Quem acha que “Diário de Anne Frank” é pornografia está exercendo que “direitos”?

O sol brilha, o céu está muito azul, sopra um vento magnífico e eu anseio tanto - anseio tanto - por tudo... Tenho saudades de conversar, de liberdade, de amigo... Frase de Anne Frank.Hélio Schwartsman
Folha

Pais de alunos da escola Móbile, em São Paulo, procuraram a direção do educandário para protestar contra a utilização de uma versão em quadrinhos do “Diário de Anne Frank” nas aulas de inglês do 7º ano. O motivo da revolta são passagens em que a autora fala de sua sexualidade e que os genitores interpretaram como pornográficas.

Lamento dizer que esses pais estão errados. E nem entro na discussão de conteúdo. Como o bolsonarismo ainda não triunfou, cada indivíduo é livre para fazer a exegese que preferir do texto que lhe aprouver.

ESCOLHA DO COLÉGIO – Quem acha que Anne Frank é pornografia está exercendo seus direitos hermenêuticos, ainda que essa seja uma opinião difícil de sustentar num foro mais técnico.

Esses pais erraram é na escolha da escola em que puseram seus filhos. Ao contrário do que ocorre na rede pública de ensino, onde é o endereço que define em qual instituição a criança vai estudar, no sistema privado cabe aos responsáveis selecionar o colégio.

Costumam fazê-lo com base em diferentes matrizes de critérios, que vão desde a comodidade (a escola fica perto de casa?) até valores espirituais, passando, é claro, pelo preço.

ABERTURA AO NOVO – Um parâmetro particularmente sensível é a abertura ao novo. Como ela afeta desde a pauta de leituras até o grau de rigidez moral e a disciplina a que o aluno será submetido, se houver desacordo entre pais e instituição nesse quesito, as consequências tendem a ser desastrosas.

Não só haverá atritos entre a família e a direção como o conflito logo será levado para dentro de casa, à medida que o estudante assimilar valores muito diferentes dos de seus genitores.

Se a escola particular só manda seu filho ler livros que lhe parecem obscenos, aja com discrição e troque de colégio no final do ano. Caso contrário, você estará escancarando que fracassou na elementar tarefa de escolher uma instituição compatível com seu modo de pensar. É um pai nota zero.

3 thoughts on “Quem acha que “Diário de Anne Frank” é pornografia está exercendo que “direitos”?

  1. 1) Me fez lembrar do psicanalista nascido na Ucrânia, formado em Viena e radicado nos EUA, ele fugiu do nazismo.

    2) Em seu livro “O Assassinato de Jesus Cristo” Reich diz que Cristo foi condenado e morto por pessoas sexualmente reprimidas…

    3) Puritanas …

  2. Por isso o homeschooling é tão perigoso…

    Não é à toa que na França tentam e não conseguem a adoção desse sistema. É somente admitido em certos casos como atletas etc.

  3. Leão,

    Bom dia,

    Meu, desde ontem tu estás usando expressões no idioma inglês.
    Vou começar a te chamar de Lion.

    A pandemia demonstrou que o ensino em casa não é bom, pois ineficiente e ineficaz.
    Falta ao aluno e professor o ambiente, o clima, a presença dos alunos e destes do mestre,
    Mais ou menos como eu comprar um Bentley, e receber o carro sem rodas e vidros.

    Quanto ao artigo em tela, se os pais erram a escola onde colocam seus filhos, o estabelecimento comete um desatino quando investe em searas delicadas, sem considerar o sofrimento das pessoas vítimas de um regime, de um partido, de uma religião, dos efeitos de uma guerra mundial.

    Levar em conta que autores de livros os escreveram em cativeiro ou depois de soltos de suas prisões e campos de concentração, na tentativa absurda de querer interpretar o que foi escrito, é antes de tudo um atentado ao padecimento, ao sofrimento, a dor indescritível de um perseguido que, se encontrado, sabe que será condenado à morte!

    Por outro lado, na análise indesculpável sobre o Diário de Anne Frank com bases sexuais é tão acintosamente desrespeitoso, que o falso professor ao usar desta presunção sobre a obra, esqueceu como é a mente de uma menina, de uma adolescente, com seus sonhos e projeções de sua vida.

    Descoberta no seu esconderijo, em Amsterdã, Holanda, Anne foi deportada para Bergen-Belsen, onde morreu, e seus pais mandados para Auschwitz.

    Certas análises sobre memórias póstumas deveriam obedecer alguns critérios, que não seria a censura, mas respeitar o autor e a sua saga porque morto numa guerra covardemente.

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