Rádio, agora, se ouve (e vê) também pela Internet

Pedro do Coutto

Sempre sustentei, e continuo sustentando, com aquela firmeza que se tem quando se está certo, que o s meios de comunicação que surgiram através da história nunca substituíram seus antecessores, mas sim se acrescentaram a eles. Foi o caso da imprensa de Johanes Gutemberg, origem dos jornais, e que democratizou a leitura de livros, mas não ocupou lugar destes. Pelo contrário, os destacou, a começar pelo Bíblia, livro mais vendido e lido do mundo em todas as épocas. Foi o caso do rádio, que não abalou, mas fortaleceu a imprensa escrita e levou informação, opinião e até às grandes camadas da população, a partir do final do século 19 e inicio do século 20.

Foi o caso do cinema que não acabou nem com o rádio, tampouco com os jornais. É o caso da televisão que não entrou no lugar do cinema e de modo algum abalou o rádio. A Internet é a bola da vez, insuperável em matéria de pesquisa, mas que não vai substituir nem a TV, nem o rádio, nem o cinema, nem os jornais, que são tão eternos como o ser humano. Os jornais, na minha opinião, não podem ser derrubados pela tela. Tela é para ver. Pagina é para ler e ver. Cada meio traz consigo suas rupturas e seus limites. Todos vão conviver.

Vejam só as edições de domingo passado de O Globo, Folha de São Paulo e O Estado de São Paulo. Incontáveis páginas de publicidade, além da qualidade de conteúdo. O enorme volume publicitário comercializado pelos três grandes poderia se deslocar para a Internet? A pergunta traz consigo a própria resposta. Se houver dúvida e vacilação em responder, a questão fica claramente definida.

A Internet pode substituir a televisão? Nunca. Adiciona-se a ela, isso sim. Mas eu comecei falando do rádio. Volto a ele. Foi uma grande revolução no Brasil e no mundo. Na Europa e Estados Unidos começou no final do século 19. chegou ao Brasil em 1922, implantado por Roquete Pinto, Rádio Difusora Fluminense. A Tupi foi inaugurada em 1936, com a presença de Guillemo Marconi, que inventou as transmissões radiofônicas unindo as ondas elétricas às sonoras. Incorporou multidões ao processo informativo. Basta lembrar que, em nosso país, e olha que falo em 1940, primeiro censo do IBGE, o índice de analfabetismo adulto era de 56%. Basta dizer isso. Com a rádio, milhões de pessoas passaram a ter conhecimento dos fatos, das artes e dos artistas. As novelas começaram a se destacar com ele. O futebol também.

Mas falei das transmissões de programas de rádio pela internet. É  isso. Participo aos domingos de um deles, debates populares conduzido por Haroldo de Andrade Junior, líder de audiência no horário, das 10h30 às 12h. num dos últimos domingos perceb[i a presença de uma câmera. Perguntei ao Haroldo Júnior, como os leitores perceberam filho do grande Haroldo de Andrade, se o programa era gravado com som e imagem. Sim, mas ele esclareceu que as lentes que se movimentavam destinavam-se à transmissão simultânea pela internet. Conclui então que, hoje, a audiência de radio recebe a adição da mídia eletrônica e também chega às residências através do computador. Não tenho ainda dados numéricos concretos a respeito desse fator adicional. Mas calculo que representa cerca de 10%, pois este é o índice dos que assistem futebol pela televisão desligando o som e ouvindo ou Luís Alberto Penido pela Tupi, ou José Carlos Araújo, pela Globo. Vejam só. A televisão, em vez de retirar, acrescentou audiência ao radio. Com a Internet ocorre isso também. Ela vem fechar um circulo para sempre que começou com a galáxia de Gutemberg e flutua no espaço infinito da comunicação, viajando com a nuvem da cibernética. Impressionante.

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