Recuperar o crescimento do PIB representa o grande desafio para Temer

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Charge do Ivan Cabral (ivancabral.com)

Pedro do Coutto

De fato, retomar o crescimento do Produto Interno Bruto, que vem de dois recuos em 2015 e 2016, é o grande desafio que o governo Michel Temer tem pela frente, sobretudo como forma de recuperação da economia e refortalecimento do mercado de emprego. Em 2016, o PIB recuou 3,6%. No ano anterior 2015 o recuo foi de 3,8%. Nesses dois anos a população cresceu em torno de 2% e assim passamos a ter um produto menor a ser dividido por uma população maior. Resultado: a renda per capita retraiu-se, refletindo no mercado de emprego, cujo problema cresceu.

O próprio presidente da República sustentou que a meta do governo é retomar o crescimento econômico assegurando a expansão do mercado de trabalho. A dificuldade baseia-se, assim, na compatibilização de um programa de investimentos capaz de sustentar-se, sem um programa de financiamento capaz de onerar a capacidade de investir. Verifica-se um desafio muito grande, resultado da crise econômica que teve sua origem no governo Dilma Rousseff.

REFORMA DA PREVIDÊNCIA – A dificuldade maior será enfrentar essa crise ao lado da reforma da Previdência, sobretudo nos termos em que está colocada, criando-se obstáculos a obtenção do seguro social, não mais condicionada ao tempo de serviço e contribuição, mas pelo que tem sido publicado nos jornais, à base de uma idade mínima de 65 anos.  Um complicador, sem dúvida, para que tal direito seja plenamente alcançado. Isso de um lado.

De outro, como compatibilizar a redução dos encargos previdenciários com os direitos dos trabalhadores e trabalhadoras? É preciso levar-se em conta as jornadas de trabalho realizadas fora dos empregos, como é o caso da mão de obra feminina nas atividades domésticas, incluindo a assistência às famílias. Mas não é apenas esta questão. A atividade produtiva não se esgota aí. Há também tarefas complementares que precisam ser levadas em conta.

É necessário observar também a diferença que resultará da aposentadoria até agora em vigor e aquela que vai vigorar após aprovada a reforma desejada pelo Planalto.

MAIS OBSTÁCULOS – Num momento em que a preocupação é retomar o crescimento perdido em 2015 e 2016 no PIB, crescem em importância também os obstáculos que virão se somar em consequência de uma reforma previdenciária inevitavelmente mais restritiva do que as condições hoje existentes.

Logicamente, a renda das famílias vai se encolher e esse fenômeno proporcionará como consequência um fator impeditivo na retomada do próprio processo econômico e social. Assim, o desafio de o desenvolvimento reagir favoravelmente à tendência registrada em 2015 e 2016 tornar-se-á naturalmente mais difícil. O desafio aí está.

6 thoughts on “Recuperar o crescimento do PIB representa o grande desafio para Temer

  1. O grande e experiente Jornalista Sr. PEDRO DO COUTTO, voltando das férias, analisa o grande desafio do Governo TEMER/MEIRELLES de acabar com a Recessão ainda este ano de 2017, e das possibilidades de crescermos sustentadamente a partir daí.
    A receita clássica nesses casos, para sair rapidamente de uma Recessão, é aumentar o Deficit/Endividamento Público (Keynesianismo), mas o Governo anterior, Presids. LULA/DILMA já haviam esgotado esse caminho, perderam o Investment Grade,e outros Grades, etc, e aplicar a teoria Keynesiana agora seria o fim do Plano Real e a explosão da Inflação. Volta da Década perdida dos anos 90`.
    Teve o Governo TREMER/MEIRELLES que tomar o caminho mais difícil que é: em cima de uma Recessão, fazer Reformas Dialogadas envolvendo a queda do Deficit Público e logo na frente, +- 4 anos, estabilização e redução relativa ao PIB, da Dívida Pública.
    1- Teto da Despesa Pública ( Já aprovada ),
    2- Reforma Dialogada da Previdência,
    3- Reforma Dialogada das Leis Trabalhistas,
    4-Reforma Dialogada Tributária (simplificações),
    ……………
    A meu ver, o Governo TEMER/MEIRELLES no meio das turbulências Políticas ( Operação Lava Jato e similares, etc, que a longo Prazo causarão grande Lucro à Nação, mas a curto Prazo causam grande Prejuízo), tem feito um bom trabalho:
    Redução da Inflação de +- 12%aa/2016 para +- 4,5%aa/2017 (Centro da Meta), possibilitando queda do Juro Básico SELIC de 13%aa para +- 8,5%aa até o fim do ano, e com isso queda dos juros Comerciais proporcionalmente, Redução do Déficit Público Primário que em 2016 foi de -R$ 180 Bi; em 2017 – R$ 139 Bi ; em 2018 ZERO; e a partir de 2019 Superávits Primários.
    O resumo disso tudo é dado pelo termômetro CDS ( Credit Default Swap) que é a Taxa de Seguro da Dívida Pública Brasileira que caiu de +- 8%aa no fim do Governo DILMA, para +- 3,25%aa no momento.

    Depois dessas Reformas Dialogadas Estabilizadoras, o crescimento será seguro e sustentado. Ainda estamos em Recessão, mas no “fundo do poço, devemos estar tocando o piso”, e a partir do final de 2017 começaremos a crescer. Não fossem as turbulências Políticas, teríamos ganho pelo menos 1 ano.
    E o crescimento se dará ativando-se nossa principal Indústria que é a Construção Civil ( Privada e Pública) que já produziu +- 800.000 Aps/Casas/lojas em 2010, e hoje produz +- 400.000 Aps/Casas/lojas; nossa 2ª maior Indústria que é a automobilística que já produziu +- 4.000.000 Automóveis/2010 e hoje produz +- 2.300.000 Automóveis/Ano, em 3º nosso Agro-Negócio que vem batendo records, produzindo 205 Milhões de Toneladas de grãos( 2015), 220 Milhões ( 2016) e que deve produzir 230 Milhões (2018), e assim proporcionalmente. Ajuda muito a média recuperação de Preços de nossas principais Commodities em 2016, depois das grandes quedas de 2010.

    É uma tarefa dificílima estabilizar um grande Transatlântico que rumava célere em direção ao Iceberg e colocá-lo em rota segura, mas a nosso ver, está sendo feito.

  2. É uma pena que Ninguém mais comentou sobre esse importante Artigo do grande e experiente Jornalista Sr. PEDRO DO COUTTO: “Recuperar o crescimento do PIB representa o grande desafio para TEMER”.
    Mesmo sendo “chato” retomo a análise:

    Há consenso em que: Para se sair da Recessão não se podendo aplicar Medidas anti-Cíclicas Keynesianas ( aumento maior de deficit/endividamento Público), devem se fazer as “Reformas Dialogadas”, para ir reduzindo o Deficit Primário até passarmos a Superavit Primário e após, redução da Dívida Pública em relação ao PIB. Caso contrário Inflação crescente até a galopante, com fim do Plano Real.

    Reformas:
    1- Teto de Despesas Públicas ( Já aprovado).

    2- Reforma Dialogada da Previdência:
    A- Previdência Urbana (INSS) que tinha Superavit até 2015, com a Recessão/Renúncia Previdenciária, etc, teve Deficit em 2016 de -R$ 46,8 Bi.
    B- Previdência Rural
    Teve Deficit de -R$ 103,7 Bi. em 2016.
    C- Previdência de Funcionários Públicos Civis e Militares.
    Teve Deficit de -R$ 77,15 Bi. em 2016.
    Total do Deficit Previdenciário………..-R$ 227,65 Bi.
    Tudo com viés de alta.

    É necessário dialogar sobre isso, porque sem Estabilidade Fiscal a longo Prazo, iremos seguramente ” a breca”.
    Pelos números vemos que os que tem que aportar maiores contribuições são os Rurais, depois os Funcionários Civis/Militares, e por último os Urbanos. Os URBANOS do INSS são os que menos oneram o Sistema tendo até o ano passado, aportado Superavits. Tudo isso deve ser discutido. Agora, a Idade Mínima para as 3 categorias, com Pedágio de Transição, não tem “escapatória”.
    3- Reforma Dialogada das Leis Trabalhistas.
    É errado pensar que uma lei Trabalhista que dê “grandes Direitos Trabalhistas” e dificulte muito a dispensa de Trabalhadores, é benéfica para os Trabalhadores. Se não, era só “dobrar, triplicar” o Salário Mínimo e estaria tudo resolvido. A boa Lei Trabalhista é aquela que INCENTIVE o Emprego e permita ganhos de Produtividade que aumentem o Salário Médio de forma SUSTENTADA. Só haverá bons Salários havendo abundância de Emprego. Nossa atual Lei Trabalhista CLT, em muitos pontos, principalmente burocráticos, trava a criação de Empregos. Precisa ser debatido tudo isso.

    4- Reforma Dialogada Tributária.
    Principalmente no sentido da SIMPLIFICAÇÃO. Nosso Código Tributário e Regulamentação são complexos gerando dúvidas, etc. Quando Petrobras SA, Bradesco SA, Gerdau SA, etc, etc, tem grandes questões Tributárias na Justiça, alguma coisa não está certa.

    Todos dizem que o crescimento Econômico “colocará tudo nos eixos”, mas sem essas Reformas Dialogadas, dificilmente ARRANCAREMOS.

    Tenho impressão de que o Congresso Nacional está ciente da importância dessas Reformas Dialogadas e com as emendas necessárias, Aprova-las-á.

  3. Mestre Bortolotto,

    Um pedido teu é uma ordem para mim.

    Comento o artigo do jornalista em questão, mas a matéria está com um certo atraso, a meu ver.

    Temer deveria a partir do momento que assumiu o governo, em agosto de 2016, portanto, há sete meses, ter consigo um Plano de Governo mínimo que fosse para diminuir o desemprego, os juros extorsivos, a recessão econômica.

    Não, a preocupação de Temer foi com a política, e nomear assessores que estavam envolvidos em crimes os mais diversos.

    Houve muita perda de tempo de lá para cá, a ponto de ontem terem sido publicados os pires resultados da nossa história com esta situaçãop caótica na economia.

    Desta forma, quando ouço que Meirelles pretende aumentar impostos para o povo, e não leio nada referente a participação dos parlamentares e juízes com seus salários irreais, se confrontados com o salário mínimo – Temer é o primeiro a desobedecer o teto máximo para o servidor público -, decididamente esses artigos por melhor que sejam escritos de nada adiantam!

    Pedro do Coutto poderia fazer coro conosco e pleitear que o Brasil se abrisse para licitações estrangeiras, pois as empresas nacionais maiores estão enredadas em corrupção, e rasgar o Brasil em ferrovias, rodovias – que tal aqueles milhares de caminhões parados ao longo de uma rodovia federal, mestre Bortolotto, e em pleno século XXI -, pontes, elevadas, viadutos, túneis, e colocar esta gente desempregada para trabalhar e render!

    Sinceramente, se não fosse o teu lamento, eu não iria comentar o texto, apesar da excelência de Pedro do Coutto, mas pelos ouvidos moucos de um governo tão corrupto e incompetente quanto ao PT!

    Um forte abraço, mestre Bortolotto, extensivo à tua esposa neste Dia em homenagem às mulheres.

  4. Prezado Sr. FRANCISCO BENDL, também meu Mestre.

    A isonomia Salarial dos Funcionários Públicos (altos Salários para certas Carreiras de Estado, etc) deve ser também discutida pela Sociedade. O bom exemplo tem que vir de cima.
    A nosso ver, a melhor solução seria a aplicação de uma alta alíquota especial de Imposto de Renda na Fonte para Funcionários.
    Não haveria problema de um alto Funcionário ganhar R$ 200.000/mês desde que fosse descontado de Imposto de Renda na Fonte em R$ 170.000. E assim por diante. Abrs.

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