Quem acreditava em Boavista na final da Taça Guanabara? O Vasco eliminado com antecedência. Fluminense, excesso de presunção. O Botafogo bateu três pênaltis, perdeu os três. A irrefutável realidade: o Boavista.

Helio Fernandes

Nos tempos do Distrito Federal e ainda da Guanabara, o Rio tinha clubes representativos de bairros e subúrbios. Existiam clubes importantes, não apenas os chamados “quatro grandes”.

O América, sediado na bela Rua Campos Salles (um dos piores presidentes do Brasil). O Bangu, cujo clube chegou a ser campeão, nos tempos gloriosos da fábrica de tecido dos irmãos Silveirinha (primos diretos do grande Mário Reis e filhos do Ministro da Fazenda de Washington Luiz).

Com a verticalização e a valorização da cidade, o terreno valia mais do que a fábrica, que fechou. Veio o domínio de Castor de Andrade, banqueiro de bicho, que manteve o clube como atração.

Madureira (também de banqueiro de bicho), que em 1939 lançava três jogadores para a seleção: Lelé-Isaías-Jair da Rosa Pinto. Olaria e Bonsucesso, da disputado Zona da Leopoldina. E São Cristováo, nobilíssimo, onde morava o Imperador e hoje tem 10 oficinas de carros por metro quadrado.

Todos os clubes desapareceram com história e tradição. Surgiram alguns patrocinados para completar os 16. Já que Vasco, Flamengo, Fluminense e Botafogo não podiam ficar jogando entre eles, como vinha acontecendo. Realidade que o Boavista quebrou por pelo menos uma semana.

Vasco, Botafogo e Fluminense disputam agora no cemitério São João Batista, de onde não têm, de forma alguma, uma boa vista. Este, representando por herança e avareza o dinheiro ganho sem esforço, quiseram viver dos dividendos também sem trabalhar. Afinal, é filho de agiota que já se fingiu de banqueiro. Mas digamos com isenção: modificou o futebol dito dos pequenos. E agora, quem ousa fazer previsão para domingo?

Com quatro derrotas seguidas, o Vasco colocou no jogo, Resende e Boavista. E deixou em situação difícil seu ídolo, o presidente Roberto Dinamite, que deve (ou pode, vá lá) perder a eleição para o candidato de Eurico Miranda.

Ficaram três clubes. Na véspera do jogo com o Boavista, numa entrevista na televisão, o treinador Muricy afirmou: “Não sou bom na televisão, mas dentro de campo sou ótimo”. Não é tanto quando pensa. Enfrentando um clube de pequenos recursos técnicos e financeiros, não se preocupou ou não percebeu nada, Perdeu o meio de campo logo no primeiro tempo, se o Boavista tivesse pelo menos um bom jogador na frente, teria ganho antes dos pênaltis.

Escalou mal os batedores de pênaltis ou não treinou muito bem os que iriam cumprir a obrigação, se fosse necessária. O goleiro do Fluminense não parava de repetir na televisão: “Pênalti é loteria”. Quanta besteira, Manuel Bandeira.

Ontem, tranquilo e descansado, o time inteiro do Boavista, mais seu presidente-sócio-proprietário, estavam vendo o jogo no Engenhão. Ficaram satisfeitos com o fato de enfrentarem o Flamengo. Tinham mais receio (nem falam em medo) do Botafogo.

O time de Joel Santana, que façanha: bateu três pênaltis, errou os três. E o repórter, torcendo para assistir a “cavadinha” do Loco Abreu, que decepção. O Loco ficou para o último a bater, o Botafogo saiu muito antes do último.

*** 

PS – Em suma: Flamengo e Boavista no domingo. O time de Ronaldinho Gaúcho será favorito? Se jogarem como estão jogando, sofrendo um gol no início, perdem a cabeça.

PS2 – Ronaldinho, aos 23 minutos do segundo tempo, perdeu um gol incrível. O narrador comentou: “Defesaça” do goleiro do Botafogo, que nem pegou na bola. “Erraço” de Ronaldinho. Que faltando 20 segundos, quase faz um gol de falta. Por enquanto tem ficado no quase.

PS3 – E domingo? Vou torcer pelo Boavista. Pode mudar a trajetória do futebol do Rio. E pode ganhar mesmo.

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