Recuo de Bolsonaro abalou o esquema de apoiadores do governo nas redes sociais

Moares 'paga pra ver' e manda prender provocadores bolsonaristas - TIJOLAÇO

Charge do Amarildo (Arquivo Google)

Alberto Bombig e Matheus Lara
Estadão

A pedido da Coluna do Estadão, a Bites Consultoria analisou as publicações de bolsonaristas nas redes sociais durante as paralisações dos caminhoneiros até logo após a divulgação da carta de recuo de Bolsonaro. Foram cerca de 822 mil publicações – em média 40 mil por hora – e três ondas diferentes foram percebidas.

Na primeira, na noite de quarta, antes da divulgação do áudio em que o presidente pedia o fim da paralisação, a tendência era de apoio irrestrito ao ato. Na manhã de quinta, a direita se mostrava preocupada em justificar o ato e debelar os protestos. Após a nota de Bolsonaro sobre o STF, já aparecia rachada entre apoiar o ato ou manter fidelidade a ele.

DECEPÇÃO – Incentivada por Temer, a carta de Bolsonaro em tom de desculpas a Alexandre de Moraes fez apoiadores do presidente em grupos do WhatsApp se agilizarem em pedir calma.

Essa mesma “decepção” também foi o primeiro sentimento quando do rompimento com o ex-ministro Sérgio Moro, que saiu atirando e acertando no presidente.

Bolsonaristas radicais, como o blogueiro Allan dos Santos e o PTB de Roberto Jefferson, preso por ordem do Supremo, criticaram a nota. “Não se transige à tirania”, disse a sigla, como mostrou a Coluna.

TEMER LAUREADO – Na verdade, é dura a vida de quem tem de lidar com Jair Bolsonaro. Os ministros Ciro Nogueira e Flávia Arruda suaram a camisa depois da terça-feira do 7 de Setembro para convencer o presidente a desarmar o espírito e estender a mão ao Supremo, mas tomaram um “chapéu” do presidente. Fizeram a cama, nas palavras de um palaciano, mas quem deitou nela e ficou com a fama foi Michel Temer, muito à vontade no papel de “pacificador”.

O ex-presidente ainda conservou a imagem de “independente”: na mesma terça fatídica, chancelou, com Ricardo Nunes, prefeito de São Paulo, a dura nota do MDB contra Bolsonaro.

TIROTEIO BRABO – Bolsonaro se entendia com Temer e os “moderados” do Planalto, junto com Arthur Lira, presidente da Câmara, trabalhavam pelo armistício entre Poderes. Ao mesmo tempo, porém, Baleia Rossi (SP), presidente nacional do MDB, castigava o governo e Bolsonaro na GloboNews.

Segundo um conhecedor das tramas do Planalto, o “erro” de Lira e de Nogueira foi figurarem em reportagens da imprensa no papel de “fiadores” da estabilidade e da moderação, capazes de frear Bolsonaro. Esqueceram-se de combinar com o presidente. Bolsonaro fica contrariado com essas declarações e gosta de fazer justamente o contrário.

Por fim, até o pronunciamento de Arthur Lira após o 7 de Setembro foi lido como muito duro por gente importante do Planalto e do Congresso. O discurso de Luiz Fux então…

10 thoughts on “Recuo de Bolsonaro abalou o esquema de apoiadores do governo nas redes sociais

  1. Tinha certeza que mais cedo ou mais tarde o Gilmar iria voltar ao seu modo normal de sobrevivência. Agora ele saiu com essa pérola: “Temos de acreditar na boa-fé de Bolsonaro”. Boa-fé…
    (Tá jogando no milhar pelos setes lados, como se fazia no jogo do bicho).

  2. Desde quando que a palavra de Bolsonaro vale alguma coisa, a não ser para os bolsonaristas?

    Quantas vezes teve de se desdizer no dia seguinte ou horas depois, sobre seus pronunciamentos açodados, irresponsáveis e inconsequentes?

    Bravateiro, parlapatão, boquirroto, a conduta de um militar legítimo é uma só:
    a sua palavra é lei!

    Independente de os apoiadores de Bolsonaro terem se decepcionado com o recuo do presidente, antes incendiário, agora querendo ser bombeiro, eu gostaria de saber a reação dos militares, pois muitos estavam ao lado de Bolsonaro neste confronto com o STF.

    Também se decepcionaram?

  3. 1) Bom artigo…

    2) Quem se deu bem foi o Temer: escreveu a carta, assumiu publicamente a autoria, deixou-se fotografar indo para o avião da FAB e seguindo para o Planalto.

    3) Temer Pacificador. Ponto para a Maçonaria.

      • Sim. Generalização é ruim.
        Mas a Maçonaria brasileira carrega em si os traços da sociedade. Não se compara a de outros países.
        Convivi com muitos. Fui convidado. E, falando francamente. Acho uma nojeira.
        As pessoas que entram, almejam mais o ter (mais) do que ser (melhor como pessoa).

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