Quem manda é ela mesmo

Carlos Chagas

Dos 190.732.694 brasileiros registrados no último censo nacional, apenas quatro não se surpreenderam quando  Dilma Rousseff mandou anunciar o nome de  Gleisi Hofmann para a chefia da Casa Civil: a presidente, que fez a escolha e o convite, a senadora, que aceitou, o marido dela, ministro Paulo Bernardo, e o ex-presidente Lula.  Para o resto da população, foi uma surpresa. Os ministros do governo, inclusive os palacianos, os líderes parlamentares, os meios de comunicação e a torcida do Flamengo nem desconfiavam. O próprio vice-presidente Michel Temer soube por um telefonema de Dilma, menos de uma hora antes do anúncio. Quem disser que sabia, fora dos referidos acima, pode ser preso como mentiroso. Mesmo os montes de deputados e senadores  que manifestaram naturalidade candidatam-se a uma vaga no sanatório, porque só não caíram estatelados  por já estarem sentados. 

Ficou caracterizado o estilo da presidente e   evidenciada uma realidade da qual muita gente já duvidava: quem manda é ela mesmo. Deu a volta por cima nas suposições de que governava em condomínio com o Lula, com Antônio Palocci e outros. 

Agora, saber se a surpreendente nomeação vai dar certo é outra história. A senadora declarou que suas funções serão técnicas, de  coordenar a administração. A política ficará com o ministro respectivo, ao que parece outro que não o atual, Luis Sérgio.

A crise que envolveu Antônio Palocci  poderia ter sido decidida logo que eclodiu, com o seu afastamento imediato. Dilma demorou, dando tempo ao então chefe da Casa Civil para recuperar-se. Como não conseguiu, recebeu a última sugestão, de vir a público em entrevistas onde não deveria esconder nada. Escondeu. Por isso ficou pendurado no pincel, sem escada, ainda que lhe fosse dada a chance de pedir demissão, por carta. 

Tanto o PT quanto o PMDB e demais partidos da base oficial andam de  crista baixa. Terá arrefecido, neles, o furor para enquadrar e submeter a presidente a seus interesses. Nenhum partido foi consultado para a nomeação de Gleisi Hoffmann, muito menos os companheiros.

ALERTA PARA TODOS

Acendeu a luz amarela nos semáforos da Esplanada dos Ministérios.  Se o mais poderoso dos  ministros não  foi poupado quando meras suspeitas pesaram sobre o aumento de seu patrimônio, melhor para os demais que se cuidem. Atividades privadas, mesmo anteriores às respectivas nomeações, começam a passar pelo crivo dos meios de comunicação.  Pior ficará se algum ministro for flagrado em atividades pouco claras praticadas  depois que virou ministro. Tem gente botando cartões corporativos no fundo da gaveta.

Outros decidiram não receber a sós lobistas, empresários e até parlamentares. Chamam auxiliares para  testemunhar quaisquer conversas e não marcam encontros em restaurantes de luxo. Muito menos frequentam as belas mansões sustentadas por empresas que tem contratos com o governo. Todo cuidado é pouco, a partir de agora.   �

 VAI DAR PREJUÍZO

Informou o já ex-ministro Antônio Palocci que se dedicará a dois objetivos: emagrecer e cuidar dos negócios de sua empresa de consultoria. Parece mais fácil perder alguns quilos, se mantiver a boca fechada, porque os clientes, agora,  vão minguar. Quem se interessará pelos conselhos de alguém catapultado do governo? Grandes empreiteiras,  bancos monumentais e sucedâneos não terão mais motivo para gastar  milhões com uma empresa cujo proprietário  acaba de perder a chave do cofre.

DECISÃO INUSITADA

Tome-se uma situação corriqueira:  a polícia chega bem na hora em que o ladrão assalta uma casa, precisando os policiais arrombar a janela para entrar e prender o bandido. Levado para a delegacia, seu advogado alega a impossibilidade da prisão porque os policiais, afinal, violaram a lei ao depredar propriedade particular. 

Pois é. Com todo o respeito, não dá para entender como o Supremo Tribunal Federal anulou toda a  “Operação Satiagraha”, destinada a prender ladrões de colarinho branco flagrados em olímpicos  ilícitos, só porque agentes da Abin juntaram-se à Polícia Federal durante as investigações. 

Trata-se de um caso típico de inversão de valores, favorecendo bandidos que agora festejam a impossibilidade de responder por seus crimes.

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