Quem presidia o Senado, em 1981, era o Coronel Passarinho. Quem diz é o bravo advogado José Carlos Werneck.

Helio Fernandes

Obrigado, Werneck, tinha que ser um homem com o perfil dele. Logo no 1º de abril de 1964, assaltou o palácio no Pará, “se fez governador”. Na primeira “eleição”, foi senador, não parou mais. Ministro muitas vezes e além do mais usando a “menas verdade”, dizendo em entrevista à  TV Senado: “Insistiram muito, não quis ser presidente”.

O Exercito jamais aceitaria um coronel como presidente, mesmo com aspas. Só para confirmar: antes do golpe, estabeleceram as seguintes condições para alguém chegar a presidente. 1 – Ser general de 4 estrelas. 2 – Da ativa. 3 – Não reivindicar nem aceitar reeleição.

Lógico, Passarinho não tinha nenhuma dessas condições, mas exibia total falta de caráter.

No dia 13 de dezembro de 1968, todos os ministros assinaram o amaldiçoado AI-5, em silêncio, Passarinho, para se exibir, exclamou: “Às favas os escrúpulos”, nem sabia o que era isso. Está na ata da sessão histórica.

Durante o período Castelo Branco, não parei de escrever sobre ele, dura e francamente. Quando houve o choque do seu avião com um outro (que não foi investigado, achavam que foi premeditado e planejado), escrevi o último artigo sobre ele. Se eu não tivesse escrito antes, não poderia escrever depois. Essa é a ordem natural das coisas.

Aí, alguns como os que se escondem atrás de pseudônimos, queriam se vingar de mim. Não sabiam o que fazer, o carreirista e sem escrúpulos Passarinho “sugeriu” me mandar para Fernando de Noronha. Me mandaram.

*** 

PS – Quando voltei, pediu a um grande amigo do repórter que me desse o seguinte recado: “Sugeri Fernando de Noronha, sabia que o Exército pretendia matá-lo”.

PS2 – Covarde sempre: a ideia de Fernando de Noronha foi dele. Depois, para se livrar, transferiu toda a responsabilidade para o Exército.

PS3 – Deve ter dado o meu depoimento, em mãos, ao futuro “presidente”, general Otavio Medeiros.

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