Recado do Exército mostra que intervenção militar é uma possibilidade concreta

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Villas Bôas anexou a foto da reunião do Estado Maior

Carlos Newton

Em países minimamente civilizados, comandantes das Forças Armadas não fazem comentários sobre assuntos políticos. Por isso, quando se manifestam, todo cuidado é pouco. Aqui no Brasil, poucas horas depois de a Câmara Federal ter rejeitado a abertura de processo criminal contra o presidente Michel Temer, o comandante do Exército mandou um duro recado ao governo. Através de sua conta no Twitter, disse o general Eduardo Villas Bôas: “Conduzo seguidas reuniões sobre a gestão dos cortes orçamentários impostos ao Exército. Fazemos nosso dever de casa, mas há limites”.

O fato concreto é que, na noite em que o presidente Temer escapou de ser afastado do governo por acusação de corrupção passiva, o general Villas Bôas dormiu pouco. Na madrugada de quinta-feira, já estava em plena atividade. E antes mesmo do sol nascer, às 5h26m, o chefe militar usava o computador para transmitir seu recado ao governo de uma forma aberta, para que chegasse ao conhecimento de todos os possíveis interessados.

NOTA OFICIAL – Os jornalistas logo buscaram informações junto à Assessoria de Comunicação do Exército, e o general Villas Bôas mandou distribuir uma nota oficial da maior importância. O texto adverte que o contingencionamento de verbas impede o Exército de reforçar a segurança pública e desenvolver outras atividades de interesse social, como apoio em situações de calamidade pública.

A nota oficial anuncia também a redução das atividades de patrulhamento nas áreas de fronteiras, “onde o Exército é a única presença do Estado e presta apoio às populações locais”. E comunica que haverá “quebra de contratos e obrigações assumidas pelo Exército, com consequente pagamento de multas e encargos decorrentes”.

Portanto, fica explicado por que o Exército já abandonou as ruas do Rio de Janeiro, mal iniciara o reforço da segurança pública local.

TRADUÇÃO SIMULTÂNEA – Os comandantes das Forças Armadas não falam. Quando falam, devem ser ouvidos. No ano passado, os três, isoladamente, deixaram claro que não aceitariam redução na aposentadoria dos militares, e o governo imediatamente concordou.

Recentemente, em 28 de junho, o general Villas Bôas ainda estava animado com a promessa de o governo reajustar os salários dos militares, muito defasados em relação aos servidores civis, e anunciou no Twitter que “o Estado-Maior do Exército estuda modificações para a carreira dos graduados. Assim que tenhamos posição final faremos a comunicação”.

Mas agora a ficha caiu. O governo teve recursos de sobra para manter a gastança administrativa dos ministérios, derrubou o teto de gastos estabelecido pela Fazenda, conseguiu comprar a consciência de dezenas de deputados federais, mas não tem dinheiro para as Forças Armadas e contingenciou de 43% de suas despesas discricionárias, embora a média histórica seja de apenas 17,5%.  E além de não haver reajuste salarial, volta-se a falar que a aposentadoria dos militares precisa ser revista. E agora?

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P.S.
Para reforçar a advertência ao governo, o comandante Villas Bôas anexou no Twitter a fotografia da reunião do Estado-Maior. Com isso, está assinalando que o recado não é dele, mas do Exército Brasileiro. Todo cuidado é pouco. (C.N.)

20 thoughts on “Recado do Exército mostra que intervenção militar é uma possibilidade concreta

  1. Recado das FFAA aos políticos criminosos.
    Podem fazer qualquer bandalheira mas não ponham as mãos nos bolsos dos uniformes.
    Isso é que é patriotismo.
    E as instituições estão 100%…
    É muita cara de pau!

    sanconiaton

  2. Eu não deveria, pois abomino este governo incompetente, corrupto, desonesto e ladrão, de Temer, mas quero deixar a minha sugestão de como o presidente pode ainda alcançar índices históricos de aprovação popular, melhores que Lula, no auge da sua popularidade, e resolver esse impasse com as FFAA, que pode vir a se agravar de forma inevitável:

    Na razão direta que Temer cortou do orçamento dos militares um percentual significativo, o presidente poderia deixar de pagar o Legislativo, diante dos motivos mais do que procedentes, começando que não tem dinheiro.

    A reação daquele pessoal inútil, perdulário, VAGABUNDO seria entrar em greve.

    PRONTO!

    Sem a necessidade de eu continuar pedindo pela intervenção militar, e o comandante Villas Bôas enviar recados através do seu smartphone se queixando que está de pires na mão, ACABARIAM OS ROUBOS dos parlamentares e sobrariam verbas bilionárias para tapar os enormes e profundos buracos no orçamento!!!

    Portanto, eis a solução mais pacífica e sem qualquer gota de sangue derramada, além de a nossa esburacada e maltrapilha Constituição não ser mais uma vez esbofeteada, a forma de resolvermos EM DEFINITIVO os grandes males nacionais:

    NÃO PAGAR O LEGISLATIVO, que entraria em greve, acabando os roubos, propinas e comissões dos deputados e senadores, que TAMBÉM não mais receberiam suas indecorosas, imorais e ilegais indenizações de despesas pessoais, e o Brasil viveria a sua era de ouro!!!!

    Aceito, evidentemente, recompensa de Temer pela minha BRILHANTE ideia, tanto na economia de dinheiro que teríamos, BILHÕES ANUALMENTE, quanto o país se livrar de vez do problema que o devasta e aniquila, A CORRUPÇÃO!

      • Paulo2,

        PELO AMOR DE DEUS, PELO AMOR DE DEUS, meu amigo, muito antes de prender os comandantes militares – em princípio Temer não tem autoridade moral para tanto! -, DEVEMOS pedir a prisão dos ladrões parlamentares e de boa parte da equipe de ministros do corrupto e incompetente presidente!

        Um abraço.
        Excelente fim de semana.

        • Caro Bendl
          Considero perfeita a sua proposta. Que os VAGABUNDOS façam greve e que fiquem sem receber seus polpudos salários e penduricalhos.
          Apenas estendeira a medida aos nossos SINISTROS do Supremo TEATRO Federal.
          Abracos,
          Yulo

    • Ora, PRA 30,

      Justamente pelos cortes no orçamento em áreas vitais para a nação, que Temer deixe de pagar o inútil, venal, incompetente, perdulário e VAGABUNDO parlamento!

      Questões resolvidas com maestria, onde o povo certamente colocaria Temer nos cornos da lua!

      Um abraço.
      Excelente fim de semana.

  3. Toda profissão ou arte exige aprendizado. Um bom governante não é exceção. Nesses termos, parece-me razoável dar ao exército o governo do Rio por um periodo, digamos, de 4 anos. Nesse tempo o exército terá carta branca dos cariocas para organizar o estado. Seguirá tanto quanto possível as leis, mas sem a intervenção maléfica de políticos ladrões e canalhas – esses teriam uma prisão especial: bem reforçada e isolada na baixada fluminense!
    Aposto que os preços dos imóveis vão bater no teto. Se houver esse acordo, vendo minha meia-água em Bangu, fico rico, e vou morar em Paris. A continuar do jeito que está, até eu tenho esperanças de comprar um apartamentinho no Leblon por uma barganha.

  4. Seria muito bom se os militares tomassem as rédeas p um tempo, mas o comando não tem saco roxo para fazer isso… Seria muito bom ver este bando de ladrão como, lula, temer, acecio e CIA na cadeia… Mas que fará isso?… Se o comando do EB fosse um pouco mais inteligente, agiria em prol da população realmente…

  5. Como é que é, Ricardo?!

    Os americanos com medo de Lula?!

    Bom, esta tua afirmação é a piada deste ano, década, século e milênio, indiscutivelmente!!!

  6. A perda de qualidade, em todos os profissionais e de todas as áreas, é uma verdade irrefutável.
    É claro que as forças armadas não seriam a exceção. Faz muito que nossos generais deixaram a história do exército para trás!
    As últimas instituições que sobraram, após a década de 60 e que mereciam a admiração e o respeito da maior parte da sociedade, era a igreja, os correios e o exército. E tudo girava com base na história e na disciplina.
    A democracia deturpada, desrespeitada, mutilada e diluída, promoveu a deterioração também destas instituições, além de outras mais.
    Tente lembrar a altives, o respeito a liturgia e a postura de muitos dos generais das décadas passadas e as compare com as dos atuais.
    Se as instituições, como diz o general, estão funcionando harmônica e plenamente, bastou tocar nos “fundos” das forças armadas para esquecerem seu lugar?
    O que é isto! Um general mandando recados por twitter?
    Temer, um “mandrake frio”, só não tomará nenhuma medida porque é um frouxo, um acusado com provas claras e a espera que a justiça acorde, sacuda a poeira, dê a volta por cima e cumpra sua função constitucional, mas só após terminar seu mandato.
    Lamento informar aos amigos que, ainda tinham esperanças nas forças armadas, que estamos ficando sem salvação.
    Rezemos para que o governo paralelo do crime roube os cofres que ainda restam.
    Talvez assim, sem dinheiro algum, o povo reassuma o que é seu e escolha quem deve continuar a lhe servir.
    Fallavena

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