Reflexões sobre a construção de uma nova liderança

Sandra Starling

Os mais jovens não conhecem famoso episódio ocorrido nas manifestações estudantis dos anos 60, quando Nelson Rodrigues, que se autointitulava “reacionário”, declarou sobre o líder (de esquerda) Vladimir Palmeira: “Não sei o que será desse jovem: mas esse é um homem”.

Apesar de toda a celeuma que acabei causando por conta das declarações que havia feito sobre como seria meu voto no segundo turno, vou correr, mais uma vez, o risco de ser mal compreendida, pois vou resumir o que me escreveu um jovem empresário.

Esse jovem, que leu meu artigo sobre os gregos – chegando a procurar saber o que era para os atenienses a palavra “idiotia” –, ficou possesso contra os que me acusaram de ter chamado de “idiotas” os que votavam em Dilma Rousseff. Certamente, o candidato dele era Aécio Neves.

Em suas reflexões, afastou a ideia de fraude eleitoral e reconheceu a vitória da maioria (palavras suas): “Sim, dentro dos critérios eleitorais, o PT é o grande vencedor das eleições para presidente em 2014. Qualquer discordância em relação a isso é choro de perdedor, pois as urnas falaram isso. E viva a democracia!”

MENSAGEM A MINAS

Mais adiante, ponderou que a oposição ainda precisa concluir que Aécio não traiu Serra, quando este perdeu em 2010, e que, no segundo maior colégio eleitoral do Brasil, faz-se necessário um trabalho de passar a mensagem oposicionista a Minas inteira. “Vejo”, disse ele, “uma série de mensagens nas redes sociais dizendo que ‘o nordestino vota no PT, depois se muda para o Sudeste para trabalhar e ganhar dinheiro’. Novamente discordo”, concluiu.

E mais: “O PT no Nordeste está alinhado ao que há de mais podre e repugnante na política: os Renans, os Collors, os Sarneys e outros, todos, evidentemente, filiados ao PMDB, que agora cumpre o triste papel de coadjuvante das maracutaias e falcatruas de qualquer que seja o governo, seja ele do PT ou do PSDB. Com base nesses apoios, o PT tornou-se refém dessa política, e nesse novo mandato isso será ainda mais evidente, ficando mais difícil governar para o povo”.

HORA DA OPOSIÇÃO

Para esse jovem, “a hora da oposição é agora, aliando-se a novas lideranças locais. Vi”, disse ele, “na campanha do Aécio, um discurso muito preocupado em converter eleitores petistas de classes mais elevadas, quando na verdade a mensagem precisava ser levada aos eleitores de classes menos favorecidas”.

“Já que somos uma Federação, temos a obrigação de tratar a população de norte a sul, de leste a oeste, com o mesmo respeito e com a mesma consideração. Esses comentários ‘de que não vou mais ao Nordeste gastar meu dinheiro’ deveriam ser evitados; as pessoas de oposição deveriam ir mais ao Nordeste para escutar as pessoas de lá e ajudar a passar a mensagem de oposição ao PT”.

Diante dessas palavras – que mal sintetizei, pois foram muitas e muitas mais –, ouso afirmar: aí pode estar uma nova liderança política, mesmo que não venha a ser do partido que apoiarei.

3 thoughts on “Reflexões sobre a construção de uma nova liderança

  1. A articulista aos poucos, me parece que entra em uma área política muito cinzenta…

    Sei não…
    Com todo respeito, deixou de ser original… está, cada vez mais para mata-borrão, para não dizer que tornou-se emérita enxuga gelo.

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