Reflexões a propósito da privatização das empresas do setor elétrico.

Roberto Nascimento

O jornalista Carlos Chagas lembra que o cidadão comum fica indignado e sofre prejuízos quando, de repente, falta energia em sua residência ou em seu local de trabalho.

“Se o indigitado vinha trabalhando há dias num texto de grande importância e, em um minuto, a falta de luz atinge e queima seu computador, perdeu tudo. E vai reclamar para quem? As companhias de eletricidade encontrarão mil desculpas, quase todas fajutas, para justificar a interrupção. Um urubu bateu no transformador. Um raio caiu nas linhas de transmissão…”, critica Chagas, acrescentando:

“Um dia, no futuro, essas desídias serão punidas, porque no fundo de tudo trata-se de descaso e incompetência diante das comunidades que pagam imposto e honram as contas de luz, já que a contrapartida é o corte imediato. À primeira falta de energia, demissão dos diretores dessas companhias. Na outra, afastamento dos governantes…”

É muito oportuna a indignação do Chagas em relação aos serviços prestados pelas concessionárias de eletricidade. Aliás, importante salientar que todas foram privatizadas durante o governo tucano neoliberal.

O BNDES, bancão denominado hospital das empresas privadas, divulgou com dinheiro público uma campanha na televisão para afirmar que as empresas estatais eram mastodontes. Aparecia um elefante para atestar que a estrutura era pesada e difícil de carregar, ou seja, faltava dinheiro para a saúde, inclusive foi criado um imposto para financiá-la (CPMF), contudo os recursos jorravam para mostrar a sociedade que suas próprias empresas não prestavam.

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LIGHT

No Rio de Janeiro, a empresa de eletricidade cumpria seu papel de empresa pública federal, não se via bueiros explodindo, os bairros da Zona Sul não ficavam as escuras por horas a fio e ainda por cima dava lucro.

Entretanto, o governo de então recebeu a incumbência de desmontar as estruturas do Estado para torná-lo o menor possível para que o Brasil pudesse receber os empréstimos externos destinados a financiar o desenvolvimento. Outras recomendações foram executadas como a criação das Agências Reguladoras, diminuindo-se a influência da regulação do Estado através dos Ministérios e até a criação do Ministério da Defesa para reduzir o poder dos comandantes militares e afastá-los das reuniões ministeriais.

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SOBERANIA

Nossos governantes não aprenderam, que o que vem de fora é só casca de banana objetivando travar o desenvolvimento da nação. A privatização do setor elétrico se transformou em um tiro no pé, o qual o governo não sabe mais o que fazer para consertar. Primeiro, porque reestatizar seria reconhecer o fracasso da privataria; e segundo, porque teria de haver um aporte de recursos públicos para garantir a confiabilidade no sistema.

Enquanto isso, os consumidores terão que conviver com apagões, bueiros indo pelos ares e computadores queimando.

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OS CONSUMIDORES DECIDEM

Não é nenhum Big Brother, entretanto, os fatos expostos acima deveriam servir para uma reflexão sobre o ataque sem trégua da mídia e da elite favorável às privatizações.

Nem tudo que é privado é bom, meus senhores que defendem que tudo passe para as mãos da inicitiva privada. Esse tema lançado por Carlos Chagas é um bom exemplo. Existem outros, mas o espaço é curto.

Alea jacta est no rumo das privatizações. E assim caminha a humanidade.

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