Redução de preços do diesel e gasolina mostra que presidente da Petrobras está balançando

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Charge do Duke (dukechargista.com.br)

Carlos Newton

Temos amigos e informantes que moram em Brasília e garantem que a Tribuna da Internet tem boa leitura naquelas plagas. Nesta terça-feira, dia 14, um deles ligou e fez a seguinte brincadeira: “Soube que a TI vai ser patrocinada pela Federação Nacional dos Caminhoneiros”. Eu repliquei que a informação não tinha cabimento, porque não conhecemos ninguém na Federação nem nos Sindicatos. Ele então explicou que os caminhoneiros estão muito satisfeitos conosco, por causa da redução do preço do diesel e da gasolina em 3%, e eles atribuem essa surpreendente decisão governamental ao artigo publicado aqui na TI mostrando que não há justificativa para os altos preços cobrados pelos derivados no Brasil, porque a Petrobras já é uma das melhores petroleiras do mundo, ocupando a quarta posição do ranking, com produtividade superada apenas pelas estatais da Arábia Saudita (Aramco), Irã (NIOC) e Iraque (Maysan), e bem à frente de outros grandes produtores, como Rússia, Venezuela e Canadá.

É claro que a redução de preços pode ter sido mera coincidência, mas o fato concreto é que este é o primeiro ajuste nos preços dos combustíveis após o início da crise entre Estados Unidos e Irã, que começou devido à morte do líder da Guarda Revolucionária Iraniana, em um ataque desfechado pelas Forças Armadas norte-americanas.

GRANDE SURPRESA – Como se sabe, no início da crise os preços do petróleo chegaram a registrar forte subida, o presidente Bolsonaro até mandou a Petrobras criar uma maneira de evitar grandes reajustes devido às altas inesperadas no mercado internacional. Desta vez, esperava-se um aumento, é claro, mas nesta segunda-feira, dia 13, houve uma grande surpresa, pois o que ocorreu foi a redução de 3% nos preços do diesel e da gasolina, uma decisão que verdadeiramente não é usual.

No Brasil, é muito raro ver algum preço ser reduzido voluntariamente. Aliás, é preciso destacar que a Petrobras não deu a menor justificativa nem fez comentário na nota oficial que anunciou os novos preços, como se estivesse agindo a contragosto, porque tudo é possível neste país da piada pronta.

Se a carga tributária fosse limitada a 10% e a Petrobras adotasse em suas refinarias seu custo real de produção, o consumidor brasileiro estaria pagando no posto apenas R$ 2,50 pelo litro de diesel e R$ 2,42 pelo litro de gasolina”, publicou a TI nesta segunda-feira, acrescentando que, para baixar os preços, a Petrobras teria de mudar a insana política de refino e parar de comprar óleo diesel dos Estados Unidos, que é um dos maiores escândalos ainda a serem devassados na estatal.

MERA COINCIDÊNCIA – Depois dessa queda nos preços do diesel e da gasolina, só falta agora o governo brasileiro convidar o ator Leonardo DiCaprio, o Príncipe Charles e outros filantropos famosos para visitar o país e conhecer mais de perto nossa bem-sucedida política de recuperação do meio ambiente, para apoiar também a decisão de multar os proprietários rurais usando fotos de satélites, que ainda está em fase de preparação, conforme a Tribuna da Internet noticiou nesta terça-feira.

Se o governo de fato convidar essas personalidades internacionais para apoiar nossa política ambiental, aí realmente saberemos se é tudo mera coincidência ou se a Tribuna da Internet está sendo mesmo lida em Brasília, especialmente no Planalto.

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P.S.Ainda segundo nosso informante na capital, a redução dos preços do diesel e da gasolina demonstra que o presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco, não está mais com aquela bola toda. A decisão foi tomada por pressão direta do Planalto (leia-se Jair Bolsonaro e Augusto Heleno), contra a vontade do dirigente da estatal, que só se preocupa em aumentar os lucros da companhia e pouco está ligando para os interesses nacionais. (C.N.) 

32 thoughts on “Redução de preços do diesel e gasolina mostra que presidente da Petrobras está balançando

  1. Muito interessante o artigo postado.
    Sou oriundo da indústria de petróleo, onde inclusive estou embarcando, realizando projeto de exploração de petróleo para a empresa Francesa (Total).
    Realmente o custo de produção aqui no pré-sal é bem baixo, muito além do que estudamos na faculdade nos idos de 2013, porém, embora o pré-sal já venha dando bons frutos no aumento de produção nacional; o petróleo extraído daqui não é processado por nós, pois não temos refinaria para refino de petróleo leve.
    Nossas refinarias (muitas sucateadas), refinam petróleo pesado, proveniente da Bacia de Campos (grande geradora de petróleo brasileiro).
    Tínhamos muito para dar uma alavancada em nossa produção e refino, porém com o sucateamento do Comperj e Abreu e Lima, continuamos INDO DO NADA AO LUGAR NENHUM,
    Infelizmente, em nosso país, as obras são com fins eleitoreiros. Nossos governantes não fazem plano de desenvolvimento a longo prazo.
    E continuamos nessa “marolinha”.

    • Humm. Acho que há um engano. O petróleo oriundo do pre-sal tem um grau API de 27° (médio). Então, esse petróleo é bem apropriado às nossas refinarias.

      Nossas refinarias não estão preparadas ao petróleo pesado (<22 API), que essencialmente é extraído da bacia de campos (tem que ser misturado com petróleo mais leve para ser processado). Aliás, o preço do petróleo leve é maior se comparado ao petróleo pesado (por isso uma parte é exportada).

      A maioria da produção de petróleo, hoje, vem do pre-sal ( e é processado por nossas refinarias).

  2. Os preços da Petrobrás estão certos. O que não está certo é o imposto hediondo que se cobra sobre combustíveis que chegam a quase, PASMEM, 62%
    Nos EUA o imposto fica em 7% e no Chile 19%.

    Esse papo de ficar culpando a Petrobrás pelos preços é coisa de bobo.

    O problema é o nosso estado socialista da corrente fascista copiado da Itália de Mussolini, e que por isso controla tudo.

    O capitalismo livre, verdadeiro, regulado pelo mercado, assim como a democracia na política, não existe. É puro teatro.

        • A perfeição não existe, mas o que se tem de mais próximo do capitalismo livre ,livre mercado, na democracia, está nos EUA.

          Os princípios de capitalismo surgiram quando o Homem aprendeu a armazenar o que lhe sobrava de seu trabalho.
          O que ele plantava e colhia era totalmente dele. Com o estado, surge as distorções, que não são tantas (impostos aceitáveis) como as nos países como os EUA, mas se agravam socialismo fascista inaugurado por Mussolini e que serviu de modelo para nós (impostos absurdos) e piora ainda mais no socialismo-comunista (impostos sobre quase o total da renda do trabalhador, que por isso acaba como escravo de países que adotam esse regime)

          • Quer dizer que nos EUA existe o capitalismo livre? Uma empresa, por exemplo, pode contratar livremente uma pessoa de outro país?

            Queres dizer que um país livre de impostos seria o país do capitalismo livre?
            O que dizes do deficit monumental na balança comercial dos EUA?
            A democracia nos EUA é perfeita ou é como em outros países? Imperfeita.

            Mario Jr., conheces a historia do capitalismo? Eia um link interessante sobre isso. É bem resumido.

            http://controversia.com.br/nao-e-gracas-ao-capitalismo-que-estamos-vivendo-mais-mas-gracas-a-politicas-progressistas/?fbclid=IwAR1TLyIW1RhFbBZnFDombtV3xpBmil3a5JL-am-g0GYNLB1N5c3w6dujU7o

          • Capitalismo com um mínimo de interferência do estado, que não inibe a produção é o que eu coloquei .
            Já a questão de leis que regulam empregos é outro assunto, que existe em qualquer regime político,como poder ou não se contratar trabalhadores de outros países, assim como superavit ou deficit que é um problema de administração da máquina pública.
            Enfim, o capitalismo (produção e comércio) é inerente à nossa natureza, mas sofre distorções com a interferência do estado: total no comunismo, um pouco menor no fascismo, e bem pouco numa democracia capitalista.

          • Ps. Especialistas do Instituto Mises dos EUA criticam muito o capitalismo americano no sentido dessas distorções, defendendo a ideia de que ele poderia ser ainda mais livre.

          • Caro Vidal, o que caracteriza o socialismo é a presença do estado no controle da economia.
            No socialismo-comunismo o controle é total.
            No socialismo-fascista o controle também é total com as estatais, mas liberalizando a criação de empresas privadas, que também ficam a mercê dele, por uma legislação que as tornam suas reféns.

            Enfim, com essas legislações altamente restritivas, impostos abusivos, transporte e energia cara, etc, tornam a produção cara para o consumidor e sem condição de concorrer com produtos do resto do mundo.

          • Mario Jr.,
            acho que deves te atualizar, referentemente a esses teus conceitos. Socialismo-comunismo? Socialismo-fascista?
            O controle da economia através de estatais?

            O que são essas ideologias?

            Cingapura e China não possuem, por acaso, um grande número de estatais?

            Por falar em China, os EUA vão retirar o rótulo de manipuladora de câmbio da China, mas manter a pecha à Alemanha, Japão, Coreia, Vietnam e outros países. Claro, tudo pela guerra comercial.

            PS. Leste o artigo do Instituto Mises que coloquei num post acima?

          • Prezado Vidal, no socialismo-comunista o controle da economia é total com a produção toda estatal.O nosso regime é o socialista-fascista, com o estado com estais, mas liberando espaço para empresas privadas, contudo sob o controle sufocante do estado.

            Enfim, a discussão aqui é sobre o capitalismo e suas interferências que o enfraquecem através de regimes políticos.

            O capitalismo com a menor interferência é o que produz melhores resultados. A história está aí para não nos deixar mentir.
            Claro, não existe o capitalismo puro.
            O resto, quanto ás discussões colocadas nos endereços que vc colocou são questões administrativas de estados, que , como sempre , cometem muitos equívocos como aponta o instituto Mises.

          • Caro Mario Jr. e Jose Vidal … continuando de outro dia, tá legal?

            Após Smith, Ricardo etc lançarem as bases do liberalismo (antes era estatal – KKK pois os empreendimentos dependiam de alvará real) … o capitalismo foi se tornando do tipo selvagem (pois os reis foram perdendo poder para a burguesia).

            Foi quando Engels e Marx apresentaram suas objeções ao Capital (outros também apresentaram).

            E a Igreja Católica Romana também apresentou a Doutrina Social da Igreja … procurando um meio de campo em que Governo, Empresários e Trabalhadores se entendessem … sem haver a exploração do capitalista nem a sujeição ao Estado!!!

            O porém é que terminou em ditaduras as experiências do fascismo, do nazismo e outras … só o New Deal é que foi democrático.

            Abração.

  3. Não existem cálculos para informar a quantidade de petróleo já extraído desde o início do século XX.

    Se considerarmos as guerras desde a Primeira até esta, da Síria, o que já foi transformado em gasolina, óleo diesel, plásticos, gás de cozinha …
    a minha pergunta é uma só:
    Não estaria o planeta correndo o risco de implodir?!

    Quantas dessas correntes de petróleo já foram extintas?!
    Quantas que estão vazias, ocas, e que bodem ocasionar desabamentos nessas profundidades imensas?
    Por acaso, eu estaria delirando?

    Com a palavra, algum geólogo de plantão, para admitir o que penso ou afirmar que sou um doido.

    • Bendl, pelo que sei, o petróleo não é como um rio. Ele se deposita em rochas porosas. Quando extraído é substituído pela água.
      Já o petróleo extraído das areas betuminosas, como nos EUA e Canadá (num processo chamado cracking) parece ser mais danoso ao meio ambiente.
      Abração e saúde.

      • Vidal, meu caro,

        Grato pelas informações.
        Mas, convenhamos, já retiramos alguma quantidade de óleo do subsolo.

        O surpreendente é a quantidade que ainda existe de petróleo!

        Abraço.
        Saúde.

        • Prezado Francisco,
          Além do petróleo ser produzido de rochas porosas com alguma rigidez, como os arenitos tão usados nas calçadas do Sul do Brasil e os carbonatos (como o famoso travertino italiano), é praxe a injeção de água e/ou gás para recomposição dos vazios.

  4. Uau parabéns caro CN este blog então está servindo para alguma coisa. Os poucos com um pingo de bom senso e alguma influência junto ao boçal , assopraram no ouvido dele de que a política de preços dos combustíveis, praticadas pela estatal do petróleo é ótima, para os seus acionistas. E só.

  5. Já observei diversas vezes que quando os combustíveis baixam, não demora muitos dias para vir uma alta para compensar a baixa e uma boa tacada a mais.Pra mim é golpe no consumidor que está chegando.

  6. Eu que trabalho na Petrobras, na área de produção, não entendo como funciona a política de preços da companhia, os leigos que aqui comentam querem dar seus pitacos e tentar explicar o assunto. Pelo menos o interesse destes é de só se fazerem de “entendidos”. Diferente do Sr. Carlos Newton que é comunista e seu interesse neste texto é só plantar mais um conflito no governo Bolsonaro. Derrubar mais um ministro é o “Quanto pior melhor”.

  7. O Ponto do artigo foi a queda dos valores tanto no diesel qanto na gasolina e O Sr Tavares mostrou o caminho , porque o Brasil Não refina seu proprio Oleo bruto, pesado ou leve com tanta capacidade os engenheiros da Petrobras tirariam de letra montando essas refinarias ou , sera que e da mais lucro pra alguns espertos vender o Oleo bruto e comprar do exterior os produtos refinados como o Diesel e a Gasolina. porque sera que o governo nao faz o contrario, extrai o Oleo e refine seu derivados, e melhore a economia brasileira com empregos necessarios ou sera que o governo prefere cobrar mais impostos altos pra sustentar os politicos da atualidade?

    • Caro Luiz,
      Seus questionamentos são de suma lucidez.
      É notório que somos “cerceados”, por sermos uma filial “americana” (eles jamais deixarão nos tornarmos independentes, pois nos controlarão, para continuarmos sendo o país dos commodities).
      Veja o exemplo do Etanol. Temos terras suficientes para nossa auto suficiência no combustível, e aí vai a pergunta: por quê importamos tanto Etanol americados? Foram importados 750 milhões de litros em 2019 (sem contar que são isentos de taxas de importação, enquanto nossos produtores e uzineiros, vivem na falência.
      Hoje, o Comperj, que deveria ser um marco na indústria de refino de petróleo, para não virar “fiasco” absoluto, estão planejando fazer uma Termoelétrica (com o gás natural produzido no país) ou uma produtora de lubrificantes.
      E isso só será feito, por pressão da empresa chinesa que colocou dinheiro lá, porque senão, os equipamentos investidos seriam vendidos em ferro-velho.
      Triste realidade de um país sem planejamento de longo prazo.

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