Quem lhes deu o direito?

Carlos Chagas 
                                                                 
De vez em quando é bom olhar para fora. À margem da lambança executada para matar Bin Laden,  cruel e inexplicável parece o bombardeio da Líbia, prestes a completar um mês, por forças ditas de uma  coalizão internacional onde pontificam, mesmo, os Estados Unidos. Quem deu a eles o direito de matar a população instalada em Trípoli e arredores, quando o pretexto seria ajudar as forças rebeldes lá do outro lado do país,  em Bengazi? Não escondem a intenção de implodir  Muahmar Kadaffi e seus palácios, apesar  de atingirem mesmo a sua família? Já sacrificaram um filho e netos do ditador e continuam tentando desconstruir um governo que até pouco cortejavam e dele auferiam lucros.
                                                            
Os grupos que se insurgem contra Kadaffi são os que, por coincidência, assentam-se nas regiões  mais ricas de petróleo, cuja produção não foi interrompida, abastecendo precisamente países da coalizão, com a Itália  puxando a fila. Se é  para depor regimes ditatoriais, em nome da democracia, faz tempo que deveriam estar jogando bombas e mísseis na Arábia Saudita e em quantos outros países do planeta? Parece que em Bonga-Bonga e Songa-Monga também há ditaduras.  Inatacáveis, mesmo,  são os  aliados que  fornecem petróleo.
                                                           
Da mesma forma que a defunta Liga das Nações, no seu tempo, as Nações Unidas mostram-se impotentes para conter as agressões. Antes foi com Mussolini, agora é com Obama, com todo o respeito à sua ascensão ao poder, diversa do Duce. Mas o efeito da ação da comunidade internacional  é o mesmo, ou seja, zero.
                                                       
Não demora muito a destruição da Líbia, e a gente pergunta o que virá depois.   
 
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MEA CULPA 
                                                      
Um dos postulados fundamentais do jornalismo é reconhecer o erro, quando erramos, tornando público o reconhecimento,  através de  retificação.
                                                       
Escrevemos, outro dia, a  respeito da pálida performance dos atuais dirigentes  dos maiores partidos,  que o senador Waldir Raupp, de Rondônia,  presidente nacional do PMDB, não havia reunido uma só vez a executiva nacional, desde que assumiu em janeiro deste ano.
                                                       
Não é verdade. Seis reuniões já  aconteceram desde então para tratar de assuntos de interesse do partido, uma com relação  às eleições municipais de 2012, quando ficou estabelecido que só terão candidaturas liberadas os candidatos que frequentarem o Curso de Formação Política ministrado pela Fundação Ulisses Guimarães. Esse curso, abrangendo também o tema da gestão pública, é  ministrado nos diversos estados, sendo que o senador Raupp já visitou os diretórios regionais do Rio Grande do  Norte,   Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Rio Grande do  Sul e Minas Gerais. Estará em Curitiba no fim de semana, para participar da abertura dos trabalhos e discutir  novas filiações.
                                                       
Entre os projetos apresentados pelo senador está o que procura fazer cessar o desmatamento na Amazônia Legal, prevendo a concessão de incentivos na gestão sustentável das florestas. Suas atividades envolvem 513 pronunciamentos da  tribuna do Senado e 133 projetos de lei. 
                                                       
Fica aqui o registro, paralelamente ao reconhecimento do erro e as devidas  desculpas. 
 
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SEMANA ESMAECIDA
                                                       
Com o presidente da Câmara, Marco Maia, na Coréia, o presidente do Senado, José Sarney, no Paraguai, e o vice-presidente da República, Michel Temer, na Rússia, cada um acompanhado de deputados e senadores, inclusive líderes partidários, destina-se esta semana parlamentar à prática de enxugar gelo e ensacar fumaça. Salvo inusitado, nada se discutirá ou decidirá  de importante, a começar pela votação do Código Florestal.
                                                       
Poderão  as atenções estar voltadas para o Supremo Tribunal Federal, se os quatro ministros que voaram semana passada para os Estados Unidos  já tiverem retornado. A situação jurídica do italiano Batistti está em pauta, mas quanto ao julgamento dos mensaleiros que eram 40 e agora são 39, não há sinal de nada.
                                                       
Resta saber quem a presidente Dilma Rousseff  receberá, recuperada  da pneumonia de que dias atrás foi  acometida.

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