Reflexões sobre Lacerda, Jango e Brizola nos anos de chumbo

Flávio José Bortolotto

A meu ver, nos anos 60, o governador Leonel Brizola era revolucionário (socialista clássico), e o presidente João Goulart, reformista (social-democrata). Não haveria oposição entre eles, mas incompatibilidade política.

Na formação da Frente Ampla, em Montevidéu, o ex-presidente Goulart proibiu o ex-governador Lacerda, articulador da aliança política, de incluir Brizola, sob pena dele próprio se excluir do acordo.

Após a revolução civil-militar de 1964 e da contra-revolução militar de 1968 (AI-5), quando da “redemocratização”, o ex-governador Brizola retorna à política bem mais amadurecido e social-democrata (PDT), porque o Brizola do início era mais “barra pesada”.

A oportunidade perdida foi o ex-governador Lacerda não ter podido chegar a Presidência da República, porque ele tinha a visão correta de crescimento da economia dentro de uma visão nacionalista, com um Estado forte, fornecedor das condições de segurança jurídica e infraestrutura, indutor do desenvolvimento, mas tendo como setor prioritário absoluto a empresa privada nacional.

A empresa privada é muitíssimo mais dinâmica e produtiva, porque opera sob o regime da meritocracia, em oposição à empresa estatal, que se vê muito prejudicada pela influência política. As estatais devem ser usadas no setor de infraestrutura e certas áreas estratégicas da nação, as multinacionais ficando sempre em segundo plano.

AUMENTO DA MASSA SALARIAL

No plano social, Lacerda defendia pleno emprego e redistribuição da renda via aumento da massa salarial em relação ao PIB, sem arrocho salarial e anualmente repassando aos trabalhadores públicos e privados Inflação + Produtividade + Participação nos Lucros. Isso ficou claro desde a sua crítica do Plano de Estabilidade Econômica do governo Castello Branco, feito pelo economista ortodoxo Roberto Campos em 1964.

A excelente gestão de Lacerda no Rio de Janeiro (Estado da Guanabara) já tinha sido uma amostra de como seria seu governo no Brasil. Nenhuma criança sem escola (sem dúvida, teria dado prioridade à criança pobre no seu governo no Brasil. Seus principais lemas sempre foram “Lei igual para todos” e “Tentar dar oportunidades iguais para todos”.

A meu juízo, Carlos Lacerda seria um “JK com os pés no chão”, e um Brizola “expurgado de radicalismos”. Não era perfeito, mas tinha a visão correta para o desenvolvimento político-social do Brasil. Pena que as coisas tomaram outro rumo de 1968 para diante.

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