalente a uma linha de transmissão de uma hidroelétrica, por exemplo”.”

    MAIO DE 2012
    “OLACYR DESCOBRE A MAIOR RESERVA MUNDIAL DE SCANDIUM
    O empresário Olacyr de Moraes, 81, da Itaoeste, anunciou ao governador Jaques Wagner que encontrou na Bahia a maior reserva mundial de scandium – um mineral raro que é utilizado para a fabricação de foguetes. A expectativa é de investimento de US$ 30 bilhões (aproximadamente R$ 57 bilhões) na extração e no beneficiamento do minério considerado estratégico.
    “Estivemos com o governador para anunciar esta importante descoberta e para dizer a ele que o interesse do nosso grupo é o de desenvolver a cadeia do produto aqui”, explicou o diretor de negócios internacionais da Itaoeste, André Guzman. Segundo ele, o beneficiamento do produto vai exigir um grande investimento, comum significativo impacto positivo para o Estado. “É um projeto de US$ 30 bilhões, que trará impactos a curto e médio prazos”, garante. Com uma descoberta de vanádio na região oeste, a Itaoeste estima faturar R$ 100 milhões este ano na Bahia.”

    JUNHO DE 2011
    “MINERAIS RAROS SÃO ENCONTRADOS NA BAHIA
    A Largo Mineração, subsidiária brasileira da canadense Largo Resources, prepara-se para começar a extrair vanádio de uma mina em Maracás, cidade da região central da Bahia, a 376 quilômetros de Salvador. O início das operações está previsto para o fim do ano que vem, após investimentos de US$ 200 milhões.
    O vanádio da mina de Maracás, além de passar a ser o único explorado no País, é considerado o de maior teor no mundo, com 1,44% de concentração – minas da África do Sul, que têm a maior concentração de vanádio hoje, registram índice de 0,44%. O metal é usado para aumentar a resistência e diminuir o peso do aço. Espera-se que, por ano, a produção da mina baiana seja de 5 mil toneladas anuais.
    MAIS DE QUINZE ANOS DE AÇÃO JUDICIAL CONTRA O EMPREENDIMENTO
    Há quase três décadas sabe-se da existência do minério em Maracás. A Odebrecht chegou a iniciar o projeto em 1986, mas a falta de um marco regulatório e o temor de contaminação ambiental levaram a uma ação pública contra o empreendimento. Mais de 15 anos depois, a empresa venceu a ação, mas a baixa cotação do mineral naquele momento não justificava o investimento. O projeto foi abandonado e retomado apenas no ano passado, já pela Largo Mineração.”

    Fonte: http://www.olacyrmoraes.com.br/

    • A salvação de qualquer economia, a criação de riqueza real, para um quilo de tálio retirado temos um valor corespondente em moeda local criado. No fim o que vai valer são as riquezas tangíveis, moeda lastreada em terras raras, minério de ferro, metais preciosos, moeda fiduciária, fiat, lastreada em dívida, estão com os dias contados, o governo perde duas oportunidade para se destacar na política economica mundial, o não insentivo a exploração de minerais e a corrupção descontrolada.

  5. O que falta ao Brasil é tecnologia própria e é isso que faz a riqueza de um país. Não se investiu nisso e só ficamos com comodities para faturar algum no exterior.
    Desse jeito não tem jeito.

  6. Pois é,

    O Brasil está destinado a vender UM TRANSATLÂNTICO DE FERRO e importar, pelo mesmo valor, alguns TOMÓGRAFOS COMPUTADORIZADOS da Alemanha por USS 500.000,00 cada um ou alguns ESPECTRÔMETROS DE MASSA por USS 1.000.000,00 que, todos juntos, cabem em uma sala…

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