Reflexões sobre a ligação entre política e religião, num país como o Brasil, e as críticas do senador Magno Malta ao governo.

Francisco Bendl

Um dos maiores e legítimos líderes que já se viu, Gandhi, dizia sobre religião e política, dentre tantas frases, o seguinte: “Minha devoção à verdade empurrou-me para a política; e posso dizer, sem a mínima hesitação e também com toda a humildade, que não entendem nada de religião aqueles que afirmam que ela nada tem a ver com a política.”

Não querendo discordar do senhor Carlos Carwab, porque o estado é laico, indiscutivelmente, esses assuntos não podem ser separados haja vista que religião faz política e, a política, em certos momentos, substitui a religião.

A democracia, igualmente, enseja ao debate sobre esta questão, mas se tornam inócuos, infrutíferos, pois os representantes de cada segmento da sociedade vão defender suas opiniões, o que pensam seus eleitores, aqueles que lhes concedem votos necessários para impedir ou permitir mudanças na forma de se governar o país.

Acrescentemos a falta de cultura do brasileiro, a inexistência de leitura, os poucos que lêem jornais, que rejeitam qualquer questão relativa à fé, ao que lhes dizem os padres, pastores, rabinos, emires, pais de santo, espiritualistas, enfim, o poder que a crença ainda tem junto à maioria da população.

Eu acredito que religião e política estão umbilicalmente ligadas, como irmãos siameses e um cérebro apenas, portanto, inseparáveis. No entanto, a bancada evangélica e os que não são seguidores dessa corrente religiosa, certamente concordariam em ser implantado no Brasil um planejamento familiar sério, adequado às populações de cada Estado da Federação, um controle de natalidade com base em anticoncepcionais e fiscalização permanente de nossas autoridades sanitárias, independente do pensamento a respeito do que pode ou não ser feito sobre nascimentos indesejáveis, aborto, homossexualismo, cotas raciais e assim por diante.

Mas os políticos não abordam esses assuntos com a coragem devida, com honestidade de propósito, com isenção e preocupação com o povo, mas cuidados apenas com votos que poderão se perder ou obter.

O senador Magno Malta pelo menos é autêntico nas suas convicções, mesmo que tenha de ir de encontro ao pensamento da maioria e o torna uma espécie de voz oposicionista para esses assuntos, mas somente com este tema, a religião.

Não vejo a sua voz se erguer contra os desmandos, a corrupção, os desvios de verbas, superfaturamentos, licitações com cartas marcadas, loteamento de secretarias, distribuição de ministérios, diretores que são nomeados para cada sala e corredor do Congresso, os altos impostos e taxas que pagamos, que nos colocam como a população que tem a maior carga tributária do planeta, enfim, um festival de irregularidades e desonestidades jamais vistas na História Republicana Brasileira.

Se, o senador se torna um tipo de líder da oposição, vamos e venhamos, ele não só e fraco para esta função, como deixa a desejar no que diz respeito aos outros filhos de Deus, que não são evangélicos, mas, como o seu povo, também sofrem as consequências quanto às deficiências, ineficiências e incapacidades governamentais em todos os âmbitos do poder público.

Mas ele cumpre o seu papel, pelo menos. E os outros, que não representam corrente religiosa alguma e também não se preocupam com seus eleitores, a não ser consigo mesmos?!

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