Quem pratica vilania é vilão

Carlos Chagas

Conforme o Aurélio, vilão  pode ser o habitante de  uma vila ou alguém desprezível e miserável.  Poucas dúvidas existem a respeito do duplo sentido, em se tratando da utilização do termo “vilania” por  Dilma Rousseff, ao alimentar a trapalhada que ela mesma criou ao afirmar que não fugiu da luta contra a ditadura.

O problema é que de José Serra a Marina Silva, de Sérgio Guerra e Artur Virgílio e a montes de líderes tucanos e não tucanos, indignaram-se todos supondo estar a candidata ofendendo e menosprezando quantos tomaram o rumo do exílio, no regime militar.

Pois não é que essa interpretação acaba de ser taxada de vilania por Dilma, ou seja, os intérpretes são vilões?

Com todo o respeito, deve a candidata conter-se. Ou ser contida por seus assessores. Porque a primeira lambança já parecia esquecida quando ela reacendeu a tertúlia, dando margem a tréplicas e a  novos desdobramentos. Melhor faria a guerrilheira heróica em anunciar seu plano de governo e as soluções de que dispõe para desatar mil nós na conjuntura nacional.

Alencar não assinaria

O presidente Lula chegou de Washington na madrugada de ontem, meio triste por haver Barack Obama rejeitado sua sugestão de mais diálogo com o Irã, em vez da aprovação de sanções contra aquele país. Mesmo assim, o primeiro-companheiro assinou o tratado exigido pelo presidente dos Estados Unidos como forma de pressão sobre o regime dos aiatolás. Numa palavra: curvou-se à imposição da superpotência, coisa que a China não fez.

Estivesse José Alencar representando o Brasil na referida conferência e nossa posição teria sido diferente. Porque o vice-presidente, não faz muito, declarou-se pelo direito de todos os países prosseguirem em suas pesquisas  nucleares, até para construir bombas atômicas. “Se eles podem, nós também podemos”, repetiu com uma simplicidade angelical, acentuando que para começo de conversa as potências nucleares deveriam destruir seus arsenais, credenciando-se assim para impedir  outros de começarem onde eles terminaram.

A ida do presidente Lula à reunião internacional não representou, propriamente, uma vitória de nossa diplomacia. Muito pelo contrário…

Melhor parar

Já não repercutem, muito menos influenciam, as pesquisas divulgadas em cascata sobre a sucessão presidencial. A maioria dos leitores, ouvintes  e telespectadores deve dar de ombros ao tomar conhecimento dos resultados de sucessivas consultas populares. Primeiro porque os números tem variado pouco, entre Serra e Dilma. Depois,  por conta da última pesquisa, da Sensus, com patrocinadores contestados. Os tucanos reagiram ao empate técnico entre o seu candidato e a candidata do PT. Alegaram que o sindicato afinal apontado como tendo financiado a consulta integra a campanha de Dilma. Como o freguês tem sempre razão, o instituto não iria decepcioná-lo.

Com as exceções de sempre, destacando-se a Datafolha, entre elas, a verdade é que pesquisas constituem um negócio comercial, como muitos outros. Quem encomenda é quem paga. E quem paga não pode decepcionar-se. Os executores estão de olho na  preservação do cliente,  explicando-se por aí os resultados. Apenas na reta final da eleição os institutos começarão a compatibilizar  números com  realidade, e ainda assim com vistas às próximas eleições…

Perto do racha

Não parece tranquila a situação no PMDB. Sua direção nacional continua aferrada à candidatura Dilma Rousseff, mas nas bases aumenta a fissura. Afinal, o PT não dá sinais de acomodar-se à  aliança com o PMDB, nas eleições para governador. Os companheiros não abrem mão de indicar candidato próprio, mesmo nos estados onde se encontram enfraquecidos. Exigir a contrapartida do apoio irrestrito à candidata vai gerando cada vez mais reações e até indignações. Líderes regionais ameaçam bandear-se para José Serra, alguns até já se tendo definido, como em São Paulo.

O próprio presidente do partido, Michel Temer, mostra-se arredio, menos por não ter certeza de que encerrará sua carreira concorrendo à vice-presidência na chapa oficial, mais porque sofre crescentes contestações  em sua política de apaziguamento. Logo o PMDB poderá defrontar-se com mais um racha, daqueles a que se acostumou desde sua fundação…

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