“Quem é esse cara da estátua?”

Eduardo Coelho

“Quem é esse cara da estátua?” Essa pergunta pode ser feita por qualquer criança de 10 anos que passe em frente ao busto do Preguinho. Por todo trabalhador do Clube. Mãe ou pai de família. Ou algum visitante da sede do Fluminense. Ou seja, por toda pessoa que passe em frente ao busto localizado próximo ao ginásio esportivo do Fluminense, batizado com o nome do Preguinho.

Quem foi o Preguinho? Preguinho era o apelido de João Coelho Netto. Mas todo tricolor que se preze conhece minimamente a história do Preguinho. Para os que se prezam e não conhecem sua história – o que é uma grande falha -, sugerimos a leitura do excelente livro “Preguinho – Confissões de um Gigante” de Waldir Barbosa Jr. e colaboração de Waléria Barbosa.

Mas a questão que atormenta alguns tricolores é a constatação de que a placa – com texto alusivo ao Preguinho – foi retirada do busto já faz algum tempo. Cerca de alguns meses. E atualmente o busto do Preguinho está sem a placa. Em um momento em que se fala tanto em “mobilizar a torcida” e “o Flu precisará muito da união de todos os tricolores”, imagina-se que seja razoável a manutenção e preservação de um patrimônio histórico do futebol tricolor.

ATUAL GESTÃO

É possível se manter um nível de cooperação com a atual gestão tricolor – muito longe de significar adesão -, demonstrando problemas que devem ser equacionados. É necessário em algum momento, que exista diálogo e civilidade entre partes divergentes. A não solução, de determinadas situações no presente – que pode parecer exagerada para alguns -, potencializa problemas futuros.

Preguinho faleceu em 1º de outubro de 1979, aos 74 anos. Seu busto encontra-se na sede do Fluminense há mais de três décadas. E sendo reverenciado – com toda justiça – como um autêntico ícone da história tricolor. Preguinho, que foi o autor do primeiro gol da Seleção Brasileira em Copas do Mundo é um grande patrimônio da história do futebol tricolor.

Aproveitando que o Fluminense Football Club possui atualmente um “presidente oriundo das arquibancadas” dos estádios de futebol – como ele próprio se intitula -, sugerimos ao digníssimo prócer tricolor que “observe com carinho” o busto do Preguinho. Ou alguns de seus inúmeros colaboradores. A história do Fluminense agradecerá!

9 thoughts on ““Quem é esse cara da estátua?”

  1. Muito interessante e instrutivo….não deixe de apreciar….

    A origem da língua Italiana

    A Europa era uma confusão de inúmeros dialetos derivados do latim que aos poucos, ao longo dos séculos, se transformaram em alguns idiomas distintos – francês, português, espanhol, italiano.
    O que aconteceu na França, em Portugal e na Espanha foi uma evolução orgânica: o dialeto da cidade mais proeminente se tornou, aos poucos, a língua oficial da região toda.
    Portanto, o que hoje chamamos de francês é na verdade uma versão do parisiense medieval. O português é na verdade o lisboeta. O espanhol é essencialmente o madrilenho. Essas são vitórias capitalistas; a cidade mais forte acabou determinando o idioma do país inteiro.
    Na Itália foi diferente. Uma diferença importante foi que, durante muito tempo, a Itália sequer foi um país. Ela só se unificou bem tarde (1861) e, até então, era uma península de cidades-Estado em guerra entre si, dominadas por orgulhosos príncipes locais ou por outras potências europeias. Partes da Itália pertenciam à França, partes à Espanha, partes à Igreja, e partes a quem quer que conseguisse conquistar a fortaleza ou o palácio local.
    O povo italiano se mostrava alternativamente humilhado e conformado com toda essa dominação. A maioria não gostava muito de ser colonizada por seus co-cidadãos europeus, mas sempre havia aquele bando apático que dizia: “Franza o Spagna, purchè se magna” que, em dialeto,
    significa: “França ou Espanha, contanto que eu possa comer”.
    Toda essa divisão interna significa que a Itália nunca se unificou adequadamente, e o mesmo aconteceu com a língua italiana. Assim, não é de espantar que, durante séculos, os italianos tenham escrito e falado dialetos locais incompreensíveis para quem era de outra região.
    Um cientista florentino mal conseguia se comunicar com um poeta siciliano ou com um comerciante veneziano (exceto em latim, que não chegava a ser considerada a língua nacional).
    No século XVI, alguns intelectuais italianos se juntaram e decidiram que isso era um absurdo. A península italiana precisava de um idioma italiano, pelo menos na forma escrita, que fosse comum a todos. Então esse grupo de intelectuais fez uma coisa inédita na história da Europa; escolheu a dedo o mais bonito dos dialetos locais e o batizou de italiano.
    Para encontrar o dialeto mais bonito, eles precisaram recuar duzentos anos, até a Florença do século XIV. O que esse grupo decidiu que a partir dali seria considerada a língua italiana correta foi a linguagem pessoal do grande poeta florentino Dante Alighieri.
    Ao publicar sua “Divina Comédia”, em 1321, descrevendo em detalhes uma jornada visionária pelo Inferno, Purgatório e Paraíso, Dante havia chocado o mundo letrado ao não escrever em latim. Considerava o latim um idioma corrupto, elitista, e achava que o seu uso na prosa respeitável havia “prostituído a literatura”, transformando a narrativa universal em algo que só podia ser comprado com dinheiro, por meio dos privilégios de uma educação aristocrática. Em vez disso, Dante foi buscar nas ruas o verdadeiro idioma florentino falado pelos moradores da cidade (o que incluía ilustres contemporâneos seus, como Boccaccio e Petrarca), e usou esse idioma para contar sua história.
    Ele escreveu sua obra-prima no que chamava de dolce stil nuovo, o “doce estilo novo” do vernáculo, e moldou esse vernáculo ao mesmo tempo que escrevia, atribuindo-lhe uma personalidade de uma forma tão pessoal quanto Shakespeare um dia faria com o inglês elizabetano.
    O fato de um grupo de intelectuais nacionalistas se reunir muito mais tarde e decidir que o italiano de Dante seria, a partir dali, a língua oficial da Itália seria mais ou menos como se um grupo de acadêmicos de Oxford houvesse se reunido um dia no século XIX e decidido que – daquele ponto em diante – todo mundo na Inglaterra iria falar o puro idioma de Shakespeare. E a manobra realmente funcionou.
    O italiano que falamos hoje, portanto, não é o romano ou o veneziano (embora essas cidades fossem poderosas do ponto de vista militar e comercial), e sequer é inteiramente florentino. O idioma é fundamentalmente dantesco.
    Nenhum outro idioma europeu tem uma linhagem tão artística. E, talvez, nenhum outro idioma jamais tenha sido tão perfeitamente ordenado para expressar os sentimentos humanos quanto esse italiano florentino do século XIV, embelezado por um dos maiores poetas da civilização ocidental.
    Dante escreveu sua “Divina Comédia” em terza rima, terça rima, uma cadeia de versos em que cada rima se repete três vezes a cada cinco linhas, o que dá a esse belo vernáculo florentino o que os estudiosos chamam de “ritmo em cascata” – ritmo esse que sobrevive até hoje no falar cadenciado e poético dos taxistas, açougueiros e funcionários públicos italianos.
    A última linha da “Divina Comédia”, em que Dante se depara com a visão de Deus em pessoa, é um sentimento que ainda pode ser facilmente compreendido por qualquer um que conheça o chamado italiano moderno.
    Dante escreve que Deus não é apenas uma imagem ofuscante de luz gloriosa, mas que Ele é, acima de tudo, l’amor che move Il sole e l’altre stelle… “O amor que move o sol e as outras estrelas…”

    • Salve, Renato Lima,
      Tribuna da Internet também é cultura!
      Parabéns por esta aula de história. Muito interessante, esclarecedora e oportuna.
      Agradeço, da minha parte, pela matéria publicada e apreciada.
      Um abraço, Renato.

  2. Salve Antônio Rocha !

    Para quem gosta de museus e obras de arte.

    Google lança Street View para museus

    Mais de 17 museus famosos estão disponíveis para “visitação” no serviço de navegação do Google

    As galerias foram fotografadas em 360º e as fotos podem ser vizualizadas em detalhes microscópico

    São Paulo – O Google apresentou nesta terça-feira (1º) o Art Project, ferramenta que permite ao usuário visitar 17 dos mais famosos museus do mundo e analisar as obras de arte disponíveis pela internet.
    Similar ao Street View, o serviço de navegação usa fotos panorâmicas que simulam a perspectiva de uma pessoa que estaria vendo as obras de arte no local.

    Entre os museus fotografados para o tour virtual, estão o MOMA e o The Metropolitan Museum of Art, em Nova York, o Palácio de Versalhes, na França, o Museu Van Gogh, em Armsterdã, e a Galeria Nacional, em Londres.

    Segundo anúncio no blog oficial do Google, mais de mil obras estão disponíveis em resolução “super alta” (de 7 bilhões de pixels, mil vezes maior do que a de uma câmera fotográfica comum), o que permite a visão microscópica para aqueles que querem analisar as pinceladas de determinado quadro. As imagens foram obtidas por pequenos carros que fotografaram as galerias dos museus em 360º.

    As obras, listadas no topo da página, também podem ser catalogadas em galerias personalizadas pelo usuário, comentadas e compartilhadas. O Google ainda disponibiliza informações detalhadas sobre as peças e seus autores, além de vídeos do Youtube relacionados.

    http://www.googleartproject.com/

  3. CN, quando li o livro “Comer, rezar e amar”, o comer foi na Italia. Nesta parte do livro, a autora, Elizabeth Gilbert, comenta sobre a origem da língua italina. Fiquei curioso, pesquisei na web, achei este texto, copiei e arquivei. Quando copiei o texto não havia referência alguma sobre o autor. Hoje, mexendo nos meus arquivos antigos, reli o texto, resolvi disponivilizá-lo para os amigos da Tribuna.

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