Quem ainda é o chefe

Carlos Chagas                                                       

Nos estertores da II Guerra Mundial, vencedor de El Alamein e comandante dos exércitos ingleses que invadiram a Alemanha, o marechal Bernard Montgomery respondeu aos jornalistas sobre a razão de seu sucesso: “É porque não bebo, não fumo e não jogo.” Winston Churchill, ainda primeiro-ministro, ficou com ciúme, chamou os repórteres e disse: “podem escrever que eu bebo, fumo, jogo e sou o chefe dele…”
                                                       
A historinha se conta a propósito das críticas que começam a germinar no PMDB contra  Michel Temer, acusado de não estar pressionando Dilma Rousseff como deveria, para assegurar os cargos que o partido tem no segundo escalão do governo. O vice-presidente pode estar trocando espaço por tempo, até engolindo sapos, mas, acima de tudo, continua sendo o chefe. Ruim com ele, em termos de nomeações, pior sem ele, caso lavasse as mãos e se omitisse na defesa do que o PMDB entende como suas prerrogativas.

Adianta muito pouco certos dirigentes alegarem o direito de co-participação e condomínio no governo, por conta do apoio dado a Dilma na campanha eleitoral. Ocupar cargos na administração federal depende da caneta da presidente da República, e ninguém melhor do que Temer para reduzir o prejuízo e aproveitar as brechas para ir indicando seus correligionários,  mesmo em número inferior ao governo Lula. Podem as bancadas, alguns governadores e até senadores peemedebistas alegar estarem sendo alijados das decisões de governo,  até com  certa razão, mas o chefe que hoje recua continua sendo o chefe. 
 
EXPORTADORES DE MATÉRIA PRIMA
 
Acautela-se a economia  com a queda do superávit na balança comercial. Ainda exportamos mais do que importamos, mas, continuando as coisas como vão, logo  o pêndulo se inverterá.  A sombra do déficit  anda  pairando sobre o país. Perigo maior, estamos cada vez mais exportando  matéria prima, do minério de ferro aos produtos agrícolas,  com menor valor agregado.

Nossa indústria é aconselhada a reciclar-se e  a competir com mais vigor, fazendo a sua parte. Só que o governo,  nos últimos  oito anos, não fez a dele. Pelo contrário, aumentou o percentual dos impostos,  sem falar na alta taxa de juros. Por isso está propondo ao Congresso um reajuste insuficiente do salário mínimo, quer dizer, a conta vai mesmo para o trabalhador.
 
CADA UM POR SI
 
Não há um só dos governadores, da situação ou da oposição, que não se encontre apreensivo com as contas a  pagar. Alguns, até, encontram-se em dificuldade para honrar as folhas de vencimento do respectivo funcionalismo, daqui a uma semana. No Nordeste  e no Norte parece pior, mas mesmo no Sudeste e no Sul, faltam recursos.

O remédio é apelar para o governo federal, como  muitos vem fazendo, ainda mais pressionados alguns pelos efeitos das catástrofes naturais.  Como resultado, ficou adiada a tal frente de governadores de que se falava no final do ano passado, sob a impressão de poderem, à margem de diferenças partidárias, dialogar   em uníssono com o palácio do Planalto. Agora é cada um por si…
 
DISPUTA ACIRRADA
 
Continua a confusão no ninho dos tucanos.  Quem manda, afinal? Os paulistas clássicos, de Fernando Henrique a José Serra, ou os “novos paulistas”, com Geraldo Alckmin à frente? Ou serão os mineiros, aliados aos pernambucanos, liderados por Aécio Neves? Uma ponta do tapete poderá ser levantada  no começo de fevereiro, quando da apresentação do programa de propaganda partidária gratuita  do PSDB.

Vamos ver quem ocupará os maiores espaços, havendo até  quem sustente a volta ao passado, com elogios e imagens dos oito anos de Fernando Henrique. Ou chegarão a Prudente de Moraes, Campos Salles e Rodrigues Alves?

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