Rápido, um exorcista!

Carlos Chagas

Com todo o respeito, mas o PSDB viveu ontem um dia de embriagues ou, se quiserem, de ressaca. Ressoavam nos ouvidos dos tucanos as palavras de  Fernando Henrique Cardoso,  pronunciadas na véspera,  no Senado, quando das comemorações pelos quinze anos do Plano Real.

Foi um discurso de candidato, através de prolongado diagnóstico a respeito do país. O sociólogo apresentou mais do que  uma projeção sobre o futuro nacional. Fixou-se numa espécie de plano de governo envolvendo os objetivos nacionais onde não faltaram críticas à administração do presidente Lula, bem como a evidência dela estar na seqüência de seus dois mandatos. Apontou correções para ele necessárias nos programas sociais e na política econômica. Demorou-se em considerações sobre as falhas no sistema educacional, onde quase todas as crianças estão na escola, mas com poucos resultados, já que lá permanecem apenas por três horas. Sem nenhum interesse a respeito do que os alunos aprendem.

Apresentou-se como pai das instituições e criticou o PAC, afirmando que necessitamos de muito mais do obras públicas. Faltam investimentos no Brasil, que apenas acontecerão com poupança.  Dedicou ao ambientalismo  alguns parágrafos de um improviso  preparado antes, dizendo ser inaceitável que ainda  estejamos  queimando   árvores.

Formar a nação como continuidade de governos passados, em especial o dele, consistiu sua idéia-base, com a responsabilidade “dos que se encontram por cima”.

A pretexto de elogiar o Plano Real, voltou aos fundamentos de sua política econômica neoliberal, para ele ainda a saída para nossa transformação em grande nação. Ignorou, é claro, os efeitos da recente crise financeira mundial, insistindo no modelo por ele imposto durante oito anos e seguido, em sua versão, pelo presidente Lula, mesmo com amplas correções imprescindíveis.

Em suma, pode parecer inusitado, mas a verdade é que FHC saiu na frente de José Serra, de Aécio Neves e até de Dilma Rousseff ao apresentar um roteiro para o futuro. Como ressalva, acentuou “estar fora”, mas deixou nítida impressão de estar mais por dentro do que os demais candidatos.

É bom tomar cuidado, ou melhor, buscar uma benzedeira ou um exorcista, antes que seja tarde.

Mais frustrações

Ficou para agosto a votação, no Congresso, das propostas capazes de beneficiar os aposentados, seja derrubando o veto do presidente Lula ao reajuste geral,   hoje só concedido aos que recebem o salário mínimo, seja acabando com o tal fator previdenciário, que em breve nivelará todo mundo por baixo.

Foi por decisão do senador José Sarney, que preside o Legislativo. Mas não apenas dele. Os líderes dos partidos, inclusive do PT, concordaram com o adiamento. Sarney terá retribuído ao presidente Lula o monumental apoio recebido para permanecer no cargo. Os companheiros demonstraram submissão total ao palácio do Planalto. Não faltaram tucanos e demos neoliberais aferrados à política de penalizar as massas e beneficiar as elites.

Querem saber quando se dará o resgate dos aposentados? Só no dia em que o Sargento Garcia prender o Zorro. Desde o ano passado que se arrastam falsas iniciativas de minorar as agruras dos milhões de aposentados punidos desde o governo Fernando Henrique, mas resultados, mesmo,   de jeito nenhum…

Senador que não é senador

O PDT atribui ao senador José Sarney manobra protelatória para fazer cumprir decisão unânime do Tribunal Superior Eleitoral. Porque a mais alta corte eleitoral do país decidiu, pelo voto de todos os seus ministros, cassar o mandato do senador Expedito Júnior, do PR, do Acre, por irregularidades na campanha de 2006.  A ordem judicial foi para empossar o segundo  mais votado, Acir Gusgacz, do PDT.

O problema é que até hoje Expedito Júnior exerce o mandato, votando, discursando e participando das diversas  comissões. Por que? Porque Sarney não marca data para a posse do novo senador. Tira a matéria de pauta todas as vezes em que é incluída, a pretexto de haver pedido o parecer da Advocacia Geral do Senado. É a primeira vez em que um parecer se sobrepõe a uma sentença judicial. Pelo Bom Direito, deveriam ser nulas todas as votações de que participou Expedito Júnior, nas últimas semanas.

Com Dilma e com Lula

O ex-presidente Fernando Collor, hoje senador pelo PTB de Alagoas, revela estar apoiando em gênero, número e grau a candidatura da ministra Dilma Rousseff, mas não fecha a porta para a possibilidade de um terceiro mandato ser permitido ao presidente Lula. Reconhece a existência de um movimento  nesse sentido, apesar do parecer contrário aprovado na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados.

O ex-presidente ocupa a direção da Comissão de Infra-Estrutura do Senado e não tem planos para 2010, quando seu partido gostaria de vê-lo candidato ao governo de Alagoas. Seria uma espécie de reinício da caminhada, mas também não quer nem ouvir falar na hipótese de voltar a pleitear a presidência da República. Já era, mas mais se tornou partidário do parlamentarismo, entendendo que a principal causa das crises nacionais está no presidencialismo.

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