Reflexões de comentaristas sobre capitalismo, marxismo, socialismo e espiritualismo

Enio Castiglioni

Se o capitalismo “criou seguridade social e o estado de bem-estar social, a participação nos lucros e vai erradicar a miséria”, seria bom dizer onde ele fez e pretende fazer tudo isso sem deixar de ser capitalismo. E se de fato fez, ou pretende fazer, não é mais aquele capitalismo ao qual se referia Marx.

Temos que nos lembrar da tirania das palavras. Como dizia Paul Samuelson, estabelecer o significado do termo, para depois puxar o papo. Se não mais é aquele capitalismo objeto das observações e dos estudos de Marx, deve ser então socialismo.

Aliás, não conheço nenhum partido capitalista no Brasil. Todos fogem de tal termo. Só alguns comentaristas aqui o exaltam. Mas na hora de angariar votos, não há um sequer que exiba esse termo capitalista. Por outro lado, muitos criticam o socialismo, dele têm medo, ou se sentem incomodados por ele. Mas usam o termo socialismo, como o famigerado e ultra-conservador PSDB. Diz que é partido socialista. Sabe que se declarar o que realmente é, ou seja, partido capitalista, vai perder ainda mais votos.

Marx tinha razão. Cada vez mais a ciência mostra que não existe mundo espiritual. A cosmologia moderna de fato começou com Darwin e Wallace. Diferente de qualquer um antes deles, eles forneceram explanação para nossa existência rejeitando agentes supernaturais. Darwin e Wallace estabeleceram padrões não somente para nossa existência, como para a própria cosmologia. Sugiro que os interessados busquem a obra de Victor Stenger “Deus a Hipótese Falida: Como a Ciência Mostra que Deus Não Existe” (publicada em 2007).

Não é por haver uma irredutível complexidade que temos que inventar a história de um criador que mostra outra irredutível impossibilidade, já que não foi criado. Gosto do lado socialista do fundador do socialismo há 2.000 anos.

Mas não dou a mínima importância para Jesus Cristo, que dizem que produzia milagres. Nem sequer acredito em justiça neste mundo ou em outro qualquer, de qualquer outra galáxia. E não me importa saber o que é certo e o que é errado. Jamais me preocupei com isto.

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HUMANIZAÇÃO DO CAPITALISMO?

Welinton Naveira e Silva

Humanização do capitalismo, coisa impossível. É complicado acreditar na humanização do capitalismo quando sabemos que existem no planeta mais de 3 bilhões de excluídos, com milhares de seres humanos morrendo de fome, na miséria total, vivendo em condições sub-humanas, em todos os tipos de favelas e guetos, mundo afora.

Pior, o número desses infelizes, nunca reduz e só vem aumentando. Fica complicado acreditar na humanização do capitalismo com todo mundo sempre correndo atrás da armas, quanto mais poderosas, devastadoras e terríveis, melhor. Bom mesmo são as poderosas armas nucleares (que só os dirigentes nacionalistas, inteligentes e de grande coragem, são capazes de construí-las).

É complicado acreditar na humanização do capitalismo, se a sociedade de consumo, pela sua própria natureza, produz cada vez mais siderais toneladas de lixos, de todos os tipos e variedades de poluentes e agentes de agressão e degradação ambiental, tornando o Planeta, cada vez mais imundo e poluído, rumando rapidamente para uma gigantesca catástrofe ambiental, quem sabe, levando a extinção da vida na Terra.

Como não bastasse tudo isso, sabemos que uma devastadora guerra nuclear poderá acontecer a qualquer momento, com a extinção da raça humana no Planeta. Tudo isso e muito mais, somente por causa do sistema capitalista, grande gerador de riquezas – é verdade – mas sempre acumuladas em mãos de poucos, regra essa, impossível de ser mudada, pela própria natureza e essência do sistema capitalista.

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MATERIALISMO E ESPIRITUALISMO

José Antonio

As convicções materialistas, bem como suas equivalentes espiritualistas, por si já são uma negação de genialidade. Nenhum aspirante a gênio tem essas certezas. Misturar metafísica com economia política não dá.

Já era tempo para que da tese do marxismo, com seus penduricalhos materialistas, a antítese expurgasse essas divagações fosfóricas, para que chegássemos à sintese de uma teoria econômica tecnicamente objetiva.

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INSTRUTIVO E APAIXONANTE..

José Reis Barata

“O Capitalismo evoluiu para melhor, criou a Seguridade Social e o Estado de Bem-Estar Social, a Participação nos Lucros etc., e dentro de algum tempo eliminará a miséria, (maior tragédia da Humanidade).”

Enquanto houve uma nítida preocupação com objetividade e história, foi instrutivo e apaixonante. Quando passou a epilogar profecias, me fez lembrar do personagem de Voltaire, Cândido, apaixonado por Cunegundes,confabulando com Cacambo:

– O que é otimismo? – perguntou Cacambo.
– É a maneira de sustentar que tudo está bem quando tudo está mal – suspirou Cândido. E derramava lágrimas ao contemplar o negro, e, assim chorando, entrou em Suriname.

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