Reflexões sobre Freud, o budismo e a importância do desejo na existência humana

Ateliê de Educadores: FrasesEdnei Freitas

Sigmund Freud era um colecionador de arte, e muitas de suas esculturas preferidas diziam sempre algo que tocava em sua grande sensibilidade, sem necessária concordância de Freud, mas com admiração do pai da psicanálise. E uma dessas esculturas é a da cabeça de Buda, presente em seu consultório psicanalítico.

Ressalto, no entanto, que Sigmund Freud sempre foi ateu e anticomunista (e escreveu trabalhos dizendo que o comunismo russo jamais iria dar certo – e o tempo mostrou que ele tinha razão).

PAIXÃO PELOS SÁBIOS – No entanto, ele tinha paixão pelos sábios míticos e místicos, (nem todos, é claro) e admirava os pensamentos de Buda.

Freud pesquisava o fato de o desejo estar sempre associado à causa de tanto sofrimento? Por que existe tanta repressão em relação a ele?

Mark Epstein, psicanalista, psicoterapeuta, estudioso do budismo e profundo conhecedor do pensamento freudiano, diz que essas reflexões são uma grave confusão. No livro “Aberto ao Desejo”, que acaba de ser lançado, ele propõe um novo olhar sobre o legado de Buda e de Sigmund Freud em relação à mais paradoxal emoção humana.

FACILITADOR – “O desejo é, na verdade, o facilitador para aprofundar a intimidade com nós mesmos, com o outro e com o nosso mundo. Se não estivermos em contato com nossos desejos, não podemos ser nós mesmos”, diz o estudioso.

Para Epstein, o desejo é vitalidade, “um componente essencial da nossa experiência humana, aquilo que nos confere nossa individualidade e que, ao mesmo tempo, nos empurra para fora de nós mesmos. O desejo é a nostalgia da completude em face da enorme imprevisibilidade de nossa condição. É natural, e se tentarmos expulsá-lo, ele voltará como uma vingança”, diz o psicanalista em seu livro.

Para o autor, “o desejo é uma resposta natural à realidade do sofrimento. Nós nos sentimos incompletos, e o desejo completa; nos sentimos inquietos, e o desejo acalma; sentimos insegurança, e o desejo conforta; sentimos solidão, e o desejo nos conecta. O desejo é o cadinho onde o eu é formado. É por isso que o desejo era tão importante para Freud”, diz Epstein.

UM EQUÍVOCO – A intenção de Epstein ao escrever esse livro foi a de corrigir a percepção equivocada e ainda dominante de que o budismo luta para eliminar o desejo.

“Na verdade, a palavra que Buda usou para descrever a causa do dukka (sofrimento) não foi desejo, mas sim “tanha”, que significa sede ou anseio. É o que poderíamos chamar de apego, a tentativa de agarrar-se a uma experiência que não se pode reter, e não o desejo de felicidade ou de completude”.

Em sua experiência de 30 anos como terapeuta, buscando uma integração entre o budismo e a psicoterapia, o autor percebeu que a definição de desejo era crucial.

AUTOCOMPREENSÃO – “Colocar o desejo como inimigo e, então, tentar eliminá-lo é buscar destruir uma das nossas mais preciosas qualidades humanas, nossa resposta natural à verdade do sofrimento. O budismo não tem a intenção de ser o caminho da destruição, mas sim o caminho da autocompreensão. Não busca dividir para conquistar, busca totalidade e integração”, argumenta o psicanalista.

Segundo ele, “havia uma maneira de trabalhar com o desejo que contradiz completamente a interpretação usual do budismo enquanto estimulador da renúncia e do desapego. Esses ensinamentos eram mantidos em segredo, por conta da sua tendência de serem mal compreendidos e de se tornarem abuso, mas sem eles, o valor total da abordagem budista não pode ser apreciado”.

39 thoughts on “Reflexões sobre Freud, o budismo e a importância do desejo na existência humana

  1. 1) Parabéns Dr. Ednei, belíssimo e importante artigo.

    2) O autor, Mark Epstein tem mais dois livros publicados no Brasil sobre psicanálise e Budismo.

    3) Sugiro o sr. respeitosamente, resenhá-los.

    4) Gratidão e bom domingo.

    5) A frase citada por Freud, na charge, parece quase o Sutra (texto canônico) Discurso aos Kalamas de Buda.

  2. Quando se ouve falar, em Buda, logo nos vem o conceito de pacifismo, zen, nirvana, renúncia, sabedoria, contemplação, transcedência, abnegação etc.
    Laos, que é uma nação de fortes tradições budistas, figura relacionada como um dos países mais perigosos a quem professa outros credos.
    Depois dalgumas epidemias terem como origem a China, pelo menos a ela atribuem; aqui, no Ocidente, indivíduos doutros segmentos religiosos, valem-se de 1/5 dos budistas chineses, para debitarem a tal filosofia o doutrinamento, formador de pessoas más, ao ponto de pruduzirem o Coronavírus.
    No que tange o vaticínio de Freud, à derrocada breve do comunismo, nem precisava ser um psicanalista renomado, para fazer um prognóstico tão trivial.
    -Se o teísmo atrai mais adeptos do que o ateísmo, porque o primeiro promete uma recompensa póstuma (e hoje já inclui até uma vida terrena de maravilhas), embora seja apenas uma quimera. Em analogia ao capitalismo: talvez seja este o único sistema que ofereça ao homem, a possibilidade de ele realizar o seu instinto mais agoísto: crescer e se autoafirmar como alguém capaz de ver milhares abaixo de si!

  3. Continuo afirmando, na minha ingênua filosofia, que não existem religiões, doutrinas ou ideologias más, e sim. operadores venais, oportunistas, estúpidos e mal intencionados.

  4. Raramente encontro comentários sobre Freud ou Buda no Wall Street, Washigton Post ou no The New York Times. E nunca no meu mundo limitado ouvi qualquer notícia de alguém curado pela sabedoria do Sigmund.
    E por falar em desacordo, discordo que a sabedoria comece com a dúvida. Sabedoria, pelo que nos diz os dicionários, engloba muitos conceitos: acúmulo de conhecimento, habilidade de discernir o certo do errado – e assim vai. Sabedoria pode até ser o acúmulo de conhecimento inútil de um erudito.
    Se relacionarmos o conceito de sabedoria como expertise em alguma área, não hesito em afirmar que só o interesse, a inclinação e a dedicação contínua leva a essa qualidade tão valorizada nos dias de hoje. Dúvida não faz sábios – dúvida pode levar á curiosidade de busca de uma resposta.

  5. Sobre Freud:

    “Freud era indiscutivelmente brilhante, muito culto e bom escritor; mas sua carreira, quando ele parou de estudar o sistema nervoso das enguias, sem dúvida pertencia mais à história de técnicas de autoprimoramento e da fundação das seitas religiosas do que à ciência. É historicamente comprovado que tinha o hábito de mentir, que fabricava provas tanto quanto Henry Ford fabricava carros; era um plagiados que não só não reconhecia como deliberadamente negava a origem das suas idéias; ele acreditava em absurdos evidentes, como atesta a sua relação com Wilhelm Fliess; era um mitólogo que se engrandecia e um desavergonhado manipulador de pessoas; nas finanças, era ávido e inescrupuloso; fundador de uma seita doutrinária e useiro e vezeiro de fofocas que não tolerava oposição ou competição, evocava anátemas para os infiéis com a mesma intolerância de Maomé.”

    “Evasivas Admiráveis – como a psicologia subverte a moralidade”, de Theodore Dalrymple.

    Sobre psicanálise:

    “A profissão de psicanalista não está regulamentada. Nem os psicanalistas querem que seja regulamentada, pois aí alguma “escola” pode ficar fora. Assim sendo, não se exige nem mesmo curso superior para o exercício do ofício. Assim sendo, não se exige nem mesmo curso superior para o exercício do ofício. Na França, para efeitos de imposto de renda, psicanalistas são equiparados a prostitutas, videntes e cartomantes.

    Há uns bons quarenta anos, venho afirmando esta evidência. Me sinto clamando no deserto. Ainda hoje há quem pense que o exercício da psicanálise exige curso superior. É claro que se você colocar sua plaquinha, as guildas vão chiar. Que chiem. A profissão não está regulamentada.

    Muitos embates tive com esta raça de vigaristas. Ainda jovem, fiz um concurso para secretário de escola. Na hora do exame biométrico, entrei na fila errada, caí na dos concursados para delegados de polícia. Fui examinado por um psicanalista. Sentado em uma cadeira solene, do outro lado da mesa me analisava com olhar percuciente. Eu, numa cadeirinha de réu. Comecei a rir.

    – Por que o senhor está rindo?
    – Estou rindo porque o senhor, do alto dessa curul, está me observando nesta humilde cadeirinha.

    Não sei se ele entendeu a curul, mas senti que não gostou.

    – O senhor está rindo de nervoso.
    – Vai ver que é, Dr! O senhor é psicanalista. Eu, provavelmente um neurótico qualquer.
    – O senhor tem algo contra a psicanálise? – perguntou-me.

    Tinha e muito. Havia lido bastante na época sobre o assunto e fui debulhando meus argumentos. Ele não disse nada e dispensou-me. Algumas semanas depois recebi uma comunicação. Devia submeter-me a uma junta psiquiátrica. Se não aceitava a psicanálise, certamente era um perigoso meliante.”

    http://cristaldo.blogspot.com/2012/06/psicanalista-e-qualquer-um-respeito-de.html

    • Usando eu o contraditório para o bem da liberdade de expressão e debates que podem suscitar, respeitosamente contesto o comentarista Jair dos Santos sobre o que postou a respeito de Freud.

      E não sou analista, médico, advogado … não tenho curso superior algum, mas de todos os pensadores que nos últimos duzentos anos modelaram nossa compreensão da natureza humana, Sigmund Freud indiscutivelmente se encontra entre os mais importantes.

      “Em toda a história do pensamento ocidental, talvez apenas Platão e Marx aparecessem em escala aproximada.

      O que dá a Freud tal importância, a qual ele parece manter mesmo diante do mais feroz e contundente dos seus críticos? Uma forma de responder a tal questão é considerar a extensão e a natureza da transformação que trouxe para a psicologia.

      Antes de Darwin, a psicologia, assim como as ciências naturais em geral, estavam profundamente enraizadas na religião.

      Da mesma forma pela qual, físicos como Isaac Newton (ele próprio cristão devoto) examinavam a natureza, na esperança de desvendar os segredos de seu criador divino, aqueles que estudavam a natureza humana eram conduzidos por exigências religiosas semelhantes.

      De fato a psicologia não era originalmente mais do que uma vertente da teologia cristã; a própria palavra foi criada, no século XV, por teólogos dedicados ao estudo da alma.

      Tal como várias formas de saberes modernos, a psicologia, como disciplina que emergiu gradualmente durante o século XIX, conservou várias suposições e hábitos mentais pertencentes à idade da fé. Tinha suas raízes de um lado no pensamento de Platão e, de outro, nos ensinamentos de Jesus. O que as tradições, platônica e cristã, têm em comum é a crença de que seres humanos são feitos de duas entidades distintas – um corpo animal, criado por Deus, e um espírito, mente ou alma dado por Deus apenas ao homem.

      A psicologia estava interessada na alma dos seres humanos. O interesse da psicologia em fenômenos cognitivos como memória, inteligência e percepção é uma herança desta perspectiva centrada na alma.

      Ao criar a psicanálise no final do século XX, Freud modificou essa perspectiva que existia até então. Uma disciplina, que antes se interessava apenas por um extrato seleto e relativamente puro da existência humana, viu-se, de repente, diante do todo da vida humana.

      Os mais profundos sentimentos de homens e mulheres, acima de tudo seus impulsos sexuais, claramente excluídos da filosofia por Platão como forma de corrupção intelectual, foram então postos como tema central desta nova ciência: a psicanálise.

      O enorme apelo de uma forma de psicologia que nos coloca de frente com um dos assuntos mais fascinantes que há não deve ser subestimado: nossa herança animal e, acima de tudo, a natureza do desejo sexual humano, assim como a variedade de comportamentos sexuais.

      Provavelmente seja por causa desse apelo que muitos não hesitaram em alçar Freud à condição de verdadeiro revolucionário intelectual, tal como fora Darwin.”
      (Portal

      Educação).

      Se os analistas que Jair dos Santos tenha conhecido os decepcionou, estender a Freud essa insatisfação é, no mínimo, infantil.

      Se a ciência tem nesse criador da Psicanálise um dos marcos do pensamento humano, que conseguiu desvendar o inconsciente e o classificou de várias formas, contesto as afirmações acima sobre a contribuição de Freud à ciência.

      Meus respeitos ao Jair dos Santos.

      • Prezado e ilustre Francisco Bendl,

        A cada dia mais admiro e aprendo como o que o senhor escreve. O senhor deu uma resposta exemplar e didática, cheia de sabedoria, ao Sr. Jair dos Santos. Eu não saberia responder igual. Parabéns.

        Guarde para sempre o meu afeto pelo senhor e a crescente admiração que tenho sobre o que o senhor lúcidamente escreve, e sempre em linguagem coloquial. Se possível, leia a resposta que dei acima ao Sr. Sapo de Toga, que afirmou que afirma que “nunca no meu mundo limitado ouvi qualquer notícia de alguém curado pela sabedoria do Sigmund (Freud)”.

        Dei a ele, hoje, esta oportunidade.

        Um abraço de coração,

        Ednei José Dutra de Freitas

        • Caro dr.Ednei,

          Até o surgimento de Freud, a mente era uma ilustre desconhecida para a humanidade.

          Nesse aspecto, pessoas com mais ou menos humor, mulheres com mais ou menos charme, homens e mulheres que faziam sexo e se mostravam amantes, normalmente eram definidos pela Igreja como possuídos por espíritos do mal!

          Freud dissecou a mente humana, em Id, Ego e Superego.

          O Id é o componente nato dos indivíduos, ou seja, as pessoas nascem com ele. Consiste nos desejos, vontades e pulsões primitivas, formado principalmente pelos instintos e desejos orgânicos pelo prazer.

          A partir do ID, desenvolvem-se as outras partes que compõem a personalidade humana: Ego e Superego.

          Id para Freud é o componente da personalidade composto de energia psíquica inconsciente que trabalha para satisfazer impulsos básicos, necessidades e desejos.
          O id opera com base no princípio do prazer, o que exige a satisfação imediata das necessidades. Isso segundo a sua teoria psicanalítica da personalidade.

          O id é a única parte da personalidade que está presente ao nascimento.
          Freud também sugeriu que este componente primitivo da personalidade existia completamente dentro do inconsciente.

          Em rápidas palavras,o Id atua como a força motriz por trás da personalidade. Ele não só se esforça para cumprir nossos impulsos mais básicos, muitos dos quais estão ligados diretamente à sobrevivência, como também fornece toda a energia necessária para dirigir personalidade.

          Durante a infância, antes dos outros componentes da personalidade começarem a se formar, as crianças são governadas inteiramente pelo Id.

          Satisfazer as necessidades básicas com comida, bebida e conforto são de extrema importância.
          À medida que envelhecem, seria obviamente muito problemático agir simplesmente para satisfazer as necessidades do Id, sempre que sentimos uma necessidade, ou desejo. Felizmente, os outros componentes da personalidade se desenvolvem à medida que envelhecemos, o que nos permite controlar as exigências do Id e nos comportar de formas socialmente aceitáveis.

          O Ego opera sobre o princípio de realidade, enquanto que o Superego opera no princípio da moralidade.

          O Ego faz um indivíduo concentrado unicamente na realidade que faz com que ele seja egoísta, mas o Superego faz com que um indivíduo seja altruísta.

          “O ego deve, no geral, executar as intenções do id, e cumpre sua atribuição descobrindo as circunstâncias em que essas intenções possam ser mais bem realizadas. A relação do ego para com o id poderia ser comparada com a de um cavaleiro para com seu cavalo. O cavalo provê a energia de locomoção, enquanto o cavaleiro tem o privilégio de decidir o objetivo e de guiar o movimento do poderoso animal.
          Mas, frequentemente, surge entre o ego e o id a situação, não propriamente ideal, de o cavaleiro só poder guiar o cavalo por onde este quer ir. Há uma parte do id da qual o ego separou-se por meio de resistências devidas à repressão.
          A repressão, contudo, não se estende para dentro do id: o reprimido funde-se no restante do id”
          (Sigmund Freud, 1933, Novas conferências introdutórias à psicanálise).

          A contribuição de Freud à psicologia foi fundamental para que esta ciência entendesse mais e melhor o comportamento humano:
          Reações, perturbações, desvios de personalidade … a Psicanálise foi decisiva para que saíssemos da Idade Média e entrássemos na Idade Contemporânea.

          O superego segundo Freud e sua teoria psicanalítica da personalidade, é o componente da personalidade composto por nossos ideais internalizados que adquirimos com nossos pais e da sociedade.
          Ele trabalha para suprimir os impulsos do id e tenta forçar o ego à agir moralmente, e não se comportar de forma realista.

          Na teoria de Freud de desenvolvimento psicossexual, o superego é o último componente da personalidade a se desenvolver.

          Sem eu exagerar, dr. Ednei, afirmo que, se hoje a psicologia e a própria Psiquiatria conseguem trazer de volta pacientes levados pelos labirintos de suas mentes, o Teseu dessa libertação ou o cordão que o ser mitológico utilizou para se livrar de ser devorado pelo Minotauro, esse foi Sigmund Freud!

          Muito obrigado pelas suas palavras generosas.
          Não faço mais que a minha obrigação, dr.Ednei, de levar a verdade adiante, e com bases em estudos, na História, fatos e episódios que não podem ser contestados sem maiores conhecimentos de causa.

          Nesse particular, os comentaristas Jairo e Sapo, que também o reconheço como excelente na arte de escrever, pois culto, inteligente e sagaz, emitiram suas opiniões pessoais, e não como profissionais do ramo.

          Precisam ser compreendidos, assim como eu, que estou me intrometendo indevidamente em um território onde sou paciente, e jamais serei o seu curador!

          Um grande abraço.
          Saúde e paz.
          Cuide-se.

          • Meu caro Francisco Bendl,

            O senhor escreveu um texto estupendo, escorreito, digno de um psicanalista experiente. Explicou com clareza que “Freud dissecou a mente humana, em Id, Ego e Superego”.

            Disse o senhor, ainda, com acerto, que:

            “O Id é o componente nato dos indivíduos, ou seja, as pessoas nascem com ele. Consiste nos desejos, vontades e pulsões primitivas, formado principalmente pelos instintos e desejos orgânicos pelo prazer”.

            E continua:

            “A partir do ID, desenvolvem-se as outras partes que compõem a personalidade humana: Ego e Superego”

            E acrescenta que:

            “Id para Freud é o componente da personalidade composto de energia psíquica inconsciente que trabalha para satisfazer impulsos básicos, necessidades e desejos.
            O id opera com base no princípio do prazer, o que exige a satisfação imediata das necessidades. Isso segundo a sua teoria psicanalítica da personalidade”

            E novamente acerta quando diz:

            “O id é a única parte da personalidade que está presente ao nascimento.
            Freud também sugeriu que este componente primitivo da personalidade existia completamente dentro do inconsciente”.

            E explica tal como faria um psicanalista de primeira linha que:

            “Em rápidas palavras,o Id atua como a força motriz por trás da personalidade. Ele não só se esforça para cumprir nossos impulsos mais básicos, muitos dos quais estão ligados diretamente à sobrevivência, como também fornece toda a energia necessária para dirigir personalidade”.

            E acrescenta:

            “Durante a infância, antes dos outros componentes da personalidade começarem a se formar, as crianças são governadas inteiramente pelo Id”.

            Também é verdade que:

            “Satisfazer as necessidades básicas com comida, bebida e conforto são de extrema importância”.

            Preciso acrescentar, sobre o último parágrafo que o senhor escreveu, que as pessoas normais realmente, começam a desenvolver o Ego, e também a “consciência moral” (digamos assim) que é o superego, que é inconsciente, todavia algumas pessoas chegam à idade adulta e mesmo até a velhice com um superego muito frágil. E aí o Id toma conta do Ego. O Ego desses indivíduos é pautado pelos desejos do Id. Sem nenhum desejo de fazer blague, que não é o meu feitio, o que posso dizer sobre pessoas como o presidente Bolsonaro são, na verdade, possuidores de um Id dominador, só age com impulsos do Id, e o superego do presidente é atrofiado, praticamente inatuante ou até inexistente. Isso acontece com várias pessoas, não só com Bolsonaro, que não desenvolvem bem o superego, e ficam com o Ego a serviço tão somente do Id.
            Fazendo esse reparo, para as pessoas normais, o senhor acerta em tudo o que disse.

            Devo acrescentar que Jair Bolsonaro é um Id falante, e seu desempenho no governo e na sociedade é totalmente pautado pelo Id.

            Receba minha admiração e meus melhores parabéns !

            Afetuosos abraços,

            Ednei Freitas

            À medida que envelhecem, seria obviamente muito problemático agir simplesmente para satisfazer as necessidades do Id,

  6. A minha educação religiosa foi católica, apostólica romana.
    Fui batizado, crismado, tomei a Primeira Comunhão, meus filhos foram também batizados e crismados, casei no civil e na Igreja católica.

    Com o decorrer da idade, mente mais ampla – fosse para o bem ou para o mal não vem ao caso -, tratei de juntar os fatos pessoais, acontecimentos e episódios, confrontando com aquilo que fui ensinado espiritualmente, então os primeiros conflitos entre a crença e a fé.

    Entendi que, se Jesus era Filho de Deus feito homem, a espécie humana era da mesma forma obra desse Criador.
    Porém, lidávamos com um Todo-Poderoso cruel, intolerante, impiedoso.
    Se o próprio Filho deixou que fosse torturado e pregado na cruz para morrer dolorosamente, eu, Seu Filho, poderia contestá-lo, questioná-lo, saber as razões pelas quais nos criou para que sofrêssemos tanto e, muitas vezes, em vão.

    Exemplos de tempos mais antigos corroboravam a minha rebeldia:
    O Dilúvio, Sodoma e Gomorra, As Pragas sobre o Egito e o Faraó, a tremenda bronca e humilhação que Ele fez contra Jó, em um dos capítulos mais extraordinários do Velho Testamento …
    O pobre do ser humano foi simplesmente esmagado, e teve de calar a boca e aceitar seus infortúnios agradecendo não ter sido pior!

    Bom, onde quero chegar:
    O excelente tema postado sobre os desejos humanos, que religiões e filosofias afirmam que devem ser controlados sob pena de sofrermos em demasia, contrasta com o fundamental na vida de uma pessoa:
    A sua natureza.

    A humanidade chegou até aqui graças aos desejos principalmente carnais, sexuais, hormonais.
    Renunciar a eles é o mesmo que dar adeus à vida, de a existência não ter sentido algum para se seguir adiante.

    Nesse aspecto, a minha contrariedade figadal contra padres e monges, que tentam renegar as suas naturezas, suas biologias, para assumir um tipo de vida que mais ainda problemas vão ter para entender os porquês de viver e de ser.
    E, essa existência, somente se completa com o nosso oposto, A MULHER!

    O homem sem a sua parceira terá uma vida insossa, aleatória, insignificante;
    A mulher sem o seu parceiro terá a mesma vida sem sentido.

    A meu ver, os erros crassos daqueles que se dizem líderes disso ou daquilo, religioso ou político, esportivo ou social, recaem na negação do que se é, de como fomos constituídos.
    A ponto que a humanidade só continua nesse mundo, se o homem e a mulher quiserem.
    Deus não pode interferir nessa questão porque negaria a Si mesmo!

    Não teria criado a espécie, se aceitasse do jeito que os castos imaginam, servi-Lo sem que conheça e goze os seus desejos, fundamentalmente os mais básicos, aqueles que nos fazem existir há 4 milhões de anos:
    a procriação, o sexo, o desejo de imortalidade.

    Aliado ao sexo, o afeto, o cheiro da fêmea, a volúpia, o desejo pela mulher, e fazê-la sua até o fim.
    Deus não quer o celibato, caso contrário sequer haveria a espécie humana, simples.
    Nesse particular, os ateus que me perdoem, mas não creditar em Deus é um tanto quanto pueril, para eu dizer o mínimo.

    De que forma a Natureza iria fazer o ser humano?
    Quem ela teria feito primeiro, o homem ou a mulher?
    Se foi o homem, como que a Natureza “PENSOU” na necessidade absoluta de que, se essa espécie tinha de perdurar, criou a mulher?
    Ambos devem ter sido criados perto um do outro, de modo que se conhecessem;
    Ambos devem ter sido criados no mesmo espaço de tempo, pois se um deles morresse sem o outro, adeus humanidade;
    Como que a Natureza soube dar ao macho a “torneirinha” e, à fêmea, a “garagenzinha”?
    O Côncavo e o convexo?
    E por que se atraíram?
    Por que não entenderam que seriam inimigos, que um iria ocupar o espaço do outro?
    Comer a caça do outro, a pesca, tomar a água que não era sua?!

    Tenho uma certa rebeldia comigo com aquilo que é decidido, tácito, indiscutível, dogma.
    Não somos assim, e não podemos deixar de perguntar, contestar, questionar, pois temos inteligência, sabedoria, raciocínio, que nos difere do irracional, menos, muitas vezes, no comportamento social quando o animal nos mostra muito mais afeto e consideração pela sua raça do que nós, humanos, pela nossa espécie.

    Dito isso, resgato Nietzsche:
    Mais vale uma noite dionisíaca, que perdê-la seguindo santos nos seus devaneios de servir um Deus que nos faz sofrer!
    Para o alemão, a religião era a negação da vida, principalmente o Cristianismo como havia sido ensinado e propalado.
    “Aquilo que se faz com amor está acima do bem e do mal”, era uma de suas frases.
    Ora, a única forma de demonstrarmos amor é por nós mesmos, no caso, do homem para a mulher e vice-versa.
    Não se pode amar quem não se conhece, ainda mais quem nos obriga a um tipo de vida IMPOSSÍVEL de levar adiante.

    O homem, então, entendeu que abandonar seus desejos vitais literalmente, seria uma forma de amar a Deus, de servi-Lo, mas enganou-se redondamente.
    O celibato ocasiona um ser humano pela metade, inútil quanto ao princípio divino:
    Crescei e multiplicai-vos!

    Para tanto, deu à mulher as condições de nos tentar, de nos seduzir, de nos conquistar.
    Pois foi esse medo de tirar o homem da Igreja, de seus princípios, que o catolicismo repudiou a mulher durante mais de mil anos!
    Tentou sequestrar o homem para a sua doutrina, seus dogmas, a sua fé.
    Afinas das contas, Eva tinha sido a responsável pela expulsão do homem do Paraíso, logo, era a representante do demônio, da lascívia, do desejo carnal, da ânsia dos homens por ela, homens, que até matavam quando queriam uma fêmea para si.

    A Igreja passou a ser inimiga da mulher, que era um ser inferior, que seus encantos deveriam ser inutilizados por bem ou por mal.

    Nada é mais importante e divino que a mulher, nada!
    O homem foi o rascunho de Deus; a mulher foi passada a limpo.
    A mulher é o amor personificado, o sacrifício, o desprendimento, o afeto, o carinho, o colo …
    Mãe é a palavra mais pronunciada na História da Humanidade!

    Homenageá-la à altura, somente amando-a com paixão, com desejos poderosos, lascívia, onde o ato sexual deve ser feito com prazer, tanto em oferecer quanto receber.
    A mulher precisa saber que é desejada, que ocasiona no homem seus mais comezinhos ímpetos sexuais, que justamente são a fonte de nossa existência, da nossa continuidade nesse mundo.

    Uma mulher ao lado, abraçado a ela, tem mais valor que as meditações de Buda, que as parábolas de Cristo!
    Esse gesto de amor, CONCRETIZA os ensinamentos de Jesus e o recado de Buda, e não o contrário.
    Não podemos demonstrar que somos seus seguidores, que aceitamos o que deixaram como ensinamentos, se não estendemos nossos pensamentos e atitudes à mulher, a nossa outra parte, pois sem ela somos incompletos, e renunciar ao acasalamento, ao sexo, é renegar a Deus, as divindades, o que é sagrado, e permitir que o profano se instale dentro de nós, e passemos a ter uma existência infeliz porque irrealizável na sua satisfação e realização.

    Em outras palavras:
    Adoro e cultuo a mulher!
    Deusas que estão conosco, e as tratamos tão mal!
    Mas vale um beijo de uma mulher, que ler a Bíblia; mais vale amar a mulher que tentar o impossível: obedecer os Mandamentos!
    Mais vale um abraço de uma mulher, que entender como se chega ao nirvana.
    Mais vale uma mulher ao lado, que meditar como monge, e acompanhado do Dalai Lama a vida toda!

    Deus é Mulher, a Natureza, a vontade, a disposição, a voluntariedade.
    Só temos para agradá-la e satisfazê-la nossos desejos, e os mais básicos. Logo, que sejamos competentes nessa tarefa tão simples!

    • Caro Bendl … o amigo é da turma do São Francisco de Assis.

      Até ele, todo canto de todas religiões, eram de adoração … em sua época predominava o Canto Gregoriano.

      https://pt.wikipedia.org/wiki/Francisco_de_Assis

      A origem de seu nome Francesco (Francisco) é incerta. Para uns, depois de uma viagem à França, onde o menino teria ficado cativado pela vida francesa, sua música, sua poesia e seu povo, seu pai teria começado a chamá-lo de “francesco”, que significa “francês” em italiano. Para outros seu pai teria feito, em vez, uma homenagem ao país natal de sua esposa, embora não haja provas de sua naturalidade francesa. Também foi sugerido que o nome foi dado por seu gosto pela língua francesa, que perdurou por toda a vida de Francisco e era em sua época a linguagem por excelência da literatura cavaleiresca e da expressão amorosa.

      Sds.

      • Essa parece ser a etimologia mais convincente, para Francisco.
        Quanto à forma coloquial, CHICO, pelo menos no Brasil, para Francisco, esse hipocorístico ou tautossilabismo (quando as sílabas são repetidas = Dudu, Lalá….). Raimundo, por exemplo, possui “n” hipocorísticos: Doca, Munda, Dico, Mundoca, Mundinho, Dicão, Mundico etc.
        Essa desinência “Oca”(casa) vem do tupi-guarani: Doméstico, familiar, de Casa, Íntimo). Daí: Janoca para Joana, Pedroca para Pedro, Riboca para Ribamar….

      • Lionço, meu caro amigo,

        Vou considerar que estás me dirigindo palavras de apoio e incentivo.

        Acredito que Francisco de Assis é o santo mais carismático da Igreja Católica.
        Foi aquele que mais se aproximou de homens e mulheres comuns, além de tornar-se o protetor de animais.

        Seus encontros e desencontros com Santa Clara, o rompimento com a burguesia, a vida destinada aos pobres e vivendo como um deles, coloca Francisco, a meu ver, no panteão de homens que devemos admirar e reverenciar.

        A sua oração:
        “Ó, Mestre, fazei que eu procure mais consolar, que ser consolado;
        compreender, que ser compreendido;
        amar, que ser amado.
        Pois é dando que se recebe, é perdoando que se é perdoado,
        e é morrendo que se vive para a vida eterna”.
        Trata-se da síntese do que é o desprendimento de si mesmo para seus semelhantes, para com o ser humano, para com a vida!

        Valeu pela lembrança,. Lionço.

        Um grande abraço.
        Saúde e paz.
        Te cuida, meu!

          • Caro Moreno,

            Uma pergunta singela:
            Nesse mundo criado por Deus, quem seria mais importante para o homem?
            Deus ou a mulher?

            Indiscutivelmente, a mulher!
            E é tão simplória essa afirmação que, em seguida, após fazer o homem, Deus lhe deu a sua parceira, que seria aquela que deveria honrar e amar!

            Indubitavelmente, Deus entende e aceita que muito melhor para a Sua avaliação de quem é bom ou mau, Ele deve analisar a forma como o homem se comporta diante da mulher.
            Maus tratos, humilhações, submissões, desprezo, agimos exatamente contra Deus!

            Por quê?!

            Pelo fato que a mulher, uma pessoa humana, foi a mãe do Seu Filho!

            Outro abraço, Moreno.

  7. “Psicólogos e terapeutas são humanos e sofrem como todo mundo, e alguns vivem repletos de sofrimento.
    Estudam psicologia por anos, conhecem as técnicas muito bem, mas no fundo nutrem sofrimentos que não foram capazes de curar e transformar.

    Talvez não tenham sido capazes de oferecer a si mesmos a alegria, para assim equilibrar as dores que retiram dos seus clientes, e por isso não têm espaço para ajudar eficientemente.

    As pessoas pagam um bom dinheiro a esses terapeutas, voltando semana após semana, sempre na esperança de cura…

    Mas nenhum conselheiro é capaz de ajudar se não conseguir ouvir a si mesmo com compaixão.
    Sua habilidade de escutar os demais depende, em primeiro lugar, da sua capacidade de ouvir, com compaixão, a si mesmos”

    Moral da história:
    Existem psicólogos, Buda, e os bundas…
    Se quiser ouvir, ajudar ou curar, não perca tempo nem dinheiro. Escolha o Buda.

    • Como quaisquer blefes, para que ocorra a sugestão, o sugestionando deve desconhecer os limites da fonte de estímulo, ou seja: não lhe deve ser revelado o “fundo da cartola”. Por isso, a autossugestão é mais difícil: não é fácil enganar a si mesmo.

      Para a psicologia de massa, o comportamento coletivo é catatônico, ou senão, ele é como os marcadores de Garrincha, que, embora já conhecessem o seu drible manjado, ainda assim, deixavam-se enganar toda vez.

    • A moral da história postada é contestada e muito discutível.

      Esquizofrenias, paranoias, perturbações, depressões, bipolaridades, personalidades múltiplas, desvios da mente … podem não ser curadas pela psicologia e psicanálise.

      Mas, da mesma forma, o budismo não teria como trazer de volta essas pessoas somente através de contemplações e leitura a respeito de reencarnações, equilíbrio e compreensão do que se faz nesse planeta.

      Fosse assim, e nos países onde o budismo é a religião/filosofia seguida não haveria casos de problemas mentais!

      Dito isso, a conclusão obtida, “escolha o Buda”, também poderia ser classificada como contrária à própria sugestão, pois certamente um dos ensinamentos do mestre indiano jamais seria o radicalismo, até porque do alto da sua humildade ele mesmo diria não ser o dono da verdade!

  8. Bom, vou dar um palpite sobre Freud.
    Acredito que seus métodos e suas teses não podem ser demonstradas. Assim como várias conclusões de outros psicanalistas.

    Mas assim caminha a humanidade, as dúvidas é que impulsionam o ser humano, para o bem ou para o mal. Para mim, as verdades são relativas.

    Eis um artigo que questiona Freud: seria ele um gênio ou fraude? https://universoracionalista.org/freud-era-uma-fraude-o-triunfo-da-pseudociencia/

  9. Meu caro conterrâneo, Vidal,

    Frederick Crews é um crítico literário e professor de Inglês.

    Respeitosamente, trata-se de um ilustre desconhecido, ao passo que Freud tem o seu nome associado a uma das descobertas mais importantes da História da Humanidade!

    Médicos, cientistas, psicanalistas, psicólogos, atestam o brilhante trabalho que desenvolveu.
    Acusá-lo de fraude, o americano mostra que o seu caráter pode ser questionado, além de nos permitir perguntar se entende de “capar touros”?!

    Tenho muitas ressalvas contra opiniões dadas sem que o emissor tenha qualquer conhecimento a respeito do que afirma.
    Logo, mostra-se inconsequente e, até mesmo irresponsável.

    Evidente que percebo tu apresentares o contraponto, e trazes o palpite de um ensaísta americano, uma pessoa que deve saber tanto de Psicanálise quanto a minha neta de sete anos entende de motor de helicóptero.

    Tivesse Freud uma contestação sobre o seu trabalho nos mesmos níveis daqueles que o elogiam e admiram, até que se poderia discutir o mérito de suas conquistas e descobertas.

    No entanto, a contribuição de Freud à ciência é unanimidade e, nesse caso não é burra, mas a confirmação CIENTÍFICA de uma obra magnífica e incomparável no esmiuçamento da mente e do inconsciente do ser humano.

    Abração.
    Saúde e paz.
    Te cuida, meu!

  10. Obrigado a todos pelo nível da conferência, além de uma aula magna sobre espiritualidade, psicologia, religiosidade e comportamento humano, operaram um milagre, afugentaram os robôs.

  11. Inicialmente, parabenizamos o Dr. Ednei Freitas por iniciar essa rica discussão sobre a relevância da obra de Freud, com todos seus prós e contras…

    Sem pretensão de esgotar qualquer tema, de fato, Freud é considerado o “Pai da Psicanálise”. Seu trabalho influenciou muitas linhas psicanalíticas, direta ou indiretamente, e marcou a psicologia.

    Mas, também, foi objeto de reservas. Por exemplo, K. Popper indicava que o conjunto de conjecturas freudianas se apoiava em teses “ad hoc” como a do Mito de Édipo. A assunção dogmática de pontos de partida como este permitiria ao edifício freudiano se “imunizar” contra a crítica científica… Em resposta, Freud (médico, de formação), tentou empreender a elaboração de uma “metapsicologia” em que se explicitasse os fundamentos do conjunto de assunções de suas teses…

    Ainda sem esgotar os temas, quanto às colocações do Francisco Bendl (14:36), Helio Fernandes concorda com o ilustre articulista. Ao fazer contraponto à assertiva de Rui Barbosa segundo a qual a palavra mais bonita da língua portuguesa é “magistrado”, HF discorda, afirmando que a palavra mais bela do nosso vernáculo é “mãe”.

    Gratíssimo e Forte Abraço!

    • Sr. Christian Cardoso,

      O senhor, em que pesem as parabenizações pela discussão sobre a obra de Freud, siaxoeewnso humildemente como os sábios, o faz , conforme diz, “sem esgotar qualquer tema”, o que é louvável e necessário tanto à escrita científica quanto à escrita filosófica.

      Escreveu também sobre Popper, em assunto que Popper errou (errar em ciência é inevitável !). Mas num longo artigo científico e filosófico, mostro a cientificidade da psicanálise baseada exatamente nos três mundos de Popper, mas não deixei de apontar para o preconceito de Popper, naquale que foi o maior erro filosófico de sua carreira, quando tenta desqualificar a psicanálise enquano ciência, Eis um pequeno extrato deste meu artigo:

      Disse Karl Popper :
      “Foi durante o ano de 1919 que comecei a experimentar crescente
      insatisfação, a propósito de três teorias: a teoria Marxista da
      História, a Psicanálise e a Psicologia Individual. E comecei a ter dúvidas sobre o estatuto científico em relação ao qual elas tinham pretensões. Meu problema tomou, de início, a seguinte forma: o que será que está errado com o Marxismo, a Psicanálise e a Psicologia Individual? Porque são elas tão diferentes das teorias físicas, da Teoria de Newton e, especialmente, da Teoria da Relatividade?…dentre nós, poucos, naquela época, teriam dito que acreditavam que a Teoria da Gravitação, de Einstein, fosse verdadeira. Esse fato demonstra que aquilo que me preocupava não era uma dúvida relacionada à verdade dessas teorias, mas sim que era algo diferente … Talvez fosse um ressentimento meu por achar que essas três teorias, muito embora pretendem ser ciência, apresentavam, na verdade, mais afinidade com os mitos primitivos do que com a ciência. Elas se pareciam mais com a astrologia do que com a astronomia.

      Eu descobri, então, que os meus amigos que eram admiradores de Marx, Freud e Adler mostravam-se, todos eles, impressionados com um certo número de pontos que essas teorias tinham em comum e, particularmente, por seu aparente poder explicativo. Essas teorias pareciam ser capazes de explicar praticamente tudo o que pudesse acontecer no campo ao qual elas faziam referência.

      Estudar uma delas parecia ter o efeito de uma conversão intelectual ou de uma revelação, abrindo seus olhos para uma verdade nova, escondida daqueles que não tinham sido iniciados. Uma vez, porém, que você tivesse seus olhos abertos, você passaria a ver confirmações dela por toda parte: o mundo estaria repleto de verificações da teoria. Qualquer acontecimento que tivesse lugar iria confirmá-la” (Popper,1962)”.

      Os “amigos” de Popper, que ora ele critica, investindo-os como
      porta-vozes do Marxismo e da Psicanálise, ainda cometeram a façanha de se mostrar impressionados com um certo número de pontos que a Psicanálise e o Marxismo tinham em comum! Popper não se deu ao trabalho de explicar que pontos são esses. No entanto, é bom lembrar que Freud nunca concordou com o Marxismo, sendo um anti-comunista histórico, e os clássicos marxistas abominam a Psicanálise, e esta foi proibida terminantemente na antiga União Soviética, e ainda o é em Cuba, na Coréia do Norte, não existe na China, Vietnam e outros países comunistas.

      Em suma, a Teoria do Método Dedutivo de Prova, de Popper, é um grande patrimônio para a humanidade ainda hoje. Pensando isso, neste ensaio, procuro mostrar o legítimo estatuto de Ciência que tem a Psicanálise, exatamente ancorado na teoria popperiana. Isto, contudo, me obriga a denunciar a incursão equivocada de Popper arrogando-se capaz de fazer a crítica e a refutação das teorias marxista e psicanalítica.

      Em se tratando de Psicanálise, usando novamente as palavras de Popper, “todo enunciado científico empírico pode ser apresentado de maneira tal que todos quanto dominem a técnica adequada possam submetê-lo à prova” Penso que, para testar empiricamente a Psicanálise, o experimentador – como em qualquer ciência – tem de estar devidamente equipado com a teoria e a técnica adequada. O que, em Psicanálise significa, pelo menos, que o experimentador tenha uma formação psicanalítica similar à que temos na International Psychoanalytical Association. Caso contrário, ele não poderá testar nada. Cada macaco só é objetivo no seu galho.

      Se o senhor quiser saber mais sobre este assunto, Sr. Christian Cardoso , leia clicando no link abaixo:

      http://port.pravda.ru/news/sociedade/cultura/07-02-2005/7155-0/

      • Caro Dr. Edinei Freitas,

        Agradeço a deferência em retornar ao meu humilde comentário. Essa interlocução dialógica em muito me honra!

        Voltando às relações entre psicanálise e ciência, importante notar que em momento algum deixamos de reconhecer mérito nos êxitos terapêuticos das diversas linhas da psicanálise, hoje bastante desenvolvidas ao redor do mundo, passando por Freud, Lacan, Winnicott, Heidegger/Boss, Deleuze, Gaiarsa, Rosenberg e dezenas (talvez, centenas!) de outros teóricos. Pessoalmente, entre outras teorias, admiro e considero notáveis os resultados obtidos pela gigante Nise da Silveira, a qual desenvolveu seus trabalhos tendo a obra de Jung como um dos seus eixos teóricos.

        Enfim, independentemente da corrente em questão, reconheço que os resultados em termos de ganho para os pacientes são elementos que pesam em favor da psicanálise. Se a mesma puder ser explicitada em termos de conhecimento perscrutável ao observador externo (ao invés de constituir um “locus” acessível somente ao intérprete privilegiado), oportunizando a terceiros o aprendizado através da abordagem crítica de seu conteúdo e, consequentemente, o compartilhamento desse conhecimento, tanto melhor. Aliás, isto é um corolário da pretensão que o Sr. veicula ao afirmar que busca um estatuto de ciência para a psicanálise.

        De fato, Popper dirigiu reparos à cientificidade da obra de Freud. Cumpre lembrar que o objeto da crítica era a obra (teoria formalizada proposicionalmente), não a pessoa de Freud (embora não venha ao caso, incidentalmente, registra-se que as famílias de ambos nutriam amizade na Viena da virada do séc. XIX para o séc. XX). Se tais críticas procedem, penso que cabe à totalidade da comunidade destinatária das proposições (ao gênero humano) avaliar se as mesmas merecem, ou não, alguma acolhida.

        O Sr. observa que Popper cometera o erro filosófico de desqualificar a psicanálise enquanto ciência. Ainda, como o Sr. bem lembrou, o erro está imbricado no processo de crescimento do conhecimento. Nesse sentido, longe de idealizar Freud, Popper, ou qualquer outro ser humano (falível/passível de erro), penso que a crítica feita por Popper à psicanálise de inícios do século XX possa (e deva) também ser “criticada” para que, à luz dos problemas encontrados, das soluções para esses problemas, e de outras teorias com maior alcance explanatório, seja possível o avanço do conhecimento (e quiçá, o aproveitamento deste por parte da humanidade, implicando em maiores níveis de dignidade para a totalidade da espécie).

        Dizemos o mesmo quanto às críticas popperianas em face do marxismo (clássico à E. de Frankfurt), ao imperialismo lógico do Círculo de Viena, à ciência revolucionária de Kuhn, entre outras. Pois, como o próprio Popper afirmara, é preferível que nossas teorias morram, em vez de nós, no lugar delas!

        Quanto ao seu artigo científico, será um prazer aprender com suas conjecturas, pelo que, agradeço enormemente a indicação e partilha!

        Gratíssimo e Forte Abraço!

        Cordialmente,
        Christian.

  12. Caro Bendl, o artigo, cujo link coloquei, foi escrito por Harriet Hall, baseado na obra de Crews. Aliás, o autor do livro baseou-se em material recém descoberto para escrever seu livro sobre Freud. Por falar nisso, o autor começou adotando a psicanálise de Freud nas suas críticas, porém mais tarde abandonou essa prática e começou a criticá-la.

    Certamente concordo e acho que tu também, que a psicanálise não é um método científico. Dizem que a psicanálise nunca foi além do método empírico.

    Muitos criticam as teorias de Freud. Por exemplo: http://gavsappsychpersonalityjbd.weebly.com/criticisms-of-psychoanalytic-theory.html#:~:text=Criticism%20of%20Freud%27s%20Psychoanalytic%20Theory,that%20this%20development%20is%20lifelong.

    https://www.quora.com/What-are-Sigmund-Freuds-criticisms-on-his-personality-theory

    Mas são apenas visões diferentes meu caro. E é ótimo que ninguém tenha a supremacia do saber. Nesse caso, nem Freud.

    Abraço, saúde e vida longa.

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