Quem perde é o Brasil

Charge do Jota A., reprodução do Portal O Dia

Carlos Chagas

O PMDB saiu do governo ou o governo saiu do PMDB? A resposta envolve o futuro próximo, apesar de a presidente Dilma esforçar-se durante todo o dia de ontem tentando manter o maior número possível de deputados  para permanecer em sua base parlamentar. Como foi contundente a retirada  do maior partido nacional,  mesmo não completada, a dúvida fica no ar: saindo, os peemedebistas estão confirmando o impeachment ou preservando o mandato de Madame?

Em qualquer das hipóteses o resultado será desastroso para as duas partes. Fora do governo, mas obrigado a curvar-se a ele, situado na oposição, o PMDB perderá as vantagens subsidiárias do poder e adiará para depois de 2018 a possibilidade de empalmá-lo por completo. No reverso da medalha, sendo Dilma posta para fora através de perda da disputa parlamentar, o ex-presidente Lula e o PT recomeçarão tudo outra vez,  na oposição.

Vantagens, mesmo, colherá o PSDB, como linha auxiliar do  governo Michel Temer, este sem compromisso com os tucanos para 2018. Aproveitará uma parcela do poder até aquelas eleições e possivelmente sua integralidade, depois.

Os demais partidos e grupos se arranjarão, permanecendo onde estão, exceção do PT, lançado de novo abismo onde sempre se deu bem, a oposição. Assim, em termos atuais, quem perde mesmo é o Brasil. A presidente Dilma, que mesmo por hipótese vitoriosa na batalha do impeachment, nada terá senão ruínas a oferecer à população. O PMDB, se não conseguir afastar Madame,  afundará com Michel Temer. Mas conseguindo sobreviver com a reeleição, nem de longe preservará o PMDB no comando da nação. Poderão voar mais alto os tucanos. Ou as surpresas.

Aliás, política costuma ser a arte das surpresas. Ninguém garante que Dilma, evitando o impeachment, elegerá o Lula na sua sucessão. Ou que Michel Temer, eleito presidente-tampão, não consiga reeleger-se. Entre Aécio Neves e Geraldo Alckimin, por que não José Serra? Ciro Gomes correndo por fora, disputando com Marina Silva? Ronaldo Caiado ou Jair Bolsonaro? O fato é que a sorte de qualquer uma dessas opções repousa nos próximos  episódios ligados ao impeachment.

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