Quércia enriqueceu ilicitamente, desviando recursos públicos, mas sua morte é saudada como se ele fosse uma grande figura. Será milagre de Natal?

Carlos Newton

Os necrológios de Orestes Quércia são patéticos e representam, na verdade, o que se passa neste País. Os textos dos obituários deram mais destaque à atividade política, deixando para segundo plano o que era principal – Quércia foi um dos maiores ladrões de recursos públicos dos últimos tempos.

Recordo uma foto na primeira página do jornal “Estado de S. Paulo”, exibindo a cerca de uma das muitas fazendas do ex-governador paulista, cujos pastos foram inteiramente cercados com mourões de cimento surripiados do Departamento de Estradas de Rodagem de São Paulo. Dava para ler nos mourões, nitidamente, em baixo relevo, a inscrição DER-SP.

Quércia ficou riquíssimo, virou empresário imobiliário, comprou emissoras de televisão, jornais, rádios, hotéis, montou um império. Com o dinheiro que amealhou ilicitamente, divertia-se sustentando as estripulias do pessoal de esquerda radical do MR-8, patrocinava o jornal deles, “A Hora do Povo”, e tudo o mais, como se fosse um benfeitor do socialismo.

Quércia morreu impune, como acontece com todos os políticos que enriquecem às custas desta Nação, seja com “sobras de campanha” ou se apropriando diretamente de recursos públicos, como Sarney, Newton Cardoso, Fernando Collor, Antonio Carlos Magalhães, Renan Calheiros, Romero Jucá  e milhares de outros.

E agora, sua morte é lamentada. O próprio (ainda) presidente Lula manda uma mensagem de pêsames, enaltecendo a figura de Quércia (e que figura!). Que Deus nos perdoe por essa péssima lição de Natal que estamos passando às novas gerações. Se é que merecemos perdão.

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