Quem tem muito dinheiro é que mais rouba, dizia poeticamente Gregório de Mattos

O todo sem a parte não é todo; A parte... Gregório de MatosPaulo Peres
Poemas & Canções

O advogado e poeta baiano Gregório de Mattos Guerra (1636-1695), alcunhado de “Boca do Inferno” ou “Boca de Brasa”, é considerado o maior poeta barroco do Brasil e o mais importante poeta satírico da literatura em língua portuguesa, no período colonial. Há mais de 400 anos, Gregório já dizia que neste mundo quem tem muito dinheiro é o que mais rouba e quem pode comprar tudo.

AS COUSAS DO MUNDO
Gregório de Mattos

Neste mundo é mais rico o que mais rapa:
Quem mais limpo se faz, tem mais carepa;
Com sua língua, ao nobre o vil decepa:
O velhaco maior sempre tem capa.

Mostra o patife da nobreza o mapa:
Quem tem mão de agarrar, ligeiro trepa;
Quem menos falar pode, mais increpa:
Quem dinheiro tiver, pode ser Papa.

A flor baixa se inculca por tulipa;
Bengala hoje na mão, ontem garlopa,
Mais isento se mostra o que mais chupa.

Para a tropa do trapo vazo a tripa
E mais não digo, porque a Musa topa
Em apa, epa, ipa, opa, upa.

7 thoughts on “Quem tem muito dinheiro é que mais rouba, dizia poeticamente Gregório de Mattos

  1. Um sonho irrealizável:

    Ah se os bolsonaristas fossem honestos,
    E vivessem de trabalho e menos de protestos;
    Ah se nossos políticos fossem decentes
    E educados para servir bem nossa gente;
    Ah se nossa justiça existisse de fato,
    E fosse o povo esperto ou menos pato.
    Ah, se em nossa terra não houvesse tantas mazelas,
    Até deixaria a bela Paris e voltaria pra ela!

  2. Estrofes TI = Terapia Informal

    Antonio Carlos Rocha

    Desatento
    Caí na escada
    Levei um tombo
    Fraturei um ombro
    E o outro
    Deslocou-se
    Soltou-se

    Como que
    Querendo ir
    Embora

    Mas o Mestre Buda
    Me falou
    Não está na sua hora
    Assim, agora

    Em plena
    Quarentena
    Sinto dores
    Como se estivesse
    Na geena
    Uma pena !

  3. Luiz Fernando, concordo plenamente com a atualidade, dentre outros versos, quando registra … “O velhaco maior sempre tem capa.”

    Penso que foi uma previsão que se confirmou; e observe que naquela época ainda não existia Brasília nem o STF.

    O texto integral pode ser sintetizado no velho ditado português:

    “Quem não furta, quem não herda, acaba sempre na … rima!”

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