Reestatização da YPF é uma decisão soberana argentina, afirma Patriota

Elza Fiúza

O ministro das Relações Exteriores, Antônio Patriota, é enfático ao analisar a reestatização da petrolífera YPF, anunciada pelo governo argentino nesta semana. Trata-se de uma “decisão soberana argentina”, definiu o chanceler.

Questionado a respeito da situação das empresas brasileiras em território argentino, Patriota afirmou que o governo brasileiro está “monitorando a situação”. “Acompanharemos de perto os desenvolvimentos dessa história que obviamente nos interessa muito”, completou o chanceler, que citou o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, em seu discurso.“Sobre a decisão argentina, não tenho muito o que acrescentar em relação à manifestação do Ministro Edson Lobão”, disse.

Na terça-feira, Lobão comentou a decisão da presidente argentina, Cristina Kirchner, e ressaltou a soberania do país na questão.“Cada país tem a sua soberania e tem o direito de tomar as suas decisões, seguramente dentro da legislação nacional de cada um”, apontou Lobão em audiência pública no Senado.

O ministro ainda rechaçou a ideia de que a decisão argentina poderia assustar o Brasil, por conta da presença da Petrobras no país vizinho.“Não creio que haja qualquer problema fundamental com a Petrobras na Argentina. Nós temos uma rede de postos de distribuição de combustíveis de 79 unidades e exploração de petróleo e nós seguiremos na normalidade”, disse.

Patriota também afastou a possibilidade de um abalo nas relações entre o Brasil e Europa por conta da decisão argentina. “Não tenho razões para me preocupar com o impacto dessa decisão” nas relações entre o bloco europeu e os brasileiros.

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NO CONGRESSO

O projeto argentino de expropriar 51% das ações da YPF, filial da espanhola Repsol no país, foi anunciado segunda-feira (16) pela presidente Cristina Kirchner. A proposta será votada  no Congresso, onde governo tem maioria.

A decisão causou polêmica e foi criticada pela Espanha e pela União Europeia. O governo argentino afirma que o projeto foi motivado pela queda na produção da empresa, decorrente da falta de investimentos.“Desde que a YPF foi desnacionalizada, pela primeira vez, em 2011, a Argentina se converteu em importadora de gás e petróleo, com um déficit de 3,02 bilhões de dólares. Somos o único país da América Latina, e quase do mundo, que não administra seus recursos naturais”, afirmou Cristina durante o anúncio.

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