Quem manda é ela

Carlos Chagas
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Está para ser divulgada esta semana a primeira pesquisa ampla e sistematizada a respeito do governo Dilma Rousseff. Surpresa, propriamente, não haverá,  até porque a opinião publicada, expressa nos editoriais dos jornalões, acopla-se à opinião pública detectada nas diversas categorias sociais e regiões do país.  Ignoram-se os percentuais mas a aprovação nacional dos primeiros dois meses parece inconteste.
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Alguns céticos já concluem estar alguma coisa errada quando se registra a unanimidade, ou quase. Preferem ficar com Nelson Rodrigues, para quem toda unanimidade era burra.
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Não há como deixar de anotar, porém, que a presidente tem o apoio da sociedade, mesmo obrigada a cortar gastos públicos e a conceder ínfimo reajuste ao salário mínimo. Seu estilo de gerentona, bem diferente dos oito anos do Lula, parece estar agradando as elites sem desagradar as massas. Claro que ela surfa no sucesso do antecessor e faz diligentemente o dever de casa.

Ao primeiro sinal de catástrofe, mandou-se para a serra fluminense, assim como puxou as orelhas de alguns ministros, preservando-se ao mesmo tempo da exposição explícita a que se dedicava seu mestre. Desenvolve  outro tipo de comportamento, mais rígido e menos ostensivo.

Prefere, vale repetir, a postura austera da madre superiora do convento, ainda que se esforce por apresentar-se amena e sorridente nas audiências que concede e nas viagens que empreende.   Mas enfrentou com dureza as tentativas de envolvimento e as exigências de políticos ávidos de auferir benesses,  tanto quanto enquadrou as lideranças sindicais empenhadas em obter vantagens até justas para seus liderados.
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Em suma, é muito cedo para conclusões, mesmo preliminares, mas uma característica emerge dessas semanas iniciais do novo governo: quem manda é ela, sem qualquer dúvida, evidência que agrada a população.  Com a ressalva de que não é tempo para celebrações,  muito  pelo  contrário.

OBAMA E O PRÉ-SAL�

Segredo não é o fato de que tanto os Estados Unidos quanto a China vem carreando há  meses dezenas de milhões de dólares para os  cofres da Petrobrás, com base no compromisso de receberem como pagamento  vastas parcelas do petróleo ainda escondido nas profundezas do litoral brasileiro. São contratos a prazo futuro, que  não nos farão perder a soberania dessa  imensa riqueza posta à nossa disposição pela natureza.
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O problema é que extrair petróleo nas camadas inferiores custa muito  caro. A Petrobrás dispõe da tecnologia necessária para a operação mas anos ainda vão decorrer até que ela se torne rentável.
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Nessa hora é que a presença de Barack Obama no Brasil se torna mais do que oportuna. Ele vem disposto a estimular grande aumento da produção de etanol para exportação  ao seu país,  mas poderá sensibilizar-se para uma parceria ainda  maior na exploração do petróleo do pré-sal. Por certo que exigirá compensações, e muitas. Por coincidência, está prevista para abril a ida da presidente Dilma Rousseff à  China. Dá para entender…

A VACA 

Faz muito  a expressão “nem que a vaca tussa” vem sendo    utilizada para definir propostas irrealizáveis.  Há no Congresso, porém, quem se anime a anunciar que a vaca está próxima desse milagre da natureza, no caso da reforma política. Reúnem-se esta semana as comissões especiais da Câmara e do Senado designadas para elaborar sugestões  a respeito.  Começarão por uma espécie de consolidação dos mais de 50 projetos já apresentados nas duas casas, hoje dormindo nas gavetas de comissões técnicas variadas. 

As tendências entre deputados e senadores são  conflitantes, os objetivos de PT e PMDB batem de frente e fica difícil imaginar o consenso, mas sendo o Brasil o país das impossibilidades possíveis, como dizia Gilberto Freire, quem sabe a vaca nos fará alguma surpresa?

TUCANOS EM REVOADA

São mínimas as possibilidades de os tucanos se acomodarem no ninho.  Estão e continuarão em revoada sem rumo por motivo com data marcada: outubro de 2014, quando da próxima sucessão presidencial.  José Serra, candidatando-se ou não ao trampolim que seria a prefeitura de São Paulo, Geraldo Alckmin e Aécio Neves são pretendentes irremovíveis a subir a rampa do palácio do Planalto, tanto faz se tiverem de  enfrentar Dilma ou o Lula.
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O governador de São Paulo  dispõe de estrutura sólida, além da alternativa de poder concorrer outra vez ao cargo  que exerce.  O ex-governador de Minas  estará no  meio de seu mandato de senador e o candidato derrotado no último  outubro pode argumentar com o raciocínio de que o Lula  perdeu três disputas, ganhando na quarta e na quinta, ao tempo  em que  ele só perdeu duas.
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No PSDB, há quem sustente a necessidade da antecipação da escolha do  candidato, claro que não este ano, mas no próximo, de modo a reordenar suas esquadrilhas destroçadas num único plano de vôo.

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