Recarregadas as baterias

Carlos Chagas

Livres do Carnaval não estamos hoje, tendo em vista a moda que avança ano após ano e faz da Quarta-Feira de Cinzas o dia do rescaldo da folia iniciada bem antes do último sábado. Melhor assim, fica todo mundo feliz, ou quase. Resta aguardar para saber quando, daqui a séculos, o país do Carnaval incluirá o adjetivo “permanente” em nossas características maiores. Mesmo assim, é preciso seguir adiante.

Senão hoje, amanhã estarão funcionando em Brasília atividades e instituições estáveis, depois de interregno tão singular quanto feliz para a maioria dos carnavalescos em festa, entre 200 milhões. A presidente Dilma despacha novamente em Brasília e logo viaja para o Nordeste. Seus ministros, com as exceções de sempre, também.

 Nos tribunais superiores, voltam as togas, ainda que no Congresso inexistam esperanças de plenários cheios, coisa que fica para a próxima semana. A retomada da normalidade estende-se pelo território nacional, recarregadas que se encontram as baterias da paciência popular, não obstante a perda de tanta energia.

A pergunta que se faz é sobre quando começará o ano eleitoral, acima e além de datas e prazos que o Tribunal Superior Eleitoral divulgará proximamente. Voltam-se as atenções para a escolha dos candidatos a prefeito nas capitais. Em quase todas emergem possibilidades, ainda que certeza não exista quanto à tendência definitiva dos grupos e partidos em disputa prévia.

Tome-se São Paulo, ainda sujeita a surpresas, apesar de quase definidos os dois polos conflitantes: Fernando Haddad, do PT, já lançado pelo ex-presidente Lula, e José Serra, do PSDB, prestes a romper a barreira da indecisão. Fora algum inusitado, daqueles que costumam acontecer, estará em jogo mais do que a prefeitura paulistana. Primeiro, o governo do estado, que o PT almeja há anos, mantido pelo PSDB, mas também, para 2014, a presidência da República, não necessariamente entre companheiros de um lado e tucanos de outro, muito menos que se restrinja a São Paulo a luta pelo palácio do Planalto.

Mas a corrida pela sucessão de Gilberto Kassab é simbólica. Vale aguardar seus desdobramentos, até outubro.

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E AS MEDIDAS PROVISÓRIAS?

Na recente reabertura dos trabalhos do Congresso, no começo do mês, destacou-se o pronunciamento do senador José Sarney, numa espécie de última prestação de contas como presidente do Senado. Lembrou sua longa vida pública, sua inequívoca colaboração prestada para a consolidação da democracia e não poupou críticas às medidas provisórias criadas na Constituição de 1986 e utilizadas exageradamente desde o governo Fernando Collor, com ênfase para os períodos de Fernando Henrique e Lula. Sem esquecer Dilma Rousseff, agora.

Espera-se que à teoria retórica venha a seguir-se a prática objetiva. Sarney fica devendo o patrocínio imediato de emenda constitucional limitando ou até extinguindo a prerrogativa de o Executivo legislar sem quaisquer impedimentos, como se Legislativo fosse. Apesar de o mais importante aliado do governo, a lealdade maior do senador é para com o poder que preside. Quem sabe desta vez vamos?

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