Recuperar crescimento da economia fica mais difícil, porque a renda do trabalho caiu 15%

Sorriso Pensante-Ivan Cabral - charges e cartuns: Charge: Salário x Fim do  mês

Charge do Ivan Cabral (ivancabral.com)

Pedro do Coutto

O processo de recuperação da economia, com a retomada do desenvolvimento, tornou-se no final deste mês ainda mais difícil, como destaca a reportagem de Cássia Almeida e Cleide Caralho, edição de hoje de O Globo, a qual acentua que a renda do trabalho no Brasil caiu 15,4% nos últimos doze meses, já descontada a inflação do período em torno de 2,3%.

A pesquisa foi produzida pelo IPEA e coordenada pelo economista Marcos Hecksher. O resultado, claro, torna ainda mais difícil e portanto mais distante a retomada do processo de desenvolvimento econômico traçado pela equipe do ministro Paulo Guedes.

RENDA PER CAPITA – Acrescento que ao longo dos doze meses a população brasileira cresceu na escala de 1%, já descontada a taxa de mortalidade que é de 0,7% ao ano, o que reduz ainda mais a renda per capita.

Quanto à queda da renda do trabalho, está inevitavelmente vinculada ao poder de consumo, que, como costumo assinalar, é a base do aumento da produção, comercialização e da receita de impostos.

Não existe outro caminho concreto e por isso não adianta o Ministério da Economia estimar que a reforma tributária possa causar, por si, elevação dos níveis de consumo.

AJUDA EMERGENCIAL – Para o IPEA, o recuo de 15,4% na renda do trabalho acarretou uma perda da ordem de 34 bilhões de reais. A reportagem acentua que a queda da renda só não foi maior em decorrência do abono de emergência de 600 reais mensais pago a 65 milhões de brasileiros.

Daqui para frente com a redução desse abono, a renda produzida pelos salários vai diminuir ainda mais. Afinal de contas os desembolsos do governo somaram 50 bilhões de reais a cada mês. Com a retração salarial, para o IPEA não há sinal de queda do nível de desemprego.

Mas chamo atenção também sobre 682 mil fraudes que custaram 42 bilhões de reais no trimestre. O sistema revelou-se altamente vulnerável. Até assalariados de classe média formaram nas filas para receber o produto de uma fraude.

O RIO E BOLSONARO – O repórter Felipe Grinberg, também na edição de hoje de O Globo, assinala que o governador interino do RJ, Cláudio Castro, está tentando marcar audiência com o presidente Bolsonaro para tratar do prazo de renovação do regime de recuperação fiscal.

O prazo limite acaba sábado próximo. A prestação a ser paga pelo estado do Rio de Janeiro é de 1 bilhão e 800 milhões de reais. Se o prazo não for estendido o pagamento do funcionalismo fica ameaçado.

Politicamente é uma oportunidade para Bolsonaro estender sua campanha de reeleição no segundo maior colégio eleitoral no país. Portanto, interessa a ele divulgar sua decisão, uma vez que o assunto é vital para a população carioca e fluminense.

2 thoughts on “Recuperar crescimento da economia fica mais difícil, porque a renda do trabalho caiu 15%

  1. Por que o articulista não expressou sua esperança de que seria melhor que não houvesse acordo algum e que o funcionalismo se danasse, pois assim todos se revoltariam e não haveria dividendos eleitorais ?

    Seria mais honesto.

  2. O grande e experiente Jornalista Sr. PEDRO DO COUTTO informa que a Renda do Trabalho ( Massa Salarial) caiu 15% nos últimos 12 meses, com isso dificultando a retomada do crescimento pós-Pico da Pandemia Covid-19, concordamos.
    Perdeu-se um Poder de Compra de 15% de +-40% do PIB de R$ 7.000 Bi = R$ 420 Bi.
    Mas está sendo injetado +- R$ 400 Bi em Auxílio Emergencial. Aqui praticamente uma perda é compensada com um ganho emergencial.
    A partir de 2021/Jan haverá o “Renda Brasil”.

    O 1º e mais potente motor do crescimento Econômico/EMPREGO é o gasto das Famílias e esse com Salários – 15% + Renda Emergencial complementado pelo CRÉDITO que agora tem “Juros mais baixos”, devem gerar um Empuxo bom.
    Há Demanda reprimida em Imóveis Residenciais, Indústria Automobilística, Linha Branca, etc. O CRÉDITO a Juros mais baixos, faz maravilhas.

    O 2º motor é o INVESTIMENTO das Empresas que mesmo com grande capacidade ociosa, com os Juros Básicos Negativos, vão Investir no Negócio, mais do que o Normal. Também algumas Concessões Públicas, Estradas/Aeroportos/ Portos, etc, trarão Investimento.

    O 3º motor é o INVESTIMENTO PÚBLICO, que com o Orçamento de Guerra anti-Covid-19/2020 e provavelmente 2021, que permitem “furar o Teto”, será lançado o “Plano Pró-Brasil” de iniciais R$ 130 Bi do Gen. BRAGA NETTO de finalização de Obras já iniciadas e paradas.

    O 4º motor são as Exportações Líquidas que com o US$ Dollar valorizado em +- 35% no último ano, estão aumentando.

    Apesar da Recessão +- 6% do PIB induzido pela Doença Contagiosa, o Governo BOLSONARO/MOURÃO deve obter recuperação Econômica maior do que a estimada.

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