Recordações sobre a criação do PT, em pleno regime militar

Antonio Santos Aquino

O PT teve em seus momentos de fundação pessoas idealistas e bem intencionadas. Mas, assim como todos os partidos criados naquele momento, em pleno regime militar, recebeu a bênção e o batismo do general Golbery do Couto e Silva. O único partido que fugiu de seu controle foi o PDT.

Golbery, ao manobrar, tomando a sígla do PTB de Brizola e entregando-a a Ivete Vargas (que por sua vez a presenteou aos udenistas, vide Sandra Cavalcanti), pensou que Brizola se acomodaria. Enganou-se redondamente: Brizola, com um pugilo de companheiros, fundou o PDT e em poucos meses, ganhou o governo do Rio de Janeiro contra tudo e contra todos, inclusive o SNI.

O PT de hoje é o mesmo, pois os peões de Golbery no jogo político não mudaram: Lula e Dirceu principalmente (existem outros). Lula fez curso de sindicalismo na John Hopkins University em 1972/73, para se contrapor aos sindicalistas que voltavam do exílio. Porém, quando Brizola foi ao ABC convidá-lo para refundar o PTB, Golbery mudou-lhe o “script”, ficando Dirceu em segundo plano.

Os militares podiam ser tudo, menos burros. Golbery, inclusive, impediu Tancredo Neves de fundar o PP, dizendo que a pulverização do MDB favoreceria o PDT de Brizola. Chega.

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