Recepo de Lula Ahmadinejad

Edson Khair

A recente visita do presidente o Ir Ahmadinejad provocou muitas divergncias sobre a atitude o governo Lula ao receb-lo oficialmente como chefe de estado de um pas com o qual temos relaes diplomticas e possibilidades de ampliao nvel das relaes econmicas.

Ressalte-se que a iniciativa do presidente Lula de receber o polmico presidente do Ir, legitimo ato de exerccio de nossa soberania perante as demais naes da ONU.

Temos criticado o governo Lula por no enfrentar os principais problemas do pas, como a educao, a sade, o restabelecimento da rede ferroviria nacional totalmente desmantelada a partir da dcada de 60 pelos governos civis e militares. O restabelecimento da rota de navegao em um pas de dimenses continentais tambm medida a ser tomada por um governo que enfrente seriamente tal crime cometido pela ditadura contra o Brasil ao liquidar com o Lide, companhia de navegao de transporte martimo de passageiros e mercadorias. Tal via de transporte cobria o Brasil do Amazonas ao Rio Grande do Sul.

Necessrio ainda afirmar que os navios do Lide tambm navegavam por mares internacionais. Assim, educao, sade, transportes principais, osproblemas do pas, foram esquecidos por todos os governos brasileiros at hoje. Desde Getlio Vargas, tambm polmico, ao mesmo tempo ditador e depois presidente eleito em 1950, os presidentes civis ou ditadores militares que vieram depois dele s agravaram tais problemas. A fundao de Braslia consagrou o festival de insanidade e roubalheira, hoje institucionalizada no Brasil.

Ao receber Ahmadinejad, convm lembrar as palavras do general Alberto Cardoso ex-chefe do gabinete do presidente Fernando Henrique. Assim, sobre o assunto falou o general. Ambos os pases desejam dominar o ciclo atmico para o desenvolvimento econmico, disse o general. Acha no entanto, que os dois pases tm peculiaridades diferentes em termos de programas nucleares. No creio que haja desejo de desenvolver um programa de cooperao na rea militar. Mas, os dois pases defendem o direito de poder dominar a energia nuclear afirmou Cardoso.

Lembra ainda, o general Alberto Cardoso que os programas brasileiros, como o qu prev a construo do submarino de propulso nuclear e as usinas para produo de energia, no so destinados fabricao de armas militares.

O tema das armas nucleares foi tratado apenas formalmente no encontro e Lula com Ahmadinejad. H diferenas fundamentais entre os dois projetos no Brasil. Afirma ainda o general Cardoso que no Brasil as autoridades militares defendem o compromisso firmado na Constituio e nos tratados internacionais – de no desenvolver artefatos nucleares, mas so favorveis a que o pas domine o ciclo nuclear completo como forma de dissuaso corrida armamentista.

O Ir visto pelas potncias nucleares (como EUA, Rssia, China, Israel, Paquisto e ndia) como ameaa paz e concrdia no Oriente Mdio. Cabe no caso concreto indagar se o estabelecimento de um Estado palestino no contribuiria efetivamente para paz naquela conturbada regio do planeta?

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