Quem está mais certo, Datafolha ou Sensus?

Pedro do Coutto

Através da Internet, o Instituto Sensus divulgou nova pesquisa sobre as intenções de voto para presidente da República cujos resultados divergem frontalmente dos números assinalados pelo mais recente levantamento do Datafolha. É verdade, e isso deve ser levado em conta, que há uma diferença de quinze dias entre uma pesquisa e outra. As pesquisas que provavelmente estão sendo fechadas pelo Ibope, pelo Vox Populi e pelo próprio Datafolha, ao serem divulgadas, vão indicar qual a tendência predominante e, no caso do Sensus, se ele está mais perto ou não da realidade pré eleitoral do que a empresa da Folha de São Paulo.

O Datafolha apontou 37 pontos para Serra, 28 para Dilma. Serra teria assim avançado quatro degraus e Dilma permanecido estacionada. Diferença de 9%. O Sensus buscou seus números em dois cenários: um incluindo a candidatura Ciro Gomes, outro sem ele. Na primeira formulação, encontrou um empate praticamente. José Serra atingiu 32,7 contra  32,4 de Dilma. Ciro apareceu com 10, Marina Silva com 8. Na segunda, retirando o nome do ex governador do Ceará, Serra vai para 36,8, Dilma alcança 34% e Marina cresce de 8 para 10. Assim, aliás de acordo com uma das alternativas estratégicas de Lula, a presença de Ciro no pleito, mesmo com o tempo mínimo que cabe ao PSB no horário político da televisão, acrescenta em favor da ex chefe da Casa Civil.

Ciro, claro, pelo que ele próprio tem afirmado, ajusta-se com Lula e elogia seu governo. Portanto, coloca-se frontalmente contra José Serra. Nesta altura dos acontecimentos, inclusive, Ciro só poderá concorrer à presidência. Todos os outros caminhos foram fechados para ele pelo PT de São Paulo, para onde se transferiu. Disputando a presidência soma para Lula diretamente, e para Dilma indiretamente. Se não for candidato a presidente, o outro único roteiro é disputar uma cadeira de deputado na Câmara Federal. Muito pouco para quem chegou a transferir seu domicílio eleitoral. Onde, afinal, ele mora realmente? Na cidade de São Paulo, em Fortaleza ou em Brasília?

Mudando de tema, as próximas pesquisas serão importantes pois vão ser as primeiras depois do lançamento oficial de Serra. Este lançamento, na forma com que se realizou, pode produzir dois efeitos: uma progressão de Serra, mas também a criação de um clima de expectativa quanto a possibilidade de Aécio Neves aceitar disputar a vice na chapa tucana.  Tal perspectiva, caso o desejo manifestado não se efetive, pode terminar criando uma atmosfera de frustração, sobretudo na medida em que ficou nítida e ressaltada a dependência de Serra da atuação e do rumo do ex governador de Minas.

Por falar no estado onde nasceram Juscelino e Tancredo, dificilmente o PT de Fernando Pimentel e Patrus Ananias, dois candidatos fortes, vai se compor ao lado da candidatura de Helio Costa, do PMDB, ao governo estadual. Assim, nos campos mineiros vai se estabelecer a primeira ruptura de uma coligação nacionalmente forte, mas estadualmente marcada por vários obstáculos. Prinmcipalmente porque não é da história do PT acrescentar votos a qualquer outra legenda. Ao longo de seus trinta anos, só recebeu apoios. Não devolveu nenhum. Nem em Tancredo Neves aceitou votar nas indiretas de janeiro de 85. Ao contrário. Expulsou os deputados Airton Soares, Beth Mendes e José Eudes, que votaram a favor de Tancredo. Aliança com o PT apoiando alguém é difícil. Como, na mesma linha de Minas, está acontecendo no Rio de Janeiro.

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