Reflexões de Nascimento e Béja sobre a criminalidade no país

Roberto Nascimento

A diferença entre os corruptos brasileiros e os japoneses é que os do sol nascente têm vergonha e os nossos corruptos têm cara de pau. Quando são descobertos, os japoneses ficam consternados porque sabem que serão execrados pelos amigos e por suas famílias. Alguns chegam ao gesto extremo do suicídio, temendo a fama que não se extingue jamais. Enquanto aqui no Brasil, as penas para os corruptos são brandas e em pouco tempo eles ganham as ruas para executarem novas maracutaias com dinheiro público, lógico, que ninguém é de ferro.

A nossa justiça, baseada nos direitos constitucionais de ampla defesa e do contraditório, que só existem de fato para as elites de colarinho branco, enquanto milhares de pobres chegam aos presídios sem o devido processo legal e ninguém fala nada, pois bem, logo aparece um magistrado para através de uma liminar libertar os presos endinheirados.

Por essa razão, Pizzolatos et catervas, fogem para a Itália, para Mônaco e outros paraísos fiscais e vão leves e fagueiros curtir o produto do roubo praticado conta os cofres públicos.

O que provoca repulsa na sociedade é a sangria de recursos roubados e que poderiam compor o caixa da Educação e da Saúde visando o bem estar dos doentes e das nossas crianças, estas sim as maiores prejudicadas, pois as salas de aula estão imundas e sem o mobiliário necessário para a prática do ensino e os professores desestimulados pelo salário baixo, enfim, o Brasil não avança na Educação e na Tecnologia, pois poucos amealham fortunas, que não poderão gastar nem se chegassem aos mil anos de vida.

É isso aí, a individualidade chegou a um grau extremo, que pode causar a desagregação da sociedade, pois quando o inconsciente coletivo começa a formar a opinião de que o bom é cada um por si e quem não pratica a roubalheira é um otário de galocha, o caos começa a ser formado e qualquer estopim será o suficiente para explodir a democracia.

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AFROUXAMENTO DAS LEIS PENAIS

Jorge Béja

Perfeito, prezado Roberto Nascimento, seu comentário é abrangente e mostra a situação nacional. Consideremos, também, o afrouxamento da legislação penal. Com o passar dos anos, surgiram leis que levam a crer que o “crime compensa”, seja ele qual for. Cito um exemplo: desde 1940 que o Código Penal prevê pena de reclusão de 12 a 30 anos para o homicídio qualificado, isto é, aquele cometido por motivo fútil, mediante paga ou promessa de recompensa, motivo torpe, à traição, emboscada etc..

Raramente um homicida, que matou com aquelas qualificadoras do artigo 121, § 2º do Código Penal, é condenado na pena estabelecida do CP. E quando chega a ser, cumpre apenas 1/6 da pena e sai da prisão, que não regenera, mas torna o condenado mais perigoso. Tem, também, a chamada progressão de regime, do fechado para o semiaberto, deste para o aberto, deste para o domiciliar….

No Brasil, a fuga do condenado, ou a demora da captura de um criminoso, conta tempo para a prescrição da ação punitiva. Em outros países, como Portugal, não. Outro exemplo: está preso no Rio um natural da Nova Zelândia que estuprou um menor em seu país e, em seguida, matou o pai do adolescente estuprado. Condenado à prisão perpétua, conseguiu fugir para o Brasil, onde a polícia o encontrou hospedado em Santa Tereza, bairro do Rio. Se for pedida sua extradição, a Constituição Brasileira somente a autoriza se a Justiça da Nova Zelândia reduzir a pena de prisão perpétua para pena de prisão de 4 a 12 anos!!!! Isto porque no Brasil não existe a pena de prisão perpétua, situação que permitirá que o tal sujeito passe a residir no Brasil, ou melhor, no Rio de Janeiro, cidade que escolheu para fugir de seu país.

5 thoughts on “Reflexões de Nascimento e Béja sobre a criminalidade no país

  1. por falar em criminalidade: o BARBA-DELATOR-DEDODURO, também conhecido como O FUJÃO, quem dá notícias dele?

    os MAVs deviam informar, ainda que seja para justificar o dinheiro desonesto que recebem.

  2. Dividir um texto com o jurista e humanista Jorge Béja significa a certeza de que a vida valeu a pena, até porque no dizer de Fernando Pessoa: “Tudo vale a pena, quando a alma não é pequena”.

    Hoje a meia-noite, pelo menos nove empreiteiros serão colocados em liberdade. A prisão temporária tem o interstício de tempo de cinco dias, que podem ser prorrogados ou não pelo magistrado federal.

    Nunca antes neste país, tantos empreiteiros foram presos para prestarem depoimento sobre a formação de cartel e supostas propinas oferecidas aos agentes públicos. A história não dá saltos, antes avança lentamente, porém, produz os seus efeitos no inconsciente coletivo. A simples perspectiva da prisão está assustando o mundo político e empresarial. Na raiz da corrupção está o financiamento de campanha e as sobras que são enviadas para contas secretas nos paraísos fiscais.

    A certeza da impunidade, antes cantada em verso e prosa, se transformou em verdadeiro temor ou um terremoto que poderá levar a prisão grandes figuras da República e ainda arranhar reputações de antigas vestais do Legislativo e da nata do empresariado.

    Diante dos fatos estarrecedores dos últimos dias, impõe-se o fim do financiamento privado nas campanhas políticas, cujos efeitos imediatos serão uma oxigenação da política e a eleição de representantes do arco da sociedade no Parlamento a partir de 2018, pois o Parlamento que iniciará em 2015 já está perdido. Ao invés do comando do Poder Legislativo ficar sob o controle do setor produtivo (os girondinos da Revolução Francesa), o espaço será dividido com os jacobinos. O terceiro Estado se fará presente, equilibrando o “tour de force” no palco do Senado e da Câmara Federal.

    Caminhamos lentamente , mas progressivamente rumo a democracia. Esperamos, então, que não haja espaço para nenhum retrocesso, no momento em que as portas do paraíso se abrem para permitir a entrada dos cidadãos no cenário da vida democrática.

  3. Sr. ROBERTO NASCIMENTO, seu artigo é um alento, acompanhado do Dr. Béja, nos acalenta o coração na ESPERANÇA, de ver essa CORRUPÇÃO desenfreada, não digo acabar, pois, há seres humanos sem dignidade, que alçam postos na Administração Pública. A Srª Justiça, conforme Dr. Béja relata, tem que mudar, como está, só beneficia os poderosos -politiqueiros e financeiros, enquanto os 3Ps, amargam cadeia, por roubaram ” a galinha” para matar a fome dos filhos pelo desemprego e miséria em que está colocado, como resultado do roubo e má administração do “BEM PÚBLICO”.
    Peço em particular à proteção de DEUS para o JUIZ MORO, como exemplo de “SER: J U I Z, iluminando-o, para resgatar o Brasil dessa podridão nos 3 Poderes da República, e a EQUIPE, principalmente dos Policiais Federais, que o Ministro da Justiça que punir, por estarem cumprindo seu DEVER, com a desculpa de em “caráter particular” elogiar à “oposição”.
    Só nos resta confiar em DEUS, que escreve certo por linhas tortas, que sua Misericórdia baixe mais uma vez sobre o BRASIL.

  4. Isso tudo sem contar com a lembrança de Carlos Chagas hoje da “afirmação do presidente do Supremo Tribunal Federal, Ricardo Lewandowski, de que o tempo da Justiça é diferente do tempo do Congresso”.

    Assim, a coisa fica difícil!

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