Recomenda-se o novo livro de Ricupero: “A diplomacia na construção do Brasil”

Imagem relacionada

Ricúpero relembra o que é fazer diplomacia de verdade

Sebastião Nery

Nas relações internacionais a diplomacia exerce papel fundamental na construção e consolidação da visão que o mundo tem sobre o país. O livro “A diplomacia na construção do Brasil: 1750-2016”, do embaixador Rubens Ricupero, é leitura fascinante. Revela 266 anos, desde os tempos coloniais, da luta dos brasileiros para integrar o país com o mundo. Enfatiza, da colônia portuguesa até a contemporaneidade, o objetivo brasileiro de ter presença na comunidade internacional. 

Leitura recomendável para os futuros ocupantes do poder que, a partir de 1º de janeiro de 2019, terão a missão de governar o Brasil. Devem estar conscientes da importância do Ministério das Relações Exteriores na manutenção de relações harmônicas entre Estados soberanos. Fundamentada nos ensinamentos da história, entendendo que a diplomacia busca resolver conflitos sem uso da ofensa ou da violência nas relações internacionais.

POLÍTICA DE ESTADO – Como disse a jornalista Eliane Cantanhêde “política externa é de Estado e não de governo. Em política externa é o interesse do Brasil acima de tudo e de todos”.

Não existe ideologia nas relações econômicas e comerciais. John Foster Dulles, secretário de Estado dos EUA, definiu: “Uma nação não tem amigos, tem interesses”. A defesa dos interesses nacionais é o grande balizador. O governo de Jair Bolsonaro produziu na área externa, antes de assumir o poder, três extravagâncias diplomáticas contra Argentina, China e países árabes.

Em relação à Argentina, foi ignorado o fato de ser o maior mercado na exportação de bens manufaturados. E sólidas relações econômicas e comerciais. A China, desde 2009 é o principal parceiro e mercado mundial para os produtos brasileiros, com “superávits” crescentes na escala de 20 bilhões de dólares, no comércio externo.

VAI CUSTAR CARO – Um alinhamento brasileiro com a política exterior do presidente dos Estados Unidos, em relação aos chineses, como em editorial do jornal “China Daily”, principal porta voz do governo, alertou “pode custar caro ao Brasil”. Os investimentos da China no Brasil são estimados em R$ 124 bilhões. No comércio exterior, as exportações do Brasil, até agosto, atingiram US$ 74 bilhões. Com elevado saldo que nos favorece nas exportações.

O anúncio da mudança da nossa Embaixada de Tel Aviv para Jerusalém, é gratuita hostilidade aos países árabes. Negando o papel histórico do brasileiro Oswaldo Aranha, quando presidente da Assembleia Geral, apoiava a criação do Estado de Israel e defendeu igualmente a criação de um Estado árabe palestino. O Brasil sempre teve posição definida defendendo dois Estados na região. Se mantida a decisão, os reflexos econômicos e comerciais serão claros.

SUPERÁVIT – Em 2017, as exportações brasileiras para o mundo árabe representaram US$ 13,7 bilhões com “superávit” favorável ao Brasil de US$ 7,7 bilhões. Hoje a quarta parceria comercial do Brasil com o mundo, tem nos países árabes mercado em ascensão, destacadamente para os produtos do agronegócio. Os EUA, ao transferir a sua Embaixada para Jerusalém, tem a única companhia de um país periférico, Guatemala, que é presidida pelo pastor evangélico Jimmy Morales, adepto da chamada “verdade bíblica” da eterna Jerusalém.

Por tudo isso, não deve o novo governo brasileiro insistir nas relações internacionais em posições de confronto.

12 thoughts on “Recomenda-se o novo livro de Ricupero: “A diplomacia na construção do Brasil”

  1. “Nós podemos comprar as brigas que podemos vencer. As que a gente não pode, não é o caso de comprar. Uma briga com a China não é uma boa briga, certo? Tenho certeza absoluta de que nós não vamos brigar —34% das nossas exportações são para a China. Não podemos fechar esse caminho pois tem outros loucos para chegarem nele.”
    (Hamilton Mourão)

  2. “Eu não tenho escrúpulos; o que é bom a gente fatura, o que é ruim a gente esconde.”
    Esse é o cara da parabólica.
    O Ricupero. Eu não esqueço.
    Como ele mesmo disse que não tem escrúpulos, não há como tornar verosímil o que este mal brasileiro afirma neste livreco.

  3. Diplomacia para reconstruir o Brasil…
    O Brasil não tem inimigos externos, não queremos nos tornar líder em parte nenhuma do mundo, vivemos numa meia-água com teto de amianto, figurativamente falando, por que a Diplomacia seria importante?
    Importante é termos uma educação básica universal de boa qualidade, bons centros de formação profissional (mais técnicos e menos mestrados, advogados, sociólogos, cientistas políticos). É a tecnologia que vai nos trazer os empregos bem pagos, vai nos possibilitar desenvolver produtos e vai nos desenvolver.
    Se o macaco escrevesse talvez pedisse mais florestas. Era só o que faltava: mais diplomacia!

  4. Afirmado por cientistas, constatado até por leigos, daí já exclui aquela frescura da “Teoria da Constipação”. Atualmente, a ameça mais eminente e iminente chama-se: Inteligência Artificial, ou AI, na sigla em inglês. O próprio Rubens Ricupero já foi vítima dos ouvidos biônicos duma parabolica, num estúdio da rede globo, quando confabulava com Carlos Monfort: falou o que não deveria e acabou perdendo o cargo de ministro, à época.
    Já temos robôs capazes de realizar cirurgias, com o paciente a quilômetros de distância. Máquinas que tomam decisões autônomas, sem intervenção humana.
    Tudo começou com os cronômetros, ou clocks, que passaram a controlar as geringonças programadas. Depois vieram os sensores, copiados da própria natureza: sensores térmicos, como os das fossetas loreal, presentes na cascavel. Ou dos vegetais heliotrópicos, como o girassol – sensíveis à emissão infravermelha.
    Agora já se ouve falar das armas psicotrônicas, cuja influência pode reprogramar o cérebro de quem for bombardeado por elas……

    • Desculpe-me fazer comicidade em um comentário tão sério, mas viver bem é preciso e o riso, como ensinou São Sebastião na beira do Ipiranga, é essencial. E aqui vai a indagação: será que a AI atingirá um nível de desenvolvimento a ponto de transformar um estúpido, digamos como o Lula, em pessoa normal usando esse tal de bombardeio por armas psicotrônicas?

      • Desde a sua adolescência, Lula tem sido bombardeado, não por uma arma psicotrônica, mas por uma arma psicotrópica: álcool. Nunca faço cometários sérios acerca do Lula: ele é um alcoólatra, vítima de uma doença incurável.
        Mui grato, parceiro!

  5. Depois daquele célebre episódio de indiscrição diante das câmeras que lhe custou o cargo de ministro da fazenda, Ricupero perdeu qualquer credibilidade que lhe permita servir de conselheiro para qualquer um.
    O que não impede que, na prática, os governantes sigam seu famoso ditado: não ter escrúpulos em faturar o que for bom e esconder que for ruim.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *