Recado dos EUA a seus capachos: “Façam o que dissermos, não o que fazemos.”

Mauro Santayana

Para os energúmenos que dizem que nos EUA o Estado não interfere na economia, uma notícia: só na semana passada foi aprovado pelo Congresso, em Washington, o fim da proibição da exportação de petróleo norte-americano, que perdurou por longos 40 anos. Por lá, existe uma lei de conteúdo local, o Buy American Act – que, como ocorre no caso da Petrobras, aqui seria tachada de “comunista” e “atrasada” pelos entreguistas – que, desde 1933, exige que o governo dê preferência à compra de produtos norte-americanos, e que foi complementada por outra, com o mesmo nome e objetivo, em 1983.

Na área de defesa, nem um parafuso pode ser comprado pelas forças armadas norte-americanas, se não for fabricado no país. E se a tecnologia ou o desenho pertencer a uma empresa estrangeira, ela é obrigada a se associar, minoritariamente, a um “sócio” norte-americano, para produzir, in loco, o produto.

Quem estiver duvidando, que pergunte à Embraer, que, para fornecer caças leves Super Tucano à Força Aérea dos EUA, teve que se associar à companhia norte-americana Sierra Nevada Corporation e montar uma fábrica na Flórida.

MANTRA DA PRIVATIZAÇÃO

No Brasil, a nova direita antinacionalista, grita, nas redes sociais, o mantra da privatização de tudo a qualquer preço. Citando, automaticamente, fora de qualquer contexto, os Estados Unidos, os hitlernautas tupiniquins não admitem que estatais existam nem que dêem eventuais prejuízos, ignorando que nos EUA – a que eles se referem, abjeta apaixonadamente, como se não vivêssemos no mesmo continente, como America – a presença do estado vai muito além de setores estratégicos como a defesa.

No nosso vizinho do Norte o transporte ferroviário de passageiros, por exemplo, é majoritariamente atendido por uma empresa estatal, a AMTRAK, que – sem ser incomodada ou atacada por isso – dá um prejuízo de cerca de um bilhão de dólares por ano, porque, nesse caso, o primeiro objetivo não pode ser o lucro, e, sim, o atendimento às necessidades da população, incluídas as camadas menos favorecidas.

A União Européia, que posa de liberal no comércio internacional, e cujos jornais econômicos – assim como o Wall Street Journal, dos EUA – adoram ficar (a palavra que queríamos usar é outra) – ditando regras para o governo brasileiro, acaba de postergar, até segunda ordem, o acordo de livre comércio com o Mercosul, mesmo depois da eleição de Fernando Macri, adversário de Cristina Kirchner, na Argentina.

SUBSÍDIOS EUROPEUS

Apesar da propaganda contrária por parte da imprensa brasileira, a culpa não foi do Brasil ou do Mercosul. Como previmos no post “O porrete e o vira-lata” os europeus roeram a corda porque, protecionistas como são, não querem eliminar seus subsídios ao campo nem abrir o mercado do Velho Continente aos nossos produtos agrícolas, nem mesmo em troca da assinatura de um acordo que pretendem cada vez mais leonino – para eles é claro – com a maioria dos países da América do Sul.

Se no plano econômico é assim, no contexto político a estória também não é muito diferente. Os bajuladores dos EUA entre nós acusam a Venezuela e a Argentina – onde a oposição venceu democraticamente as respectivas eleições há alguns dias – de ditaduras “bolivarianas”.

Mas não emitem um pio com relação a “democracias” apoiadas pelos EUA, como a Arábia Saudita – governada e controlada por uma família real com algumas centenas de membros.

Um reino que detêm um fundo, estatal e bilionário, que acaba de comprar 10% da terceira maior empresa de carnes brasileira, a Minerva Foods. E uma monarquia fundamentalista na qual as mulheres votaram pela primeira vez, apenas na semana passada.

30 thoughts on “Recado dos EUA a seus capachos: “Façam o que dissermos, não o que fazemos.”

  1. O PT e seu ‘nacionalismo’ de galinheiro….
    O grande ‘nacionalista’ PT, entregou todos os dados da Petrobrás, para a Halliburton do ex vice do Bush, Dick Cheney ‘tomar conta’…. Não satisfeitos, a maior parte dos equipamentos para a exploração em águas profundas, são produzidos pela Diamond Offshore Drilling, da família Reagan… Ambas situadas em Macaé/RJ.
    Viva os comediantes da ‘ideologia’…..

  2. A mesma retórica de sempre, e sempra para desviar o foco do assalto praticado pelas esquerdas (sem contar a crassa incompetência) que sempre aplicam ao instalarem seu estado totalitário! Seja pela força ou pela conversa mole doutrinária gramscista, usam e distorcem as evidências para justificar sua amoralidade, canalhice e maucaratísmo!

    Sim, seja os EUA como a Europa, DEFENDEM SEUS INTERESSES COM UNHAS E DENTES, enquanto que os “Marxistas Internacionalistas” financiados e treinados eternamente para gerarem convulsões pela Plutocracia Transnacional que os suporta, estão permanentemente interessados em se apropriar previamente do espólio que estão preparando para a deblaque nacional pelos predadores a quem servem!

    Quanta demagogia barata ! ! ! Cáspita ! ! ! Está na hora do Santayana se informar melhor, e verificar que ele continua “viajando na maionese”!

    Uma sugestão “Santa”, . . . clique no meu nickname acima e baixe o powerpoint “LINHA DO TEMPO DA DINASTIA ROTHSCHILD E COMO A MAÇONARIA FOI COOPTADA PELO SIONISMO”! Só depois disso volte a manifestar sua verve sobre uma ideologia que, na realidade, demonstra desconhecer qual seja a sua finalidade: O GENOCÍDIO ! ! !

  3. Sou de opinião que empresas estratégicas, monopólios e empresas consideradas de utilidade
    pública, devem estar nas mãos do governo, desde que não seja corrupto. Infelizmente
    os dois últimos governos, PSDB e PT foram um desastre. O governo do PSDB privatizou
    empresas estratégicas a preço de banana e o PT foi mais longe além de também privatizar, deu
    um banho em matéria de corrupção. devido a essa situação há quem ache melhor privatizar, mas não é tirando o sofá da sala que vamos resolver o problema, é preciso afastar os criminosos do sofá. A exemplo dos trens da Central do Brasil que pertencia ao Estado do Rio de Janeiro e a passagem era 1/3 da passagem do ônibus, tendo sido privatizado pelo Governador Marcelo Alencar, com aval do Presidente da Assembléia Legislativa: Sérgio Cabral, passou a se chamar Flumitrens e hoje a passagem é superior a dos ônibus. Transporte de massa não é para dar lucro é para atender a população mais pobre, basta empatar, sem lucro e prejuízo. O particular não tem compromisso com o social, seu compromisso é o lucro.

  4. Pensei que no encerrar deste ano estaria livre da opinião deste energúmeno, mais eis que aparece este vendilhão do templo no último segundo do jogo. Sempre com as mesmas ideias deturpadas de um cego mental que não enxerga o que acontece neste governo dominado pela corrupção em todos os níveis. Como pode chegar a uma conclusão tão obtusa que a Venezuela não é uma ditadura, só poderia partir de uma mente que só enxerga o que lhe interessa.

    “os hitlernautas tupiniquins não admitem que estatais existam nem que dêem eventuais prejuízos”

    O prejuízo da Petrobras não foi causado por condições de mercado e sim simplesmente que esta quadrilha que entrou no poder em 2003, usou-a para enriquecimento próprio, como também para manter o seu domínio de poder por vários anos.

    Não sou hitlernauta. Mas, acho um absurdo que ainda existam pessoas com pensamentos tão atrasados iguais a este “stalinauta”. Vai para Cuba que lá é o seu lugar.

  5. Um tema cansativo, ultrapassado, desnecessário, a discussão sobre os Estados Unidos e seu “imperialismo”.
    Qualquer problema que temos e os americanófilos se alvoroçam em cair de pau em cima do Tio Sam, como se fossem os americanos que escolheram Lula, Dilma e o PT!
    O que tentam esconder deslavadamente é a enorme diferença entre o Brasil e Estados Unidos quanto ao desenvolvimento dos países, inegavelmente sintoma da forma como os governos respeitam a população ou simplesmente dela se usam para enriquecer desonestamente, enquanto o povo que se lixe!
    Esse detalhe, a esquerda ladra, incompetente, exploradora, desonesta e corrupta, evidentemente omite.
    Se compararmos conosco o momento americano antes da Segunda Guerra, um país falido, sem perspectivas de futuro, desemprego alarmante, miséria quase que total da sua população, praticamente estávamos em pé de igualdade, não tivessem os americanos uma infraestrutura naquela época (estradas de ferro, asfalto, saneamento básico) muito melhor e seu povo dotado de uma educação superior à nossa.
    Mas tínhamos como crescer e, hoje, se não fôssemos iguais, não estaríamos tão distantes.
    Da década de trinta até agora, pouco mais de oitenta anos, o tempo que perdemos em políticas deletérias, interesses partidários e conveniências pessoais, foi simplesmente aterrador!
    Se passamos por uma crise sem precedentes com este governo criminoso, o período que jogamos fora e que jamais será recuperado é imperdoável, e causador de um país permanentemente subdesenvolvido e que não consegue sair dessa situação por culpa AINDA de políticos e políticas contrárias à nação e cidadãos brasileiros.
    Culpa dos americanos?!
    Conta outra!

    • O GRANDE PROBLEMA (que confunde muito mais corações e mentes do que deveria até hoje), é que o poder econômico-financeiro americano encontra-se tremendamente concentrado, senão totalmente dominado, nas mãos de SIONISTAS, os quais, através de seu LOBBY, dominam TODAS as INSTITUIÇÕES (Executivo, Legislativo e Judiciário) da República, e financiam ambos partidos aparentemente rivais, os Democratas e os Republicanos!

      Se alguém ainda tem alguma dúvida, recomenda-se assistir o vídeo de uma entrevista de Evelyn de Rothschild (para quem o desconhece, esse cara é, simplesmente, o sujeito mais rico do mundo!) onde extremamente confiante, declara que ELE CONTROLA O SENADO AMERICANO, clicando em: https://www.youtube.com/watch?v=JsW82Zsu3Xg (Necessário domínio do inglês ou saber ativar as legendas e tradução automática do vídeo!)

      Entretanto, se ainda não se convencer do que foi apresentado pelo entrevistado-dono-direto-do-mundo, talvez fosse interessante saber sobre uma fala dirigida a Shimon Perez pelo sanguinário Ariel Sharon ao apagar das luzes dos atentados de 11/09, exatamente em 03/10/2001, de acordo com o que a rádio Kol Yisrael divulgou:

      “Toda vez que fazemos algo você me diz que a América vai fazer isso e vai fazer aquilo …. Eu quero te dizer uma coisa muito clara, não se preocupe com a pressão americana sobre Israel. Nós, o povo judeu, controlamos a América, e os americanos sabem disso”.

  6. A distorção que este articulista provoca nas informações reais para trazer a opinião do leitor ao encontro de seu objetivo que é defender seu imundo comunismo, estatismo e centralismo econômico (ideias totalmente falidas, comprovadamente no mundo atual) é patética.

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    Buy American Act

    Da Wikipédia, a enciclopédia livre

    Este artigo é sobre o “Buy American Act” de 1933, por outra legislação nome semelhante ver Buy American Act (disambiguation)

    O Buy American Act (“BAA”, originalmente 41 USC §§ 10a – 10d, agora 41 USC §§ 8301 – 8305) aprovada em 1933 pelo Congresso e assinada pelo Presidente Hoover em seu último dia completo de funções (3 de março, 1933) , [1] exigia o governo dos Estados Unidos a preferir produtos feitos nos EUA em suas compras. Outras peças de legislação Federal alargar as exigências semelhantes às compras de terceiros que utilizam fundos federais, como os programas de rodovias e de trânsito.

    O Buy American Act não deve ser confundido com o de forma muito semelhante chamado Buy America Act, que entrou em vigor em 1983. Este último, uma disposição da Lei de Assistência de Transportes de Superfície, de 1982, é 49 USC, § 5323 (j), e aplica-se apenas aos contratos em massa relacionados com o trânsito avaliados em mais de US $ 100.000 e financiados, pelo menos em parte por verbas federais. [2]

    EM CERTAS COMPRAS GOVERNAMENTAIS, A EXIGÊNCIA DE COMPRA PODE SER DISPENSADA SE O PRODUTO NACIONAL É MAIS CARO DO QUE O PRODUTO DE ORIGEM ESTRANGEIRA IDÊNTICA DE UMA DETERMINADA PORCENTAGEM, SE O PRODUTO NÃO ESTÁ DISPONÍVEL NO MERCADO INTERNO EM QUANTIDADE OU QUALIDADE SUFICIENTE, OU SE ISSO É DO INTERESSE PÚBLICO. (destaquei)

    O presidente tem a autoridade para dispensar o Buy American Act dentro dos termos de um acordo de reciprocidade ou de outra forma em resposta à oferta de reciprocidade de tratamento aos produtores norte-americanos. Sob o 1979 Acordo Geral sobre Pautas Aduaneiras e Comércio do Governo (GATT) Código dos Contratos, o Acordo EUA-Israel de Comércio Livre, o Acordo EUA-Canadá de Livre Comércio, e da Organização Mundial do Comércio (OMC) 1996 Acordo sobre Contratos Públicos (ACP), a Estados Unidos fornece acesso à contratação pública de certas agências norte-americanas de bens das outras partes nesses acordos. No entanto, o Buy American Act foi excluído da cobertura do GPA.

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    Os americanos não dão ponto sem nó, as compras estatais são direcionadas pelo princípio da economicidade da máquina pública. Tudo para não pesar no bolso do cidadão. Tudo para não fazer coisa de gente burra como os brasileiros tupiniquins adoradores do comunismo gostam de fazer.

  7. O que este débil mental ainda está tendo a coragem de citar a Venezuela e a colocá-la como padrão de alguma coisa?!

    Ei, é locuo? Não está vendo o que a sua ideologia já fez com aquele país?!

  8. Os erros da política de conteúdo nacional da Petrobras

    A estatal falhou ao não estimular a indústria brasileira de bens de capital, diz Mario Bernardini, da associação da indústria de máquinas.

    As políticas de conteúdo nacional são boas ou ruins para o Brasil? Depende, avalia Mario Bernardini, diretor da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos. O País convive com dois modelos distintos, diz o empresário. A modelagem adotada no setor de óleo e gás parece inspirada nos anos 50 do século passado e seria contraproducente: adquirem-se internamente bens e serviços de baixo valor agregado e importam-se aqueles de alto valor. No fundo, afirma, os investimentos até agora têm acrescentado pouquíssimo conteúdo brasileiro. Já o sistema adotado na área de energia eólica seria moderno e estimularia a produção nacional. Na entrevista a seguir, Bernardini compara os dois modelos.

    CartaCapital: O que são as políticas de exigência de conteúdo local mínimo?

    Mario Bernardini: Segundo a Organização das Nações Unidas, são iniciativas utilizadas pela maioria dos países para fortalecer a estrutura produtiva de economias nacionais e incluem políticas e programas para acelerar o crescimento de setores da economia, como a indústria ou a agricultura, ou atividades específicas consideradas fundamentais.

    CC: A política de conteúdo local do setor de óleo e gás é apontada por alguns como a causa de uma parte dos problemas da Petrobras, supostamente forçada a comprar no País equipamentos mais caros e menos eficientes.

    MB: Essa reclamação tem origem em alguns problemas surgidos na implantação da política de exploração e produção de óleo e gás, principalmente no pré-sal. Há seis anos a Petrobras lançou um programa extremamente ambicioso de exploração e criou a maior demanda do mundo no setor. Como a empresa não investia significativamente há 30 anos, não existia indústria nacional de porte e com tecnologia para atender às necessidades surgidas de repente para a exploração dos campos de águas profundas, mesmo porque essa tecnologia não existia no mundo. Definiu-se a política de conteúdo local porque qualquer país eficiente aproveita oportunidades de desenvolvimento. Havia uma empresa estatal com um programa de investimentos colossal e não fazia sentido comprar todas as máquinas e equipamentos no mercado internacional.

    CC: Como outros países agiram em situações comparáveis?

    MB: Quando a Noruega, país muito menor e com menos tradição industrial, descobriu os campos grandes no Mar do Norte, adotou políticas semelhantes, mas de modo competente. Criou a empresa de exploração Statoil e esterilizou o dinheiro advindo da extração do petróleo em um fundo soberano, que hoje é um dos maiores do mundo. A petroleira fez parcerias com empresas multinacionais e locais para atrair ao país a produção de equipamentos não fabricados localmente, mas indispensáveis à exploração. Hoje é competitiva internacionalmente e investe no Brasil, inclusive. Isso contrasta com a atitude do nosso país, que, em vez de aproveitar as exportações excepcionais de commodities na década passada para estimular a indústria, prosseguiu na valorização do câmbio.

    CC: Portanto, a culpa não é do conteúdo local.
    MB: Não, é do seu uso. Com a utilização dessa política de forma inteligente, a Petrobras poderia ter criado uma indústria de bens de capital em condições de fornecer de 40% a 80% das necessidades de máquinas e equipamentos. Em dez anos, o País teria um setor de componentes
    para a exploração de petróleo e gás em condições de competir lá fora.

    CC: Qual é a importância de se fortalecer o setor de bens de capital?

    MB: O setor de bens de capital é o principal veículo do progresso técnico na economia. Fabrica as máquinas e os equipamentos utilizados por todos os outros segmentos e esses itens perfazem cerca de 30% a 40% dos investimentos da indústria de transformação. Somado ao segmento de construção, representa a maior parte da formação bruta de capital fixo, a medida do investimento da economia.

    CC: Qual foi a principal falha do programa para óleo e gás?

    MB: As executantes foram as empreiteiras, que não têm engenharia ou indústria mecânica, e depois de ganhar a concorrência tinham interesse em comprar o mais barato possível em vez de desenvolver a produção no País. Além disso, a fórmula de medição do conteúdo local lembra aquela utilizada nos anos 1950 para a criação da indústria automobilística, é anacrônica e permite atender à exigência quase sem comprar nada no Brasil.

    O valor agregado é, por definição, nacional e inclui salários, encargos sociais, impostos, juros, energia elétrica, custos de venda, lucro. Isso perfaz 50% de conteúdo nacional e se o limite é 60%, basta comprar no País o equivalente a 10 pontos porcentuais para cumprir a exigência. Em geral, completa-se o total com a compra local do mais barato, parafusos e chapas.

    Portanto, a exigência de conteúdo local atualmente pode ser cumprida com pouquíssimo produto nacional sem burlar a lei. Isso explica por que a Petrobras diz ter nas plataformas de 60% a 65% de conteúdo local e nós afirmamos não existir quase nada de bens de capital nacionais, que é o que interessa para o desenvolvimento. Outro erro é a medição do conteúdo local quando as instalações para a exploração estão prontas e não há mais como corrigir os efeitos das violações da exigência.

    CC: Falam em quase 300 milhões de multas acumuladas em 30 projetos.

    MB: Fala-se em alguns bilhões em passivos possíveis. Essa é a causa da grande orquestração contra a exigência de conteúdo mínimo local, acolhida pelos formadores de opinião pública por desconhecimento ou má-fé.

    CC: Qual é o resultado da política de conteúdo local no setor de geração eólica de energia?

    MB: A política do Ministério de Minas e Energia foi absolutamente contrária à indústria nacional. Felizmente, o BNDES há três anos criou uma política de financiamento que tornou o produto local capaz de concorrer com o importado. Alongou o prazo de financiamento e possibilitou um custo que, trazido a valor presente, tornava competitivo o aerogerador nacional, antes entre 20% e 25% mais caro que o importado por causa do custo Brasil. Isso mudou completamente o jogo.

    A contrapartida do financiamento foi uma nacionalização progressiva do produto, feita de forma inteligente de modo a envolver principalmente os elementos de maior valor agregado. Três anos depois, o resultado dessa política é brilhante. Temos uma indústria de aerogeradores que atende plenamente à demanda nacional e, com o câmbio a 3,50 ou 3,60 reais, poderia exportar. O setor tem entre 20 e 30 empresas com 40 mil empregos qualificados e bem remunerados e instala de 2 mil a 3 mil aerogeradores por ano, completamente nacionais.

    CC: Quais as condições de competitividade da indústria brasileira de bens de capital, descontados o custo Brasil e a ineficiência decorrente do declínio da indústria desde os anos 1980?

    MB: Fizemos há pouco um levantamento da produção física por homem-hora de equipamentos iguais ou muito parecidos por empresas alemãs com filiais no Brasil, Estados Unidos e China. Para nossa surpresa, verificamos que a produtividade por homem-hora do Brasil nessas unidades é equivalente àquelas da Alemanha, dos Estados Unidos e superior à da China. Seria de esperar que os preços desses equipamentos no Brasil, na Alemanha e nos Estados Unidos fossem semelhantes e na China, mais caros. Mas o exame dos custos de produção, portanto dos preços sem as margens, revelou outra surpresa. A China, a menos produtiva por homem-hora, tem um produto mais barato. Isso significa que, lá, mesmo as empresas pouco produtivas são competitivas, enquanto no Brasil ocorre o oposto, até as mais produtivas não conseguem ter preços para competir.

    *Reportagem publicada originalmente na edição 862 de CartaCapital, com o título “Conteúdo quase nacional”

  9. Concordo que as Forças Armadas dos EUA tiveram, e ainda têm, papel fundamental no desenvolvimento da indústria americana. Muitas das empresas de TI, por exemplo, tiveram como primeiro cliente o próprio Estado Americano, e a partir daí caminharam com as suas próprias pernas. O subsídio oferecido lá é para catalisar a indústria e produzir riqueza por si só. Já no Brasil parece que as políticas de fomento são feitas apenas para encher os cofres das empresas amigas do governo. As empresas ficam sugando os recursos públicos e não geram riqueza nem estão preocupadas em prestar um bom serviço para a sociedade. Parece que o modelo de negócio das nossas empresas se restringe em absorver o dinheiro público.

    O nosso problema não é o modelo de intervenção da economia. E sim de fiscalização, regulação e controle dos nossos recursos públicos. Distribui-se dinheiro público para as empresas amigas e não aferimos onde ele está sendo gasto nem exigimos um retorno adequado. É assim que me parece.

  10. Prezado Sr. WAGNER PIRES,
    Como sempre, trouxestes excelente Matéria sobre nossa Lei de Conteúdo Local e a Petrobras SA. O Sr. MÁRIO BERNARDINI, Presidente da ABIMAQ de forma clara e compreensível analisa o problema. A Lei é boa, o que falhou por parte da Petrobras SA foi seu uso. Já o Ministério das Minas e Energia fez correto no setor Geração de Energia Eólica – AeroGeradores. A Petrobras SA deveria corrigir o erro e fazer como o setor de AeroGeradores, que criou uma Indústria competitiva internacionalmente a um Câmbio 1 US$ = 3,50, 3,60 Reais, menos um pouco do que o Câmbio que temos hoje, 3,80. Nunca é tarde para corrigir e fazermos o certo. Na verdade, a grande “barbeiragem” do PT, foi sua Política Cambial que “matou muito de nossa Indústria de Transformação”. Segundo o Ministro DELFIM NETTO, em 12 anos perdeu-se +- US$ 500 Bi de vendas de Exportação, mais que todas nossas boas reservas de +- US$ 376 Bi. e o que originou quase outro tanto de Importações. Abrs.

    • Perfeito, sr. Bortolotto, o fator determinante para a nossa desindustrialização foi a valorização cambial dos últimos vinte anos.

      A experiência com os aerogeradores tem de ser transmitida a todos os outros ramos industriais trazendo efetividade a nossa lei de conteúdo local. Como todos os países fazem.

      Grande abraço!

  11. Tô sem plasil e não li. Na verdade, nem se tivesse…
    Mas lendo comentários ele chamou quem discorda da sua visão de mundo de várias coisas.
    Imaginem se um “coxinha” como eu discordar das ideias dessa baluarte das liberdades.
    Vão ter que inventar xingamentos novos porque até de hitlernãoseioque ele xingou os discordantes.
    É gente dessa espécie que controla o Brasil e patrulha quem discorda do pensamento único.

    • Complementando…
      Nem é discordar de ideias, é não compactuar com ladrões.
      Vai falar alguma coisa para essa gente bonita e bronzeada do Leblon ‘pro cê vê o quê é bão pra tosse’.

  12. O Santayana está certo.
    Os americanos estão certos – e apenas estão defendendo o direito deles permanecerem sendo o número um do mundo. O que não absorve os nossos corruptos incompetentes e mercenários!
    Se não fizeram nada em trinta anos neste país, nem com OUTROS QUINHENTOS!!!

  13. Santayanna e Boff, textos que são tendenciosos e fraquíssimos.

    Só leio o título e os comentários para constatar que estes 2 paspalhos vivem ainda nos anos 60 (e querem nos trazer para lá). #foracambada

  14. deixe de ser besta Santayana…produtos usados pela defesa devem ser obrigatórios de fabricação local….no caso de uma guerra e não puder importar outro o que eles fazem ??? A Caterpilar fornece equipamentos ( tratores) para a defesa americana há 115 anos….e tudo 100% americano..e tudo de primeirissima qualidade…tenho tratores Caterpilar e sei do que estou falando..Por isso são americanos e não portugueses…

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