Reflexões sobre a economia brasileira e o crescimento da dívida pública

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Charge do Paixão, reprodução da Gazeta do Povo

Flávio José Bortolotto

O governo de um país só tem três maneiras de financiar sua despesa crescente: 1- Aumentar sua carga tributária; 2- Elevar sua dívida vendendo no open market títulos de dívida pública; 3- Emissão pura e simples de moeda ( dinheiro-papel) via Casa da Moeda/importação de papel-moeda. A economia brasileira está com carga tributária de 37% do PIB, a mais alta entre países emergentes e dos BRICS, portanto em Dominância Tributária (que é quando se aumenta a carga tributária e se arrecada menos, só aumentando a recessão/desemprego).

Se emitirmos moeda, pura e simplesmente como já fizemos muitas vezes no passado, só vamos produzir mais e mais Inflação, tendendo a ficar na situação da Venezuela Bolivariana atual.

DEPENDÊNCIA – Só nos resta então ”não deixar faltar dinheiro para girar a dívida pública”, orçado conforme acima em R$ 581,4 Bi/2016, ou 9,28% do PIB. E essa dívida cada vez mais está sendo financiada com capital externo (já ultrapassa os 40% diretamente).

Depende muito dos juros internacionais, do câmbio e principalmente na confiança de que o governo vai pagar quando chegar a data do vencimento. Por isso nem falar em Auditoria da Dívida etc. Atualmente estamos totalmente dependentes do capital para giro da dívida pública.

É isto, ou voltarmos à inflação alta crescente.

LIBERDADE DE PREÇOS – Tem toda razão o articulista Francisco Bendl em condenar o governo federal, que corretamente permite liberdade de preços em mercados concorrenciais (por exemplo, nos postos de gasolina), e incorretamente também o faz em mercados não-concorrenciais, como o de crédito bancário, especialmente cartões de crédito.

Ora, o que se vê com liberdade de preços é: guerra de preços para baixo em mercados concorrenciais, e guerra de preços para cima em mercados não-concorrenciais. Um dos motivos dos juros abusivos é que o próprio governo é proprietário de cerca de 50% do crédito bancário que circula no país, via Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, Bancos Regionais de Desenvolvimento Econômicos, Banrisul etc.,etc.

Os preços devem ser livres em mercados concorrenciais, e rigorosamente controlados em mercados não-concorrenciais como o crédito bancário.

10 thoughts on “Reflexões sobre a economia brasileira e o crescimento da dívida pública

  1. O que destrói este país é o desperdício de dinheiro público, é a sonegação fiscal, é a corrupção desenfreada, são as mordomias dos cargos de alto escalão em todos os 3 poderes, se quiserem que o Brasil cresça, não é fazendo maldades como arrocho a aposentados e pensionistas, não é a miséria que é o salário mínimo, não é criando impostos, não é benesses a empresas privadas, não é os juros abusivos praticados no país, onde a classe mais sofrida alimenta a ganância dos bancos privados e oficiais, mas para fazer a mudança certa não será neste governo e quem sabe possa ser no próximo, porque este que está aí segue tudo que os outros seguiram.

  2. Caro Flávio José Bartolotto,
    Se o governo brasileiro lançasse mão da metade das reservas cambiais, que rendem juros insignificantes com relação a nossa taxa Selic, poderia dar um grande passo para colocar o país nos trilhos. Diga-se de passagem, o Brasil mantendo a metade das reservas cambiais nos EUA, que não é pouco, não prejudicaria em nada o Brasil.

  3. Prezado Sr. NÉLIO JACOB,

    Seus bons Comentários sempre são eivados de Bom Senso. Embora as Reservas em US $ Dollar sejam um “Seguro” de que nosso Governo honrará seus compromissos, sem o qual ( Seguro) os Capitais “evaporam para fora”, também acho que com cuidado se poderia lançar mão de pelo menos 1/3 de nossas Reservas de +- US$ 380 Bi, ainda mais depois do bom resultado da “Repatriação de US$ Dollares no exterior não declarados” que rendeu +- US$ 150 Bi, o que gerou imediatamente Receita Governamental ( 10% Multa + 20% Imposto) de +- US$ 50 Bi ou X R$ 3,30 = R$ 165 Bi, quase o nosso Deficit Primário/2016 de R$ 170 Bi.
    Abrs.

    • Caro Bortolotto,
      Agradeço a sua explicação, mas com apenas uma parte do dinheiro das reserva cambiais, a outra parte continuaria como seguro. Com parte das reservas cambias, o governo precisaria desse capital externo, que entra num dia e sai no outro, levando um pouco da nossa economia? a pergunta que faço é como aluno, pois em matéria de economia sou fraco..
      Desculpe a demora,é que,sempre sou obrigado a parar por motivos maiores.

      • Prezado Sr. NÉLIO JACOB,

        É uma honra trocar ideias com o senhor. A meu ver, o senhor tem toda razão em opinar que o Governo “com cuidado” lance mão de uma parte das Reservas de US$ 380 Bi para financiar obras de infra-estruturas, etc, para sair da Recessão.
        Digamos que usasse 1/3 das Reservas ou US$ 126,66 Bi, deixando como “Seguro”, Reservas de US$ 214 Bi.

        A meu ver não deveria usar esses Recursos para amortizar a Dívida Pública, mas para sair da Recessão.

        Mas mesmo assim é pouco Dinheiro.
        Em 2017 necessitaremos vender Títulos Públicos para suprir Juros +- R$ 512 Bi. + R$ 800 Bi de Títulos que vencem em 2017 e temos que “girar”, então necessitamos de R$ 1.312 Bi . !/3 das Reservas = R$ 418 Bi. Precisamos do Capital Interno/Externo que vem girar a nossa Dívida Pública.
        Só para comparar, nossa Tributação Federal toda não passa muito de R$ 1.400 Bi.
        Nossa Dívida Pública além de girada a Juros muito altos tem Prazo curtíssimo de pouco mais de 4 anos. É uma loucura esse Prazo. Abração.

  4. Mestre Bortolotto,

    Teus artigos são preciosos para mim, que os arquivo em pasta especial, de modo a aprender um pouco sobre esta nossa complexa economia!

    Evidente que, complicada, difícil, pelas inúmeras variáveis aplicadas em cálculos que deveriam ser simples, transparentes, e evitassem as pedaladas fiscais, artifícios encontrados pelos governantes para maquiarem a realidade financeira do Brasil.

    Por outro lado, utiliza-se um liberalismo somente contra o povo, ou seja, a exploração é livre para as instituições financeiras poderem cobrar os juros que entenderem pertinentes à sua ganância, ao lucro desmedido, independente de, paulatinamente, matar a galinha dos ovos de ouro, o povo brasileiro, alquebrado, costas curvadas pelo peso excessivo e insuportável de uma carga tributária extremamente injusta, corroborada por alícotas do Imposto de Renda absolutamente extravagantes e indecentes sobre SALÁRIOS!

    Certamente quanto mais artigos desta natureza, escritos por pessoas do teu nível, mestre Bortolotto, explicando didaticamente os emaranhados de cálculos e de problemas insolúveis que hoje acompanham a rotina do cidadão, que mais ainda o deixam pessimista a respeito de encontramos soluções para a recessão, desemprego, inadimplência, juros extorsivos, crise política e incompetência do Executivo, agravadas pela corrupção INSTITUCIONALIZADA, mais nos atualizamos e sabemos sobre a real situação brasileira.

    Meus aplausos para o texto, e meus agradecimentos pelas informações nele contidas, mestre Bortolotto.

    Um forte abraço.
    Saúde e Paz!

  5. Prezado Sr. FRANCISCO BENDL, também meu Mestre.

    Cada Pessoa gosta mais de um ramo do Conhecimento do que de outro. Eu gosto muito de Economia Política, o que não quer dizer que eu saiba muito de Economia Política. Nossos Mestres dizem que ela é uma ” Ciência Simples, mas que não é fácil “, porque se compõe de 10% de Teoria, e 90% Psicologia. Talvez eu saiba um pouco de Teoria, mas de Psicologia Humana, que é imensamente vasta……

    Mas o senhor tem toda razão quando critica essa Política Econômica Pró-Financeira que privilegia o Capital Financeiro em detrimento do TRABALHO, ( Economia Real Produtiva), e descarrega o seu Custo maior sobre as costas do elo mais fraco da corrente: Trabalhadores não qualificados/Aposentados/Pensionistas).

    É o caso dos Juros Comerciais, especialmente o Rotativos do Cartão da Crédito, que deu origem a seu Artigo. O Governo contraiu o CRÉDITO BANCÁRIO ( Dinheiro que gira na Economia) em +- 35% do nível de 2012. É lógico que com Juros já altos, uma contração brutal dessas iria elevá-los muito mais ainda como aconteceu. Deveria o Banco Central ter aplicados Limite Superior nesse Mercado Não Concorrencial e ainda por cima em brutal contração. E além de impor Limite superior, deveria ter ampliado o CRÉDITO mesmo com Recessão.
    Abração.

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