Quem pensa que Lula continuará mandando, como se fosse um Rasputin de Garanhuns, está muito enganado. Dilma Roussef vai tomar as rédeas do governo (e com um chicote na mão)

 Carlos Newton

Neste primeiro domingo do ano, a presidente Dilma Rousseff tem oportunidade de pela primeira vez realmente raciocinar como chefe do governo desta grande nação – a quinta maior em extensão territorial e a sexta em número de habitantes, um país verdadeiramente gigantesco, que está entre as dez maiores economias do mundo.

“E agora, José”? Dilma fará como José Sarney, trêmulo e desnorteado, ao assumir a vaga de Tancredo Neves, pensando no poema de Drummond e sem saber o que fazer?  Claro que não. Dilma Rousseff é diferente, não parece nada com Sarney e teve muito tempo para se preparar.

Quem a conhece e já esteve com ela em reunião de trabalho, fora da campanha eleitoral, sabe que a nova presidente tem um temperamento forte e sabe administrar. Na segunda metade do governo Lula, Dilma Rousseff agia como se estivesse no cargo de primeiro-ministro, enquanto o presidente exercia uma função representativa, viajando para lá e para cá, como nunca antes na História deste País.

Muita gente pensa que Lula se tornará uma eminência parda, ficará comandando o governo nos bastidores, como uma espécie de Rasputin no Planalto (ou uma versão de Garotinho no governo da mulher Rosinha). Isso não vai acontecer. Dilma não é Rosinha Matheus.

Como ninguém sabe o que realmente se passa na cabeça de Lula, pode ser que ele até acalente a ilusão de continuar mandando no governo. Mas isso não ocorrerá. Amanhã, assim que sentar naquela cadeira, no Palácio do Planalto, Dilma Rousseff vai assumir plenamente as rédeas do governo, e de vez em quando, podem ter certeza, estará com um chicote nas mãos.

Temperamento à parte, na verdade Dilma Rousseff é uma incógnita na Presidência e vai surpreender, positiva ou negativamente. Com a experiência que acumulou nos últimos oito anos, pode se sair muito bem, especialmente se fizer uma limpeza no ministério, afastando determinadas figuras que precisou aceitar, para não entrar em choque com Lula antes da hora.

Antonio Palocci (Casa Civil), pelos antecedentes em Ribeirão Preto e Brasília; Afonso Florence (Desenvolvimento Agrário), pelas estripulias financeiras como secretário de Desenvolvimento Urbano do governo de Jaques Wagner, na Bahia; Pedro Novais (Turismo), pelo uso de recursos públicos em festa num motel; e Edison Lobão (Minas e Energia), pelo conjunto da obra. Pelo menos, esses ministros deveriam ser defenestrados, para não atrapalhar o bom andamento dos serviços e também para não contaminar (palavra da moda) os demais. Aí, ficará mais fácil governar.

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