Reflexões sobre as cotas raciais e a situação do negro no Brasil

Antonio Santos Aquino

O jurista Heleno Fragoso, depois da “lei de vadiagem” promulgada por Carlos Lacerda aqui no Rio na época da ditadura. Cunhou uma frase que depois reproduziu em livro: A polícia só prende preto(negro), puta e pobre (os três PPP). Isso ficou introjetado no inconciênte dos intelectuais, principalmente os que estudavam direito, passando a ser uma verdade absoluta, mas não é.

Fala-se em maioria de negros pardos. O que é pardo? Uma designação usada pela elite que contraria nossas tradições e costumes.Pardo é algo sem definição. Nossa tradição diz: filho de indio e branco é mameluco, há muito esquecido, filho de branco e negro é mulato, filho de indio e negro é cafuzo.

Fala-se em um só ministro negro, não é verdade. Em 1902 foi nomeado o primeiro ministro negro do STF em 1912 o segundo (procurem nos anais). Presidente, tivemos Nilo Peçanha mulato. Governadores: aqui no Rio de Janeiro: Benedita da Silva (PT); Espirito Santo, Albuino Azeredo (PDT); Rio Grande do Sul, Alceu Colares (PDT).

Em 1902 foi gravado o primeiro disco no Brasil. O lundu “Isto é Bom”, composição de Xisto Baia, cantado pelo popular Baiano – um negro, outro mulato. Machado de Assis, mulato fundador da Academia Brasileira de letras em 1897; Gustavo Lacerda, fundador da ABI em 1908.

Ficaria aqui 24 horas, respeitosamente, provando que quem enfeia e desmerece o povo brasileiro são só intelectuais que se empanturraram da cultura americana sem conhecer seu país. Falam em cotas, que é a mais brutal desqualificação dos descendentes de negros. Faz crer que são coitadinhos, pobres de intelecto e que precisam passar, ajudados pela generosidade do estado. No momento, fico aqui.

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