Reflexões sobre as críticas à Psicanálise e os inegáveis acertos de sua prática

Os poetas e os filósofos descobriram o... Sigmund FreudChristian Cardoso

Inicialmente, parabenizamos o Dr. Ednei Freitas por iniciar essa rica discussão sobre a relevância da obra de Sigmund Freud, com todos seus prós e contras… Sem pretensão de esgotar qualquer tema, de fato, Freud é considerado o “Pai da Psicanálise”. Seu trabalho influenciou muitas linhas psicanalíticas, direta ou indiretamente, e marcou a psicologia.

Mas, também, foi objeto de reservas. Por exemplo, K. Popper indicava que o conjunto de conjecturas freudianas se apoiava em teses “ad hoc” como a do Mito de Édipo. A assunção dogmática de pontos de partida como este permitiria ao edifício freudiano se “imunizar” contra a crítica científica… Em resposta, Freud (médico, de formação), tentou empreender a elaboração de uma “metapsicologia” em que se explicitasse os fundamentos do conjunto de assunções de suas teses…

ÊXITOS TERAPÊUTICOS – Voltando às relações entre psicanálise e ciência, importante notar que em momento algum deixamos de reconhecer mérito nos êxitos terapêuticos das diversas linhas da psicanálise, hoje bastante desenvolvidas ao redor do mundo, passando por Freud, Lacan, Winnicott, Heidegger/Boss, Deleuze, Gaiarsa, Rosenberg e dezenas (talvez, centenas!) de outros teóricos.

Pessoalmente, entre outras teorias, admiro e considero notáveis os resultados obtidos pela gigante Nise da Silveira, a qual desenvolveu seus trabalhos tendo a obra de Jung como um dos seus eixos teóricos.

Enfim, independentemente da corrente em questão, reconheço que os resultados em termos de ganho para os pacientes são elementos que pesam em favor da psicanálise.

COMO UMA CIÊNCIA – Se a psicanálise puder ser explicitada em termos de conhecimento perscrutável ao observador externo (ao invés de constituir um “locus” acessível somente ao intérprete privilegiado), oportunizando a terceiros o aprendizado através da abordagem crítica de seu conteúdo e, consequentemente, o compartilhamento desse conhecimento, tanto melhor. Aliás, isto é um corolário da pretensão que o Sr. veicula ao afirmar que busca um estatuto de ciência para a psicanálise.

De fato, Popper dirigiu reparos à cientificidade da obra de Freud. Cumpre lembrar que o objeto da crítica era a obra (teoria formalizada proposicionalmente), não a pessoa de Freud (embora não venha ao caso, incidentalmente, registra-se que as famílias de ambos nutriam amizade na Viena da virada do séc. XIX para o séc. XX). Se tais críticas procedem, penso que cabe à totalidade da comunidade destinatária das proposições (ao gênero humano) avaliar se as mesmas merecem, ou não, alguma acolhida.

POPPER E FREUD – O Sr. observa que Popper cometera o erro filosófico de desqualificar a psicanálise enquanto ciência. Ainda, como o Sr. bem lembrou, o erro está imbricado no processo de crescimento do conhecimento. Nesse sentido, longe de idealizar Freud, Popper, ou qualquer outro ser humano (falível/passível de erro), penso que a crítica feita por Popper à psicanálise de inícios do século XX possa (e deva) também ser “criticada” para que, à luz dos problemas encontrados, das soluções para esses problemas, e de outras teorias com maior alcance explanatório, seja possível o avanço do conhecimento (e quiçá, o aproveitamento deste por parte da humanidade, implicando em maiores níveis de dignidade para a totalidade da espécie).

Dizemos o mesmo quanto às críticas popperianas em face do marxismo (clássico à Escola de Frankfurt), ao imperialismo lógico do Círculo de Viena, à ciência revolucionária de Kuhn, entre outras. Pois, como o próprio Popper afirmara, é preferível que nossas teorias morram, em vez de nós, no lugar delas!

29 thoughts on “Reflexões sobre as críticas à Psicanálise e os inegáveis acertos de sua prática

  1. ALICE ATRÁS DO ESPELHO

    1. Introdução

    2. Nas próprias palavras de Freud

    1. introdução

    A articulação sobre o comportamento das organizações. Aqui está um tópico que foi objeto de estudo por muitos teóricos, mas talvez ainda não o suficiente. O título deste ensaio foi escolhido, como ponto de partida e ao mesmo tempo como gatilho, para pensar e produzir idéias que giram em torno do tema do curso: o ego e sua influência nas organizações.

    Sigmund Freud. Reprimido, sexual, pervertido; controverso, sem dúvida. Se tomado estritamente, provavelmente inaceitável. Mas com o gigantesco mérito de ter aberto toda uma nova área de reflexão. O teórico austríaco, baseado em um forte treinamento em ciências naturais, alcançou uma articulação das análises da realidade social e individual; que ele dotou de um fascínio muito particular. Muito criticado, perseguido até o fim; no entanto, seu trabalho serviu como ponto de partida para muitos outros desenvolvimentos.

    Os humanos têm o dom de serem pegos na teia de suas próprias criações.

    Neste trabalho, abordo algumas das maneiras pelas quais isso ocorre, analisando a ideia de organizações como entidades psíquicas. Essa metáfora associa a ideia de que as organizações são um fenômeno psíquico, no sentido de que são criadas e operadas por pessoas e, finalmente, por seus processos conscientes e inconscientes; com a noção de que as pessoas podem ser realmente influenciadas ou limitadas por imagens , idéias, pensamentos e ações a que esses processos dão origem. A metáfora nos encoraja a entender que, embora as organizações possam ser realidades socialmente construídas, essas construções são geralmente atribuídas a uma existência e poder em si mesmas que lhes permitem exercer uma certa medida de controle sobre seus colaboradores.

    A seguir, um ensaio sobre suas obras psicanalíticas, publicado pela primeira vez em 1900, onde um dos eixos de pensamento é abordado : o inconsciente.

    2. Nas próprias palavras de Freud :

    “Nasci em 6 de maio de 1856 em Freiberg, Morávia, uma pequena cidade localizada na atual Tchecoslováquia. Meus pais eram judeus e eu mesmo continuava sendo judeu”.

    Aos quatro anos de idade, Freud chegou a Viena, onde mais tarde estudou medicina , até se formar em 1881. A amizade de Freud com Joseph Breuer, o ano que ele passou na França com Charcot, estudando técnicas de hipnotismo, que parecia muito limitado , e seu retorno ao lado de Breuer, com quem ele desenvolveu em conjunto uma técnica catártica, baseada em “confessar”, foram passos anteriores para seu trabalho psicanalítico.

    Embora Freud não tenha estabelecido nenhum princípio definido em seu trabalho brilhante e divertido, podemos deduzir certos conceitos fundamentais, de importância teórica suficiente para construir princípios sobre o comportamento humano.

    Princípio do prazer: o conceito não é usado aqui em uma conotação hedonista e filosófica; que é um “dever” buscar o prazer, mas, na conotação psicológica mais ampla, é usado que o que motiva todo ato é o desejo de prazer e, até certo ponto, evitar a dor. Por esse motivo, neste ensaio, o papel do homem é fazer e manter as coisas o mais agradável possível.

    Princípio da realidade: o homem não apenas busca o prazer, mas está limitado por limites reais, que o aconselham a adiar um prazer imediato em favor de um prazer futuro mais importante. Nesse caso, você ainda está buscando prazer, mas também é realista e cria uma ordem hierárquica de prazeres; os prazeres futuros que você considera mais importantes têm precedência sobre os prazeres atuais que você considera menos importantes.

    Princípio da redução de tensão: sua relação com os princípios anteriores é evidente quando se entende a necessidade de algum mecanismo ir de um extremo ao outro da realidade e do desejo, principalmente quando estes, em suas formas mais avançadas, conflitam.

    Consequentemente, o princípio freudiano considera que o homem ficará tenso quando dois interesses diametralmente opostos o puxarem.

    Princípio da polaridade ou dualidade: observe a existência de duas forças opostas sempre presentes na vida do homem. Portanto, tudo o que pertence à vida se manifesta em duas qualidades diferentes.

    Princípio da repetição compulsiva: aborda o papel do hábito no comportamento humano. Uma vez que o ser humano se acostuma a fazer algo de uma certa maneira, ele tende a repetir a atividade de maneira muito semelhante, até conseguir fazê-lo sem muita atenção consciente. E como essa maneira de enfrentar os problemas é tão completamente fixa, o homem a segue, levando ou não ao sucesso . 

    Em seu Moisés e o monoteísmo, Freud diz:

    “A compulsão à repetição busca reviver o trauma psíquico na realidade – viver mais uma vez sua repetição”; Se foi um relacionamento afetivo inicial, é revivido em um relacionamento análogo com outra pessoa ou entidade. O que nos leva a generalizar o conceito em um senso de comportamento que cria hábitos.

    Cada um desses princípios interage dentro da mesma pessoa, no entanto, para tentar descrever a personalidade de um indivíduo e de uma organização , é necessário muito mais do que os princípios descritos acima. Passamos a descrever o que o homem faz quando exercita sua personalidade, a explicar por que ele age como ele mesmo. A dinâmica do comportamento é composta por três entidades:

    O id: essa entidade conhece apenas o princípio do prazer e não está interessada em mais nada. É este o assunto cru e essencial, selvagem, indisciplinado, hedônico que energiza o homem ao longo da vida. Dá ao homem a vontade de seguir em frente e aciona todos os outros sistemas de energia que poderiam ser impostos a ele. Apesar de sua propensão a tomar qualquer direção que ele quiser, o id deve se adaptar a outros sistemas; Essa adaptação requer o princípio de polaridade e outro de redução de tensão.

    Como Freud aponta:

    “Damos o nome à mais antiga das agências mentais ou províncias. Ele contém todo o material hereditário, o que está presente no nascimento, o que é fixado na própria constituição biológica – acima de tudo, portanto, os instintos são originam-se na organização somática e encontram sua primeira expressão mental no id “.

    O ego: presumivelmente, se o id original fosse deixado à mercê de seus próprios recursos , ele se destruiria. É necessário observar sua energia e direcioná-la para a conquista tão total quanto às demandas da vida permitirem, sem se permitir destruir a si mesmo. O ego cumpre essas funções , seguindo o princípio da realidade. O ego é a parte organizada do id, sem julgamentos de valor ético; ele apenas procura meios para que o id alcance seu objetivo sem se destruir.

    O superego: Freud, nunca o chamou de consciência , porém está mais próximo do que qualquer outro desse conceito. O superego internaliza; constitui o braço ético-moral da personalidade. Somente quando ele desenvolve um superego dentro de si mesmo, o homem adquire um pleno desenvolvimento de sua personalidade. É idealista, não é realista e procura a perfeição.

    Libido: faz parte da estrutura do id, que busca se gratificar com atividades sexuais. Como o apetite sexual prevalece em um sentido orgânico, como outros apetites, eles obviamente são um fator na composição física de todas as pessoas. O leitor comum ou o público em geral deve tomar cuidado para não distorcer o conteúdo desse conceito ao considerá-lo natural. predominantemente sexual ou genital. Em um sentido mais amplo, é feita referência à energia que mantém seres humanos e organizações “vivos”. Eles correm livremente pelo corpo, isso permite que ele seja espontâneo diante das mudanças e da própria vida; “emocionalmente” flexível às circunstâncias e capaz de se entregar livremente à análise de seus próprios processos.

    Como já vimos, o ego é um componente da personalidade. Também vimos que o homem quer permanecer feliz, embora entenda que certas realidades da vida podem adiar sua felicidade. Para enfrentar as vicissitudes da vida cotidiana, que não levam em conta o seu ego, o homem deve se defender contra o mundo externo; em alguns casos, mesmo contra si mesmo. Essa defesa se torna mecânica , dada a tendência à compulsão à repetição. Uma característica principal de um mecanismo de defesa do ego é que ele não entra no estado consciente do raciocínio, mas trabalha no inconsciente.
    Da mesma forma, o mecanismo de defesa pode distorcer a realidade e até negá-la.

    Os principais mecanismos de defesa são: repressão, racionalização, reação formativa, projeção, fixação, negação, deslocamento, sublimação, idealização.

    Pouco se pode fazer com a abordagem freudiana da personalidade sem incorporar ao sistema descritivo alguma explicação dos estados conscientes. É fácil se enredar em uma posição semântica em termos conscientes e inconscientes, na medida em que o desejo de inventar novas palavras é experimentado. No entanto, toda posição freudiana está relacionada à crença de que eles existem no estado mental do homem, algo oposto ao estado consciente. Em vez de discutir se o inconsciente ou o consciente existem ou não, e como é abusado, vou dedicar esforços para descrever o que Freud quis dizer com ele.

    Consciente: é uma parte mental da qual você está plenamente consciente. Estar ciente permite que você saiba onde está, o que está acontecendo ao seu redor, quem você é, como fazer o que está fazendo a qualquer momento.

    Preconsciente: a entidade que está abaixo ou fora da consciência, mas que não se opõe necessariamente ao termo consciente. À descrição anterior, devem ser adicionados os processos mentais inatos que são amplamente autônomos por natureza, mesmo quando requerem algum esforço mental. As funções físicas e sensoriais e os processos da organização ocorrem no inconsciente.

    Inconsciente: Freud diz que em algum lugar da vida mental do homem pode haver um estado que explica coisas que a mente não pode compreender em um determinado momento, mas que já experimentou no passado. Tal estado é o inconsciente, o armazém mental do passado do homem e seu playground no presente.

    Até agora, tendo feito uma breve visão geral dos fundamentos teóricos da psicanálise , vou me concentrar em compará-los com as entidades organizacionais.

    O id está na base da pirâmide organizacional, composta da base operacional. É a principal base da organização – personalidade – e suporta toda a estrutura. A camada inferior dos processos inconscientes, dos quais a organização depende, é fundamental para isso. Essa entidade é caracterizada pela realização de suas atividades de trabalho de maneira “inconsciente”, ou seja; funciona automaticamente, sem “enxergar” além de uma cadeia de atividades para as quais recebe um reforço positivo – monetário e / ou social -.
    Raramente os agentes conscientizam os regulamentos, eles sabem apenas que devem segui-lo e, se não o fizerem, terão um reforço negativo.

    O ego, responsável pela realidade, é separado pelo id pela pequena membrana do preconsciente. Isso atua mais como porteiro do que como repositório da atividade organizacional. É constituído pelo grupo “sanduíche” porque medeia as necessidades do nível operacional  e as demandas do perfeccionismo do grupo supervisor. Você só pode facilitar ou restringir a passagem de materiais e informações do pessoal operacional, mas não pode impor novas regras ao jogo .

    O superego, representado pelo grupo de gestão, dita as regras e regras a serem seguidas pelo jogo, pelas outras entidades. Concentra-se na idealização de sua própria organização, mostra consciência de seus próprios processos e aceitou e internalizou a cultura em que atua.

    O centro de toda a estrutura organizacional é a filosofia organizacional – libido -, que se eleva no meio da organização, para diminuir no ápice do superego; Por esse motivo, a libido é o núcleo de grande parte do que acontece na organização e é afetada por ela. Todo o conjunto de valores , crenças e imagens que mantém a organização são determinados por essa essência organizacional, a parte não escrita dos manuais.

    Cercando toda a estrutura e protegendo-a da pressão e do atrito do mundo externo, há uma fachada de tijolos, uma estrutura física que mantém unida a cimentação dos mecanismos de defesa do ego.

    Consequentemente, embora as organizações – mecanismos de defesa – possam mudar sua aparência externa da estrutura, elas nunca alteram a estrutura fundamental de sua energia libidinal.

    As abordagens geradas durante este ensaio fornecem a base para uma compreensão mais completa da natureza e significado das organizações como fenômenos caracteristicamente humanos.
    Ao pensar nas organizações dessa maneira, estamos atentos às entidades que influenciam o comportamento das organizações e, além disso, ao nosso modo de pensar. E isso nos incentiva a reconhecer a importância de testar os pontos fortes e fracos das suposições que moldam a visão e o relacionamento de nossas organizações com o mundo exterior.

    A principal limitação desse tipo de abordagem organizacional é encontrada no fato de que a analogia aumenta o espectro de um mundo “freudiano”, onde tentamos manipular a mente dos outros.
    Como resultado do destaque do papel do inconsciente na organização, existe o perigo de muitos quererem encontrar maneiras de direcionar não apenas os comportamentos dos colaboradores, mas também o inconsciente.

    Eu não gostaria de concluir sem mencionar que, embora seja possível agir de maneira racional à existência e ao papel do inconsciente no cotidiano das organizações, o conhecimento do inconsciente não produzirá grandes reformas. A analogia apresentada promove um estilo muito útil de crítica de pensamento que pode nos ajudar a penetrar em muitas das complexidades da vida organizacional, mas nem sempre fornece respostas e soluções fáceis para os problemas que muitos esperam encontrar.

    • Mais vale tarde que nunca, como dizia o outro. Aproveito também para cumprimentar todos os intervenientes. Acrescento algumas observações à excelente discussão até agora entretida após as observações do meu querido amigo Prof. Dutra de Freitas sobre psicanálise.

      A resposta do Prof. Dutra de Freitas ao artigo do Sr. Cardoso tem o mérito, entre outros, de esclarecer postulados básicos nos quais assenta a pskicnálise, pelo menos a ortodoxa freudiana (porque depois de Freud a epistemologia psicanalítica sofreu outras direcções e reformulações). Estes postulados são autênticas categorias ônticas que ligam o ser e o aparecer do acontecer psicanalítico, desde o setting psicanalítico até às observações críticas sobre epistemologia da psicanálise.

      Sobre Popper gostava de relembrar que a epistemologia popperiana teve essencialemente, elo menos segundo alguns autores, três fases distintas: primeiro uma fase caracterizada por uma racionalidade científica onde se tenta demarcar aquilo que pertence à ciência e aquilo que não lhe pertence, depois uma fase de um racionalismo apelidado de “crítico” onde aparece o famoso conceito de “lógica situacional” e, finalmente, uma fase caracterizada por uma epistemologia dita evolucionária onde podemos notar o aparecimento da teoria dos três mundos (de que o Prof. Dutra falou e que é aplicada e discutida num dos seus artigos), assim como a ideia dos famosos “programas de pesquisa metafísica” onde seria, segundo Popper, colocada a psicanálise e eventualmente a teoria da selecção natural, de Darwin, numa espécie de cozedura pré-científica.

      Deixo aqui uma nota de chamada de atenção para aquilo que, pessoalmente, acho ser a melhor maneira de entendermos as críticas de Popper ao estatuto pretensamente científico (mas na verdade pseudo-científico) da psicanálise e que pode ser encontrado na sua crítica à interpretação dos sonhos, de Freud e, particularmente, na crítica feita à tese freudiana segundo a qual todo o sonho é uma realização de um ou mais desejos. Aqui: Popper, K. (1956/1997). O Realismo e o Objectivo da Ciência – Pós-escrito à lógica da descoberta científica (3 ed. Vol. I). Lisboa: Dom Quixote, pp. 182 e ss.

      Cumprimentos a todos
      Luís Barreiros

  2. Toda postagem, quando o assunto é Freud e/ou Psicanálise, aqui tem sucesso garantido. E, apesar de lembrar sempre, que não possui formação acadêmica, quem discorre e desdobra acerca do tema, de modo mais fecundo, é o nosso polímata, Francisco Bendl.

    • Dou-lhe razão, Sr. Paulo III , o Sr. Francisco Bendl é um polímata. Como Vossa Senhoria parece estar notando, a escrita teórica sobre psicanálise é difícil para o leitor leigo.

      Mas o Sr. Francisco Bendl, apesar de sua modéstia (descabida) discorre sobre vários assuntos com uma clareza invejável. Até mesmo nos textos que ele escreve sobre psicanálise – e ele diz que não é psicanalista !

      Com a mesma desenvoltura escreve, o Sr. Bendl, sobre política, sobre cultura. Pelo que ele informa, se não estou enganado, Bendl não chegou a fazer curso superior, mas sua escrita é digna de um doutor de verdade.

      Discorrer e entender sobre psicanálise é algo muito difícil. Para se chegar a ser psicanalista você precisa, antes, de ter sido formado em medicina (com especialidade de psiquiatria), provar que você têm clínica psiquiátrica por pelo menos dois anos, ou ser psicólogo com as mesmas exigências e submeter-se a uma seleção que pode autorizá-lo, ou não, a começar uma formação psicanalítica, e esta formação lhe obriga a ler toda a obra de Freud, de Melanie Klein, de Bion, entre outros autores, bem como você é obrigado a fazer a própria psicanálise com analista didata (função mais elevada numa formação psicanalítica) durante os seis anos do curso de formação.

      Mas Francisco Bendl, um auto-didata, supera esta barreira, e consegue escrever sobre Freud e sobre a psicanálise, dissecando o Id, o Ego e o Superego, de forma coloquial, bem ao alcance do leitor leigo. Isso denota inteligência superior, facilidade com a linguagem e uma compreensão de mundo invejável.

      Repito: Francisco Bendl é um polímata.

      • Sempre quando o Sr. Bendl faz sua ressalva, lembro-me de Thomas Alva Edison. Quantos cursos superiores Edison reuniu? Número inventos patenteados por ele?
        Como vivemos em uma sociedade meritocrática, muitas vezes, o indivíduo força por todos os meios para engendrar um diploma acadêmico – e assim passar a integrar uma plêiade que, aos olhos da sociedade, ele possa aparecer “insuspeito de quaisquer burrices”.
        Em conhecimentos acumulados somos cerca de 2.590 anos mais velhos que Pitágoras. -Quem sabe, atualmente, prevê eclipse, estimar o raio da terra, ou a distância entre nós e a lua; sem recorrer aos instrumentos que já entregam tudo mastigadinho?
        Entre os quatro conhecimentos humanos: religioso, filosófico, empírico e científico; apesar de o avanço deste último, ainda assim, creio que o empírico continua vogal: como elemento indissociável de um saber que é arrastado, irreversivel mente, para a interdisciplinaridade. Em boa ou má hora, o Coronavírus surgiu como um “Mister M”, para desmascarar alguns blefes.

      • Caro dr.Ednei Freitas,

        O senhor me deixou numa situação constrangedora, conforme o seu comentário a mim endereçado.
        Encontro-me muito distante dessa sua ideia a meu respeito.
        Meus conhecimentos são parcos, para eu não dizer ridículos; tenho plena consciência que sou um joão-ninguém, cujo apelido é “imortal” porque não tenho onde cair morto!

        Logo, apenas e tão somente, digo que sou um esforçado, e mais nada.

        No entanto, se algo tenho de interessante, afirmo que é a sede pelo saber, pela leitura, pela História e Filosofia.

        Caso o senhor ler a minha resposta em agradecimento ao Paulo III, entenderá as razões pelas quais gosto da psicanálise, e li um pouco, muito pouco, sobre Freud.

        O ser humano sempre me intrigou na suas mais variadas formas de viver, de entender a vida e a si mesmo.
        Evidente, de modo que eu pudesse elaborar meus pensamentos a respeito dessa multiplicidade de personalidades, eu deveria antes de mais nada, conhecer a mim mesmo!

        Quem sou?
        O que não fui?
        Por quê?
        Alegrias
        Frustrações
        Decepções
        Mágoas
        Relações conjugais
        Relações com os filhos
        Relações com parentes
        Relações com amigos
        Fui importante?
        Deixarei algum legado?
        Fui um líder ou tripulação?
        Leão ou ovelha?
        Um bom ou mau esposo?
        Bom ou mau pai?
        Bom ou mau avô?
        Bom ou mau como ser humano?
        Conquistei algo?
        Vivi com paixão?
        Amei?
        Fui amado?
        Fui solidário?
        Fui caridoso?
        Tive empatia?

        Perguntas que me faço até o dia de hoje, dr.Ednei, mas à época do táxi eu me preocupava mais.
        E pelo simples fato que eu lidava com o público, com o ser humano – melhor -, com a espécie humana!

        Atualmente me encontro preso em casa, no escritório, escrevendo, e indo à capital quase que semanalmente para exames de saúde.
        Ontem foi um desses dias.

        Dito isso, excelso médico-psiquiatra, posso afirmar que sou um homem equilibrado entre o que fui e poderia ter sido.
        Como o “poderia” abrangeria uma suposta situação, perder tempo imaginando algo irrealizável, mas não mesmo.
        Logo, eis um cara estável emocionalmente.

        Vou mais além:
        Problema algum me deixou fora de ação!
        Se havia problemas – e como eu os tive -, lá ia eu enfrentá-los com o que tivesse ou não.
        E foi graças a essa determinação que conquistei o respeito dos meus filhos, todos homens, então uma acirrada disputa doméstica pela autoridade incontestável.

        Obrigado, mais uma vez, pelas palavras gentis postadas.
        Elas me animam, me impulsionam a seguir em frente, pois me oferecem um terreno firme, e não escorregadio e lamacento.

        Um forte abraço.
        Saúde e paz.
        Cuide-se!

    • Prezado Paulo III,

      Agradeço o comentário acima, de tua autoria, que me deixou muito orgulhoso e satisfeito, em princípio.
      Mas, encontro-me muito distante da definição gentil que me deste, de ser um polímata.
      Pelo contrário, reconheço que sou obtuso!

      Tenho sido repetitivo ao informar meus colegas que não tenho curso superior algum, pelo fato de eu me envergonhar perante a maioria dos comentaristas que possuem faculdade, enquanto eu concluí o Ensino Médio aos sessenta anos, há dez, portanto.

      De certa forma, Paulo, o meu lugar não seria a TI, que possui colaboradores de níveis muito superiores ao meu, mas apenas ser um leitor, e não publicar o que penso, conclusões, ideias, interpretações, palpites … sabe, dar uma da pato a ganso.

      Diante de eu ter sido bem recebido quando postei as primeiras palavras em 2010, outubro, na TI – era Tribuna da Imprensa, ainda -, resolvi ficar e me tornar um comentarista assíduo.

      Logo, podes perceber que muito aprendi com vocês, meus colegas, e com os excelentes articulistas que Newton nos coloca à disposição.
      Caso eu quisesse permanecer e não desqualificar o blog, decidi que eu deveria prestar muita atenção nos textos postados, pois estavam me fornecendo informações, e sobre como eu poderia me expressar razoavelmente, sendo devidamente compreendido ou inteligível.

      Tem sido dez anos de muito aprendizado, pesquisa, coleta de dados, aproveitando a minha modesta biblioteca, contendo cerca de 1.300 livros e 600 revistas que abordam somente História e Filosofia.
      Aliás, eram as minhas leituras enquanto fui taxista.

      Alguns passageiros até se surpreendiam porque um “motora” lia a respeito de filósofos, seus pensamentos, conhecimentos, interpretações da vida, Deus, sobre nossa existência, enfim.

      E – olha só! -, tive coragem de escrever um livro, com base na experiência inigualável, fantástica, que o táxi me proporcionou através do transporte de pessoas!

      Ricos, pobres, negros, brancos, amarelos, sararás, pardos, altos, magros, gordos, baixos, cabeludos, carecas, crianças, idosos, adultos, jovens, meninas, moças, mulheres belas, inteligentes, mulheres que qualquer homem que não tivesse uma grande estabilidade emocional se apaixonaria … transportei as classes sociais mais variáveis, as pessoas mais bonitas, as mais inteligentes, enigmáticas, carrancudas, simpáticas e antipáticas, tolerantes e intolerantes, sadias e doentes, muitas bêbadas e perturbadas, ou seja, lidei com a espécie humana, Paulo III.

      Escrevi sobre 20 casos que me chamaram atenção nos 8 anos que fui taxista e, em forma de crônica, eu as publiquei.

      Presta atenção, por favor!
      Título do Livro:
      O DIVÃ MÓVEL!

      O táxi jamais deixou de ser um ambiente absolutamente propício para análises!
      Eu, de costas para o passageiro, que invariavelmente sentava no banco de trás, ouvia com paciência de Jó as angústias, os medos, as relações conjugais por um fio, problemas de famílias, traições, os filhos que haviam se “perdido” pelo caminho, casos que extrapolavam muitas vezes a realidade nossa conhecida …

      Ora, Paulo, o que seria que essas pessoas que sentavam-se atrás do Siena queriam que eu lhes dissesse?
      Palavras de apoio, de incentivo, ânimo, que a vida fosse levada adiante, que deveria pensar no que havia conquistado ou feito de bom de útil para si e sociedade, que era uma pessoa bonita, atraente … caso contrário eu entrava solenemente nas negatividades que me informavam com muita sinceridade, e passaria a fazer coro com elas!

      Pois foi essa uma das maneiras que consegui muitos passageiros, principalmente mulheres, que adoravam falar e ter alguém que as ouvisse sem retrucar.

      Ora, bolas, de modo que eu soubesse o que dizer em momentos mais delicados – e eu os tive em demasia! -, lá ia eu à noite ler sobre Freud, psicanálise, personalidades, atribulações, depressões, insatisfações … o que eu poderia dizer que amenizasse o sofrimento do pessoal que andava comigo eventualmente.

      Mais a mais, entre 55 e 60 anos, tive o meu “apogeu” – como se fosse possível para um semianalfabeto que sou -, de dizer para mim mesmo que, se eu me compreendia, me aceitava como era, se não tinha comigo frustrações maiores, a não ser pouca escolaridade e de jamais cursar uma faculdade, mas nada grave na minha ótica como ser humano, eu saberia encontrar palavras de consolo às pessoas, que mais queriam ser ouvidas e compreendidas, que ACONSELHADAS!

      Isso aprendi!

      Por mais que tu digas o que querem ouvir, Paulo, o preconceito social predomina sobre a razão e e o reconhecimento.
      Explico:
      Quem eu pensava que era, pois um simples taxista, e sem o Ensino Médio concluído, para imaginar ser capaz de aconselhar pessoas que eram superiores a mim socialmente?!

      Che, eu transportava pessoas de todas as classes sociais, logo, eu era um MOTORISTA, e mais nada.
      Pois foi a partir dessa minha compreensão, de ser um motorista tão somente, e que eu não poderia ultrapassar esse limite ou eu perderia passageiros, que percebi o que eu deveria dizer em trajetos curtos, médios ou longos.

      Porém, SEMPRE, esperando que o passageiro iniciasse a conversa.
      E eu tinha um desconfiômetro natural para perceber quando o diálogo poderia partir de mim ou não.
      E sabes quem era a passageira que mais gostava de mim, do meu profissionalismo, cuidados na direção, e as interessantíssimas conversas que tivemos em seis anos??!!
      UMA PSIQUIATRA!

      Médica da FEBEM, e onde os jovens mais perigosos e, de certa forma, irrecuperáveis para uma vida social ficavam detidos.
      Ela chegou a ficar refém duas vezes, pensando que iriam matá-la, mas teve mais sorte que juízo, nas suas palavras.

      Então, de certa forma, eis a explicação de eu gostar da psicanálise, de Freud, alguns filósofos que me identifico como Schopenhauer, Kant, Adorno … e sou um apaixonado extremado pelas parábolas de Jesus, ode à filosofia!

      Obrigado, mais uma vez, pelas palavras gentis que dirigiste a mim.

      Um forte abraço.
      Saúde e paz.
      Te cuida!

  3. Desculpem-me os psicológos. Não acredito que a psicologia seja uma ciência e, menos ainda, que ela seja capaz de aliviar as incertezas da mente humana. Nesse aspecto, considero as religiões bem melhores.

    Uma boa historieta sobre a psicologia é a de Eliza, um programa de computador pioneiro da conversação homem-máquina, escrito por Joseph Weizenbaum, no MIT (que aproveitou para parodiar a turma do Carl Rogers). Eliza era capaz de sustentar um bate-papo, semelhante à uma sessão de psicanálise rogeriana:

    Paciente: O meu pai odiava-me.
    Eliza: Fale-me mais da sua família.
    Paciente: Lembro-me de minha juventude em Santos.
    Eliza: Lembra-se muitas vezes da sua juventude em Santos?

    O programinha fez sucesso.

    Pois não é que alguns psicológos, talvez enxergando uma oportunidade de maximizar seus lucros, começaram a levar a sério a experiência? Sei lá, uma espécie de divã virtual, com vários pacientes atendidos simultaneamente. Isso tem muito a dizer sobre a psicologia.

    • Sr. Jair dos Santos,

      Não existe psicanálise rogeriana e as teorias, ligadas ao ensino, de Carl Rogers nada tem a ver com a teoria freudiana que depois foi desenvolvida pelos seguidores de Freud. Quando um psicólogo não consegue acesso a um curso de formação de Psicanálise, e isso é muito comum, este “profissional” diz que, em sua atuação “segue a linha rogeriana”.

      A teoria rogeriana é, de fato, um tipo de pedagogia de ensino mal traçada, contraditória, e impossível de ser praticada, como você vai poder ler no texto abaixo:

      ” a partir tir das reflexões psicológicas desenvolvidas por Rogers, o próprio psicólogo pode traçar um paralelo entre as suas perscrutações sobre a pessoa, a liberdade e o tornar-se o que se é, e a prática educativa. Isso se deve ao fato de suas propostas no âmbito da psicologia terem significado uma profunda mudança de paradigma: não mais a padronização e a universalização dos comportamentos, e sim a singularização no respeito às diferenças. Ora, se a educação é o que forma o homem, algo que efetivamente transcende a sala de aula e o meio escolar e que, na verdade, se inicia desde a relação primeva com a mãe no ventre materno, nada mais indispensável do que inserir esse novo paradigma como orientador dos modelos para a prática educativa. Mas como inserir em modelos algo que não pode ser padronizado e modelado? Como inserir a liberdade em um modelo metodológico? Somente Rogers poderia ousar realizar efetivamente essa transposição – algo que faz primeiramente com maestria em seu livro Liberdade para aprender.

      “Ensinar, a meu ver, é função exageradamente valorizada” (ROGERS, 1973, p. 103). Com essa frase bombástica, o autor mostrará que, na sua visão, ensinar – que, no significado dicionarizado, é instruir, fazer saber, guiar, dirigir, transmitir conhecimento – só faria sentido em um mundo estático bastante diferente daquele em que vivemos. Para ele, a palavra central da educação seria a aprendizagem: o aluno aprendendo a aprender, e o professor como facilitador dessa aprendizagem, que é sempre singular e livre. Ninguém aprende coisas pelas quais não tem interesse. Essa palavra é crucial desde os gregos: inter-esse, ou seja, estar dentro disso ou na direção do “isso” que se almeja. Querer, desejar, buscar, percorrer o caminho e saber que não há um ponto final é o modo processual próprio da educação.

      Enfrentamos, a meu ver, situação inteiramente nova em matéria de educação, cujo objetivo, se quisermos sobreviver, é o de facilitar a mudança e a aprendizagem. O único homem que se educa é aquele que aprendeu como aprender; que aprendeu como se adaptar e mudar; que se capacitou de que nenhum conhecimento é seguro […]. (ROGERS, 1973, p. 104)

      Para a visão da tradição, que data do medievo e realmente precisa ser superada, não há aprendizagem se o professor não dirige, bem como só se aprende aquilo que pode ser apreendido, ou seja, que é estático, que não está em transformação. Porém, essa visão, que impera em nossas famílias e escolas, é extremamente idealista quando nos perguntamos que conteúdo seria esse, que não é dinâmico e mutável. Certamente, não é um conteúdo próprio do mundo que nos cerca, da realidade que está em constante transformação. O professor não “ensina”, são os alunos que instruem a si mesmos e aos seus pares pela interação, na troca incessante entre o espanto e a curiosidade. Estimular esse espanto, como ratifica Rubem Alves, essa curiosidade, nas palavras de Rogers, seria a destinação inata que seria verificada em todo mestre. Essa imagem do mestre não tem um cunho simbólico de ‘graduação acadêmica’, mas de algo que se aproxima mais de uma tradição oriental, que não vê o saber como algo compartimentado. Ao chegar mais cedo e limpar o espaço de estudo, por exemplo, colocando-se em um lugar talvez não característico de um aluno ocidental, aprende-se muito mais do que a teoria pode ensinar: aprendem-se solidariedade, higiene, iniciativa, flexibilidade, comunicação, política – valores sociológicos ímpares. Esse outro “modelo” de educação só a experiência ensina.

      Não importa acumular conhecimento, mas aprender de fato – e isso só ocorre quando há uma real significação daquilo que se está aprendendo, o que preconiza envolvimento pessoal, tanto do aluno como do professor, e um envolvimento de toda a sua pessoa, não só a mente, mas todos os sentidos, todo o corpo.

      Ensinar não é manter a ordem na sala, despejar fatos, fazer exames e dar notas. Ensinar é mais difícil do que aprender, porque o que o ensino exige é o seguinte: deixar aprender. Permitir que o estudante aprenda alimentando a sua curiosidade. (ROGERS, 1985, p. 29)

      Rogers salienta a necessidade de o professor não se colocar como um estéril repetidor dos livros de outrem, encoberto por uma máscara de neutralidade. A neutralidade é impossível. Ser o que se é e oferecer-se desse modo verdadeiro ao seu aluno, generosamente, são duas das principais características de um facilitador – ou de um educador, isto é, de alguém que não se abstém da tarefa sempre em transformação, que é a educação, para dedicar-se à reducionista tarefa de instruir os outros. Ao contrário, o educador-facilitador é alguém que está sempre educando a si mesmo. Parafraseando Martin Bubber, Rogers escreve:

      “[o bom professor] deve ser uma pessoa realmente existente, realmente presente a seus alunos; é pelo contato que se educa. Contato é a palavra fundamental da educação”. (ROGERS, 1973, p. 101)

      Rogers enumera algumas características cruciais inerentes a esse novo paradigma de educador-facilitador, a fim de orientar aqueles que ousam se lançar nessa tarefa de transformar nossas escolas, atualmente tão isoladas da sociedade e dos genuínos interesses do seu público-alvo: o alunado. Uma vez que modelos não são possíveis, pois a dinâmica é incessante, e cada pessoa e momento, únicos, essas características auxiliam o professor a capacitar-se, aceitar-se em suas limitações (bem como as limitações do sistema educacional) e transformar sua prática educativa.

      “Todo educador eficiente tem o seu próprio estilo de facilitar a aprendizagem dos alunos. De certo, não há um modo único de realizar isso”. (ROGERS, 1973, p. 55)

      São elas: a autenticidade, a aceitação, a confiança, tanto em si como no aluno, e a compreensão empática. Essa compreensão é transferida diretamente de seu modelo de relação paciente-terapeuta e significa a capacidade de esforçar-se por se colocar na perspectiva do aluno, com o fim de valorizá-lo e a sua experiência, além de respeitá-lo.

      “O professor e o aluno se tornam colegas na responsabilidade de cada um quanto ao tempo de aula”. (ROGERS, 1973, p. 34).

      O ensino centrado no aluno: uma abordagem não diretiva

      Para Rogers, um curso, qualquer que seja ele, se baseia em cinco elementos: pessoas, interações, processos, conteúdos e pressão institucional. As diferentes combinações possíveis desses itens, bem como a ênfase maior em um ou em outro aspecto, definem, em última instância, a metodologia a ser utilizada. Embora não haja regras prescritas que garantam êxito na educação baseada na liberdade, posto que se constrói a cada instante, sem dúvida ela se estabelece privilegiando os aspectos das pessoas e das interações e, em seguida, dos processos (que seriam os modos de relacionar métodos e pessoas). O curso não começa pelo conteúdo, tampouco pelas pressões curriculares externas, mas pelo aluno, que deve entrar em contato com os seus interesses, objetivos e expectativas e tornar-se agente da sua aprendizagem. “A responsabilidade de tornar o curso interessante é problema individual” (ROGERS, 1973, p. 34).

      Isso é algo às vezes difícil para o professor acostumado a exercer o poder que lhe cabe em sala de aula, onde ele seria mais um em busca do “foco”. Na verdade, o professor, como pessoa com anseios e defeitos próprios, deve exprimir também seus interesses, percepções e seu desejo de ensinar, dedica-se ao que quer apresentar por caminhos estimulantes e situar-se na classe. A diferença principal é que o espaço da aula e do professor não está dado previamente, mas está sendo construído por um conjunto de pessoas autênticas que se comunicam e se relacionam entre si. “Sua principal função é ciar uma atmosfera na qual estudantes e professor se sintam livres para novas descobertas” (ROGERS, 1973, p. 43). À liberdade acadêmica de não sofrer pressões ou censuras externas une-se uma liberdade interior de auto aceitação, sem pressões internas, ser o que se é, sem falsear.

      Outra intenção mais ampla do meu trabalho é o fato de desejar auxiliar o desenvolvimento de nosso mais precioso recurso natural – as mentes e os corações de nossas crianças e jovens. São a sua curiosidade, a sua avidez por aprender, a sua capacidade de efetuar escolhas difíceis e complexas que decidirão o futuro de nosso mundo. (ROGERS, 1985, p. 9)

      Afinal, o que está por trás desse modelo é um novo paradigma de ser, de pessoa, de jovem. Será que a pessoa que queremos, que amanhã estará decidindo os rumos do mundo, é aquela sem autonomia, sem capacidade de fazer escolhas, sem saber nem mesmo quem é, apenas decorando e repetindo fórmulas e estruturas sociais – muitas vezes distorcidas? Pois esse é o jovem que a educação tradicional tutorial está produzindo. De repente, olhamos para a juventude atual e ficamos perplexos com a sua total ausência de reflexão, de crítica, de autonomia, de envolvimento com o mundo que a cerca, sem ética nem percepção do todo que é a vida. Logo nós, tão acostumados em estabelecer nexos causais para tudo: qual seria a causa de tão desastroso efeito? Por que agora tão descabida perplexidade, se não formamos indivíduos questionadores e atuantes, mas apenas reprodutores da ordem vigente? Por isso, para Rogers, educação sem atuação é adestramento. E atuar pressupõe refletir, questionar e fazer escolhas. Esse é o maior ensinamento que, praticando, pode ser dado”.

      Fechamento

      Não queremos participar de um processo educacional que contribua para que todos pensem a mesma coisa. Lutar por direitos iguais não é o mesmo que considerar que os seres humanos sejam iguais. Somos essencialmente diferentes!

      A psicologia da educação pode contribuir para uma educação diferente se ela se libertar de velhos modelos e buscar a valorização da diferença. Nesse sentido, esperamos que a psicologia e a psicopedagogia nos deem subsídios para lidar com as diferenças na prática escolar que vamos encarar na trajetória de educadores – autorrealização que propusemos a nós mesmos. E também para lidar e aceitar as diferenças dos nossos alunos, tentar entendê-las, e não as reduzir à média mais facilmente controlável.

      “Nessa busca pela aceitação das diferenças, entendendo cada jovem, cada homem como uma essência singular de homem, poderemos inventar novas práticas, não de domesticação e formatação, mas de deixar aprender, de tornar-se o que se é, de autorrealização, de liberdade”.

  4. Quanto mais se estuda a natureza humana, mesmo por meio de autores e pesquisadores modernos, mais se convence de que o cristianismo ensina é correto, a saber, que o homem possui uma natureza decaída, que tende para o que é inferior e repele o superior.
    O corpo e a mente trabalham de maneira que ajudam no cumprimento dos planos, na realização dos trabalhos, na dedicação aos estudos.
    A realidade é que eles nunca fazem isso. Pelo contrário, tudo demonstra que o cérebro humano é um sabotador e o corpo um rebelde. Quem esperar deles um auxílio espontâneo decepcionar-se-á.
    Na verdade, a natureza humana precisa ser domada, como se faz com um animal. Se alguém quiser que ela colabore com seus projetos, em suas atividades, precisa aprender a colocá-la a seu serviço, sob seu comando.
    E aqui está algo que o cristianismo ensina desde sempre: a mortificação da carne, que é nada mais do que a imposição do homem superior sobre o inferior.
    Toda a Psicologia da Vontade se resume em entender como funciona a natureza e usá-la em seu favor. E não é exatamente isso que o cristianismo ensina?
    As Escrituras e os pensadores cristãos sempre alertaram para os perigos de deixar-se levar pelos instintos, pelas demandas da natureza inferior. Ensinaram que era preciso não negá-la, mas domesticá-la.
    Quando lemos os psicólogos modernos, por sua vez, observamos que, mesmo sem saber, e muitas vezes contra a vontade deles, corroboram muito do que a tradição cristã já vem ensinando há dois milênios. Por exemplo, a luta do homem contra sua natureza.
    Nisso tudo, só posso dizer que, mais uma vez, o cristianismo se mostra verdadeiro.

    • “O cristianismo foi, até o momento, a maior desgraça da humanidade, por ter desprezado o Corpo.”

      “A fé cristã é, desde seus primórdios, sacrifício, sacrifício de toda liberdade, de toda independência do espírito; ao mesmo tempo, escravização e escárnio de si mesmo, mutilação de si.” (Nietszche) 🙂

      • Marcos … quem “desprezava” o corpo era a filosofia grega … quando Paulo pregou em Atenas a Ressurreição … nem deixaram que explicasse … visto que consideravam a Morte como libertação da superior alma … só Agostinho é que conseguirá mostrar que o Cristianismo era viável também como Filosofia … só que recentemente é que o Cristianismo conseguiu se desvincular da Filosofia Grega … ao finalmente valorizar o Corpo que será objeto da Ressurreição.

        Sds.

  5. -Para a psicologia de massa, o comportamento coletivo é catatônico, ou senão, ele é como os marcadores de Garrincha, que, embora já conhecessem o seu drible manjado, ainda assim, deixavam-se enganar toda vez.

    -Todo dominado tem implantado em si um “botão de acionamento” – cuja senha é privativa dos dominadores – esse código de acesso se chama MEDO.

    -As religiões são entes autófagos: alimentam-se do próprio medo que semeiam.

  6. Só os loucos acreditam em si mesmos.
    É certo que acreditar em si mesmo pode oferecer esperança, mas é mais certo ainda que será uma experiência frustrante.
    A verdade é que a psicologia humanista nega frontalmente aquilo que o cristianismo ensina como realidade, principalmente em relação à condição humana natural, que é explicada por ele como afetada por uma corrupção origina insuperável, que se não impede o desenvolvimento do indivíduo, é certo que atrapalha-o formidavelmente. Mas a psicologia humanista simplesmente ignora isso e estimula a pessoa a buscar uma suposta excelência humana por si mesma, sem a ajuda de qualquer transcendência ou qualquer divindade. É a crença absoluta no próprio ser humano, colocando-o como o realizador único de suas próprias prometidas conquistas.
    O homem, na psicologia humanista, é um ser com possibilidades indefinidamente disponíveis, capaz de gerar em si mesmo a capacidade de superação de quaisquer limitações, que aliás ela considera como impostas artificialmente. Assim, recusa a doutrina cristã do pecado original e suas consequências, levando as pessoas a acreditarem que elas são capazes de feitos quase infinitos. Com isso, e diante do peso da realidade, cria-se uma geração de frustrados, porém sem deixar de ser esperançosos quanto ao que podem conquistar.
    Os psicólogos humanistas insistem em fazer seus pacientes e ouvintes crerem que eles são capazes de grandes feitos. Mesmo quando as circunstâncias e a realidade informam que é impossível, o doutrinado pela psicologia humanista vai continuar acreditando que ele é capaz de, por si mesmo, superar todas as dificuldades. Tudo é uma mera questão de persistência e do uso dos métodos corretos. O cristianismo porém ensina o contrário, a saber, que devemos desconfiar de nossa carne, cientes de que ela pode nos levar aos movimentos mais baixos para satisfazer-se. Assim, a postura correta de um cristão é a desconfiança em relação a si mesmo e a procura pela ajuda superior, tudo o que a visão da psicologia humanista busca evitar.
    Na verdade, todo esse antagonismo da psicologia humanista em relação ao cristianismo não passa de um efeito imediato do fato dela ter sido engendrada no seio do movimento New Age, carregando consigo seu espírito e seus conceitos. Tanto é assim que dois de seus maiores expoentes, Carl Rogers e Abraham Maslow, foram participantes ativos do Instituto Esalen, uma espécie de centro educacional, que tinha como objetivo explorar as potencialidade humanas, mas que na verdade se tornou um centro de experiências esotéricas e ocultistas, que serviram de base para muito do que foi feito depois sob a bandeira da Nova Era.
    A realidade é que o ensinamento cristão não é tão otimista em relação à capacidade humana de superar, por si mesmo, suas limitações. Não que ele estimule a resignação absoluta, mas ensina a encontrar em Deus, ou seja, em uma força transcendente, o auxílio indispensável para essa superação. Como exclamou o apóstolo, quando estou fraco então é que sou forte.

  7. Nietszche disse: Deus está morto.
    Negar a existência de Deus é loucura humana.

    Como ele morreu?

    Suas últimas palavras no leito de morte foram “Mãe, eu sou um idiota”. Sempre foi contra os valores judaico-cristão e a Deus. Suas idéias confusas levaram sua mente ao colapso. Nietzsche passou 10 anos em silêncio profundo.
    Ainda se discute a origem da demência do pensador, que começou a se desenvolver a partir da década de 1880. No fim da vida, Nietzsche era praticamente um ermitão que escrevia seus aforismas isolado nas montanhas.
    Regeitar a Deus é loucura.

    • “O cristianismo tomou partido de tudo o que é fraco, baixo, malogrado, transformou em ideal aquilo que contraria os instintos de conservação da vida forte; corrompeu a própria razão das naturezas mais fortes de espírito, ensinando a perceber como pecaminosos os valores supremos do espírito.” (Nietzsche)

      Loucura é escrever “rejeitar” com “g”. 🙂

    • Quando escreveu “Deus está morto”, o filósofo não queria dizer que a entidade divina tinha deixado de existir — e sim questionar se ainda era razoável ter fé em Deus e basear nossas atitudes nisso.

      Nietzsche propunha que, recusando Deus, podemos também nos livrar de valores que nos são impostos. A maneira de fazer isso seria questionando a origem dessas ideias. Ele se definia como um “imoralista”, não porque pregasse o mal, mas por entender que o correto seria superar a moral nascida da religião.

      Aliás, um moralismo nascido de ideias de homens como quaisquer outros!
      Religião alguma ensinou moral e ética, até porque um tema que não lhe diz respeito e, sim, a espiritualidade, fé, a crença.

      O alemão alegava que a religião tolhia muita a criatividade humana, que o impedia de se divertir, de aceitar-se como era, com erros, defeitos, mas com qualidades inatas.

      Viver dessa forma, sem emoção, sem riscos, preocupando-se mais com os outros que consigo mesmo, sem avançar mentalmente porque contido dentro de parâmetros estabelecidos pelas crenças, logo, deixando de ter uma vida de acordo com aquela que Deus nos deu, ou seja, impossível de ser levada adiante pelos mandamentos que deve ser seguidos à risca ou o destino é o inferno, o homem deixou de ser o que deveria ter sido, abandonou o seu próprio destino, deixou de acreditar nele mesmo, e passou a viver conforme imaginou que alcançaria a “salvação”:

      Contido, preso a determinações, ameaçado de ser castigado, impedindo que questionasse, que indagasse, que pesquisasse, o homem encolheu, diminuiu, deixou de ser o que poderia, para ser o que não deveria.
      Então, esse Deus que desvalorizava o ser humano precisava ser morto!

      O filósofo faz um diagnóstico da cultura do seu tempo e denuncia o niilismo em que a Europa estava mergulhada.
      A questão, para o alemão, não é se existe um Deus, nem se temos de provar a sua existência. Isso não é nada!

      Nietzsche afirma é que, independente disso, a influência da religião em nossas vidas é cada vez menor.

      A Igreja, os mitos, as ideias, os ritos, a moral por trás da Teologia, vai enfraquecendo pouco a pouco. Não só a religião, mas também valores metafísicos, a crença em suas verdades últimas, a crença no Bem, Belo e Verdadeiro.

      Não temos mais medo de Deus, já dizia o filósofo alemão há mais de um século e meio!
      Nas suas palavras é velho, fraco, impotente, incapaz, criando um povo escravo, sofredor, buscando refúgio permanentemente.

      O niilismo negativo dá conta de mostrar que a criação de um Deus só pode ser sintoma de uma vontade doente, triste.
      Com o cristianismo, dia Nietzsche, o centro da gravidade é colocado FORA DA VIDA!

      Esta pérfida criação tem seus dias contados, alegando que já via algo novo emergir.

      • No começo de sua existência, o filósofo alemão Nietszche era temente a Deus,Entretanto , após se envolver com leituras de filósofos ateus da época, seu pensamento sobre a existência do divino se modificou.

  8. QUEM MATOU MAIS: DEUS OU O DIABO? 

    – O Antigo Testamento é um receituário de dominação prescrito pelos judeus aos povos reféns do banditismo israelita. O próprio nome Israel significa: simaquia com Deus (Deus como seu aliado em guerra).
    Raciocine: No Antigo Testamento, Deus é retratado como uma propriedade exclusiva dos judeus (hebreus).
    Por quê? Porque foram eles quem inventou Deus! A mulher é descrita como um objeto do homem, no pentateuco. Por quê? Porque aquele conjunto de livros foi escrito integralmente por homens, daí o cunho machista. Ora, se o corpo humano consta de 206 ossos, como poderia a mulher se resumir à fração de 1/206 de um homem, já que Eva foi feita duma costela? (Gen. 2:22).
    Outra incoerência: ainda, no Antigo Testamento, Deus aparece na condição de precursor dos métodos de destruição em massa (o aniquilamento de Sodoma e Gomorra), Gen. 19:1-29, algo assemelhado a uma explosão nuclear. Nas dez pragas do Egito, (Ex. 7:14 e 11:10), Deus teria sido o preconizador da guerra química (envenenando as águas do rio Nilo), e da guerra biológica (disseminando gafanhotos
    pelo reino de faraó). Será se Deus, onisciente e todo-misericordioso, teria cometido aquelas barbáries? Mesmo porque o Senhor já sabia previamente que, no segundo milênio do nascimento do Seu filho unigênito, Seus ensinamentos genocidas iriam habilitar o Bin Laden para atentar contra uma nação protestante, os EUA, que se
    dizem ser habitados por um povo “santo e escolhido”?
    A Deus também o papel de pivô do primeiro fratricídio lavrado na bíblia, ao ficar grato pelas ovelhas recebidas de Abel, e se mostrando indiferente para com as batatas de Caim. Percebendo que o Senhor não reconheceu a sua humilde oferta na mesma medida das ovelhas doadas pelo seu irmão Abel, isso despertou um sentimento de
    inveja em Caim; levando o segundo a assassinar o primeiro. (Gen. 4:8).
    Aqueles escritos são apenas malícias humanas. Em estando sentenciadas nas Sagradas Escrituras, todas as atrocidades perpetradas pelos judeus às outras tribos recebiam uma conotação “divina” e, como tal, eram legitimadas e justificadas.
    Ainda hoje, israelenses (judeus) e árabes (muçulmanos) se arrastam em um conflito milenar e sangrento, nas terras da Palestina.
    Tudo teria começado com a interpretação preconceituosa de uma lenda bíblica.
    Ismael, filho bastardo de Abraão com a escrava egípcia, Agar, teria dado origem ao povo árabe (Gen. 16:5-15). E Isaac, filho legítimo de Abraão (ex-Abrão) com a sua verdadeira esposa, Sara (ex-Sarai), haveria sido o progenitor dos judeus (Gen. 21:1-7). Então,
    para desqualificá-los, os judeus tacham os árabes de descenderem do filho duma puta. Com efeito, se considerarmos aquelas narrativas nefastas (assassinatos, seqüestros, estupros, pilhagens; por exemplo, leiam: Num. 31:17-18; Deut. 20:10, 13 e 14; 23:13; 25:11 e 12; 2º Reis 19:35; Juízes 8:10; 2ª Cron. 28:6; 13:17 e 14:19; Isa.37:36……); uns executados pelo próprio Deus, outros pelos Seus jagunços: Davi, Moisés etc., (cumprindo ordem divina), então, temos de dar a mão à palmatória, e concordarmos com o Santo Ofício, como tendo sido um cumprimento fiel às Sagradas Escrituras
    por parte da Igreja Católica.
    Acaso, imitar os ensinamentos bíblicos constitui um pecado ou uma virtude? Inquisição que não foi exclusiva apenas do catolicismo, o protestantismo também valeu-se de
    morticínios para fazer valer seu proselitismo. João Calvino, o pai dos presbiterianos, mandou queimar na fogueira o médico espanhol, Michel Servert Grizar. E tantos outros atos sangrentos promovidos pelos protestantes.
    Hoje muitas pessoas ficam horrorizadas ao saberem que, nas favelas
    das grandes cidades, os comerciantes são obrigados a pagar pedágios para os chefes do tráfico local, se quiserem continuar exercendo suas atividades mercantis. Ora, ora esse critério de sujeição extorsiva já era praticado pelos “capangas de Deus”, quando
    submetiam determinadas comunidades à condição de Cidades Tributárias. Para sobreviverem sem serem molestadas pelos judeus mandões, mafiosos, tais comunidades-reféns tinham de transferir grande parte de sua força de trabalho e riquezas aos seus “protetores”. (Vide em 1ª Cron. 18 e 2º Sam. 8).
    O mais gozado e incoerente de tudo isso é que Deus, retratado como bandido e sanguinário no Antigo Testamento, ainda assim, Ele personifica a figura do BEM. Ao passo que o diabo, embora nunca tenha matado ou roubado alguém, paradoxalmente, foi eleito como a fonte do MAL.
    O Novo Testamento foi uma forma de salvar as aparências, a fim de que o cristianisno brotasse e se estatuísse no substrato do judaismo.
    Curioso: todos os literatos conterrâneos e/ou contemporâneos de Jesus Cristo, que fizeram menção ao Seu nome – posteriormente foram flagradas supressões e inserções nas obras deles – veementes indícios de fraude.
    Como é sabido, por muitos anos, a Igreja impôs caçadas mortais aos “hereges” e censura aos próprios cristãos. Pois, além da Santa Inquisição, houve o Index Librorum Prohibitorum ou Libros Improbatae Lectionis, cujas leituras eram proibidas aos fiéis, porque naqueles livros poderiam constar contraditórios que lançariam por terra as
    verdades impingidas pelo Clero. Não é à toa que projetos, tipo o GENOMA HUMANO, recebem veto ferrenho das lideranças religiosas.
    As descobertas do GENOMA podem desmascarar os conceitos dos santarrões
    acerca da origem da vida.
    Na fábula de Adão, Eva e a serpente, no paraíso, há gritantes evidências dela ter sido plagiada de um conto assemelhado, narrado no livro Avesta, de Zoroastro, escrito por volta do sec. VII Antes de Cristo, portanto, anterior à Bíblia Sagrada. No Avesta, a
    serpente era incorporada em Arimã, que, por corruptela ou dissimilação, teria dado origem ao termo Satã. E o BEM era representado por Ahura Masda ou Ormuzd. (Rituais Secretos – Maria Helena Farelli – Pag. 12). De resto, apenas o fato de Deus ou Jesus
    terem escrito sequer uma letra na bíblia, tudo teria sido transcrito pelos seus pretensos “psicógrafos” (quem escreve algo inspirado por um ente sobrenatural), já é uma razão de sobra para esse alfarrábio ou “livro sagrado” ser lançado na lixeira do descrédito.

  9. Escrever uma ou poucas palavras erradas não desmerece o texto. É compreensível e aceitável. Nem os filósofos estão isentos disso. Vale tão somente o conteúdo do texto.
    Agora, querer mostrar erro de ortografia de outros demonstra fraqueza humana e mente de esquerdista que gosta de apontar erros de qualquer natureza nos outros.
    Vale ressaltar que escrevo numa tela de celular, não em frente a tela de um computador de 21″. Dessa forma fica difícil corrigir o texto antes de enviar.
    De qualquer forma, agradeço pelo aviso e terei mais cuidado, já que palavra errada te incomoda.
    Minha memória já não é mais a mesma. A idade avança e a memória regride.

  10. Prezadas(os),

    Paz e Bem!

    Agradecemos:

    1. Ao Dr. Edinei Freitas, por ter iniciado essa relevante discussão, como também pela abertura dialógica. Ao Dr. Edinei, nossa gratidão!;

    2. Aos editores dessa TI, pela promoção desses registros a artigo;

    3. Aos demais comentaristas, os quais enriqueceram essa discussão.

    A todos, muito obrigado!

    Cordialmente,
    Christian.

    Em tempo: humildemente, acompanhamos o Paulo III (05/08, 19:14) e o Dr. Edinei (05/08, 19:48) e ss., quanto ao extraordinário Francisco Bendl: fora de dúvida, um dos mestres da TI.

  11. Meu caro Christian Cardoso,

    Por favor, apesar de eu agradecer tu me classificares como “mestre”, a verdade é que estou uma eternidade longe desse título tão importante.

    Mas eu me alegro ler as tuas palavras gentis a mim endereçadas, claro, elas fazem bem ao … ego.

    No entanto, ainda bem que sou um cara pesadão, assim meus pés não saem do solo, pois me prendem à realidade que me cerca e onde nela estou inserido.

    Não há fantasias, projeções, sonhos, sequer devaneios.
    O idoso tem em mente que precisa viver o dia como se fosse o último da sua vida, então, onde ele constata que pode fazer algo bom, ele capricha, que é o meu caso.

    Logo, tento apenas ser claro, ao postar meus textos na TI, e me esforço muito nesse sentido, Christian.
    Se tu e demais colegas me entendem, ótimo, cumpro com a minha obrigação.

    Um forte abraço, parceiro.
    Saúde e paz.
    Te cuida, meu!

  12. Em sua teoria de Estado Friedrich Nietzeche demonstra – se como fundamentalmente contrário à democracia moderna , destacando que esta representa a supervalorização da igualdade ed, neste sentido , impede o crescimento de grandes homens que promovam p progresso da cultura e da humanidade.

  13. Para Nietzsche , os principais temas abordados por todos os filósofos até o século XIX, como Deus, Ser,Razão , Sentido, Verdade , Ciência , Produção ,Beleza, Ordem, Justiça, Estado, Revolução ,Família,,Demonstração ,Lógica, seriam construções , valores morais ocidentais , que domesticavam o homem e anulavam sua criatividade…

  14. Para fechar os comentários com chave de ouro, apresento o Concerto que Freud mais apreciava : O Concerto Nº 1 para piano e orquestra de Frédéric Chopin. Ao piano Olga Scheps, pianista russa, que reside na Alemanha, O Concerto tem três movimentos: I. Allegro maestoso ; II. Romance; e  III. Rondo. Por acaso, é também o meu Concerto preferido.

    Olga Scheps se apresentando ao vivo em Tonhalle Dusseldorf com a Orquestra de Câmara da Rádio Polonesa, regente Agnieszka Duczmal.

    https://www.youtube.com/watch?v=2bFo65szAP0&t=45s

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