Ramagem contratou ex-integrantes da seguranças de Bolsonaro para criar a “Abin Paralela”

Quem é Alexandre Ramagem, o provável novo chefe da Polícia Federal | Exame

Principal missão de Ramagem é blindar Flávio Bolsonaro

Felipe Frazão e Tânia Monteiro
Estadão

O diretor-geral Alexandre Ramagem levou para a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) ao menos cinco integrantes da Polícia Federal – parte deles envolvidos na segurança do presidente Jair Bolsonaro durante a campanha de 2018. Nos bastidores do órgão, servidores de carreira têm apontado o grupo de Ramagem como os responsáveis por orientar informalmente a defesa do senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) no caso das rachadinhas.

Além de Ramagem, no topo da hierarquia está o delegado da PF Carlos Afonso Gonçalves Gomes Coelho. Ele exerce o cargo de secretário de Planejamento e Gestão da Abin e é uma espécie de braço direito de Ramagem.

LIGADO A BOLSONARO – A exemplo do diretor-geral, Coelho teve uma passagem pelo Palácio do Planalto no início do governo Bolsonaro. Os dois foram assessores especiais na Secretaria de Governo. Ministro à época, o general Carlos Alberto dos Santos Cruz disse que são “profissionais qualificados”, mas que não sabe se “estão sendo mal orientados”.

O general diz não se recordar quem o recomendou a Ramagem, mas conhecia Coelho do Ministério da Justiça e Segurança Pública. O delegado fora diretor de Inteligência na Seopi, a Secretaria de Operações Integradas, no governo Michel Temer. Santos Cruz era secretário Nacional de Segurança Pública.

ABIN PARALELA – O ex-ministro da Secretaria-Geral da Presidência Gustavo Bebianno, morto em março, denunciou a tentativa de implantar uma espécie de “Abin paralela” no Planalto por parte de Carlos Bolsonaro. Filho do presidente e vereador no Rio pelo Republicanos, Carlos é influente no Planalto e controla as redes sociais do pai. Ramagem tem a confiança dele dos demais irmãos.

Outra delegada da confiança de Ramagem com passagem recente no órgão foi Simone Silva dos Santos Guerra. Ele a escolheu como assessora de Assuntos Internacionais na Abin em agosto do ano passado. Ela, no entanto, não completou um ano na agência. Em junho, retornou à direção executiva da PF, onde exerce o cargo de coordenadora-geral de Cooperação Internacional.

SEGURANÇA PESSOAL – Assim como Ramagem, Simone tem larga experiência com segurança pessoal de autoridades, tendo trabalhado na área na PF e como coordenadora de segurança do Conselho Nacional de Justiça. Em 2018, era a responsável por chefiar cerca de 280 policiais envolvidos na “Operação Presidenciáveis”. Cuidou da segurança de seis candidatos, entre eles Bolsonaro, que sofreu um atentado e passou a ser protegido pela equipe de Ramagem.

Também na Abin estão outros dois agentes que trabalhavam no núcleo que socorreu Bolsonaro na facada em Juiz de Fora (MG). São eles Marcelo Araújo Bormevet, que faz militância virtual e elogia os filhos do presidente nas redes sociais, Flávio Antônio Gomes, atualmente requisitado para assessorar a Superintendência da Abin em São Paulo.

Mais um agente da PF na Abin é Felipe Arlotta Freitas. Outros dois ex-guarda-costas de Bolsonaro ganharam cargos de confiança no governo. O papiloscopista João Paulo Dondelli, requisitado no ano passado para a Presidência, e o agente Danilo César Campetti, assessor especial de Nabhan Garcia, secretário de Assuntos Fundiários e elo do presidente com os ruralistas.

DESCONFIANÇA E TENSÃO – O clima na Abin é de desconfiança e tensão. Oficiais e agentes de inteligência, a carreira de Estado, manifestam preocupação com a repercussão do caso e possíveis investigações, como uma Comissão Parlamentar de Inquérito, que pode enfraquecer a imagem da instituição – e não só Ramagem.

Reservadamente, eles relatam que os policiais federais formam um feudo na agência, trabalham em grupos fechados, em volta do Ramagem e Bormevet. Por natureza, as apurações de inteligência são compartimentadas – um agente não costuma compartilhar com outros suas tarefas – o que dificulta que eles colham evidências de quem de fato fez o que.

2 thoughts on “Ramagem contratou ex-integrantes da seguranças de Bolsonaro para criar a “Abin Paralela”

  1. Um amigo procurou uma famosa cartomante que previa o futuro e tinha uma visão “incontestavel” sobre os problemas e percalços da vida do ser humano… Pois bem: o amigo foi ao endereço da dita cuja e tocou a campainha… Do outro lado, veio a resposta: Quem é? O amigo se decepcionou tanto que voltou para casa, com a certeza que toda previsão de futuro é puro charlatanismo…

  2. Felipe Quintas (via Facebook)

    Entre 1930 e 1980, quando as ideias predominantes no Brasil eram de soberania, desenvolvimento, integração nacional, defesa do trabalho, liberdade social e identificação entre o Poder Executivo e a sociedade, e as instituições, em grande parte, foram modeladas para realizar esses valores, o Brasil foi o país que mais cresceu no mundo.

    Desde 1980, contudo, quando as ideias predominantes passaram a ser de globalização, modernidade, separação de poderes, democracia como valor universal, livre mercado, liberdade individual e identitarismo, e as instituições passaram a ser organizadas por esses critérios, o Brasil cresce abaixo da média mundial e essa década que se encerra foi a que os brasileiros mais empobreceram em toda a história.

    Não é coincidência. A Nova República surgiu para africanizar o país e tem sido bastante eficiente nisso. Tudo de ruim que vivemos hoje é consequência das ideias erradas que nos conduzem há 40 anos. Não há salvação dentro delas.

    https://www.facebook.com/felipe.quintas.1/posts/1486070294923553

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *