Reflexões sobre o problema da dívida pública e a recuperação da Bovespa

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Charge reproduzida do The Idealist

Flávio José Bortolotto

Muito bom o artigo de Antonio Santos Aquino sobre dívida pública, publicado aqui na “Tribuna da Internet”. Quando contraída em moeda forte, como dólar, euro ou iene, a dívida pública pode causar séria crise cambial para o país devedor, porque tem que elevar as exportações para obter divisas e assim pagar os juros/amortização. Torna-se dependente de terceiros. Não é o caso do Brasil atual. Nossa dívida externa não é pública, pois cerca de 95% foram contraídos por empresas privadas ou de economia mista.

Como nossa dívida pública é rolada em moeda nacional, o Banco Central brasileiro tem crédito quase infinito para girá-la. É só administrar bem. A dívida pública interna é o pulmão da economia do país. Quando entra em contração (recessão), a dívida deve ser aumentada, que é o que estamos fazendo agora, devíamos até fazer mais. E quando a economia está em expansão, a dívida deve ser diminuída, é o que precisamos fazer no futuro, tudo em relação ao PIB.

DÉFICITS PÚBLICOS – Nosso problema maior, portanto, não é a dívida pública interna, mas sua causa: os “déficits públicos de custeio”, que acontecem quando o governo gasta bem mais do que arrecada, apenas para se manter.

Resumindo: a dívida pública interna, quando aumentada para ativar a economia e criar empregos produtivos para quem está desempregado, gera muito mais riqueza do que nos custa em juros/amortização. No entanto, quando aumentada para simples custeio do Estado, é um desastre econômico, conforme vem ocorrendo nos últimos anos.

BOLSA EM ALTA – Também foi excelente a recente análise do articulista Willy Sandoval, ao registrar que o crescimento da Bolsa de Valores de São Paulo tem sido muito inferior ao da Bolsa de Nova York.

No caso da recuperação fabulosa do índice Dow Jones, que estava em 14 mil pontos antes da Crise do Subprime em 2008, depois caindo lá embaixo e agora se recuperando para 22 mil pontos, aparentemente isso se deve a uma grande injeção de “quantitative easing” do FED (Banco Central dos EUA). Na Europa e Japão, também se fez “uma grandeza” de “quantitative easing” pelos seus BCs. Como aqui nosso BC não fez o mesmo, a recuperação do índice Bovespa é bem mais lenta.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
O “quantitative easing” (flexibilização quantitativa/monetária) significa que os bancos centrais usam o chamado dinheiro eletrônico (sem emissão) para comprar grande quantidade de títulos bancários no mercado financeiro e de capitais. Essa operação faz com que os bancos tenham recursos para expandir o crédito e impulsionar a economia. Este sistema foi criado pelo economista alemão Richard Werner nos anos 90 e ajudou o Japão a sair da crise, mas só pode ser usado quando a taxa de juros estiver próxima de zero. Mesmo nessa hipótese, há contraindicações reconhecidas pelo próprio Werner, que desde 2013 passou a desaconselhar a utilização desse recurso. No caso dos Estados, país que comanda a economia mundial através do império do dólar, o sistema funcionou bem, mas o Japão até hoje tem graves problemas econômicos. (C.N.)

8 thoughts on “Reflexões sobre o problema da dívida pública e a recuperação da Bovespa

  1. Se a dívida é na própria moeda pode ser ilimitada. É mesmo? Que bom! Acho qu vou me informar em Economia. Aliás é uma coisa que sempre quis ser: mágico!

    • Prezado Sr. Nunca Mais Voto,

      A Dívida Pública na própria Moeda, quando o BC administra bem, pode ser quase ilimitada. O limite é a vontade dos Emprestadores comprar Títulos do Tesouro.
      Enquanto existir essa vontade, a Dívida Pública não tem limites.
      Mas essa “Mágica”só vale para Países Soberanos que tenham BC com poder de emitir Crédito quase infinito, na própria Moeda.

      Como o senhor explica que o tenebroso A. HITLER assumiu o Governo da Alemanha em 30 Jan 1933, totalmente quebrada, endividada, com Desemprego 40% e sub-Emprego outros 40%, e em 2 anos acabou com o Desemprego, e em mais 5 anos construiu uma gigantesca Infra-Estrutura Nacional, rearmou totalmente o País ( Exército, Marinha e Aeronáutica), financiou uma Guerra Mundial que durou quase 6 anos, tudo sem INFLAÇÃO. DÍVIDA PÚBLICA bem administrada.
      É que A. HITLER era um carácter tenebroso, terrível, mas entendia de Economia Política.

      Abrs.

  2. Parece que a artilharia, para a revisão da dívida, está começando a deixar incomodados os larápios queE sugam a nação!
    Texto mentirosó.

  3. Prezado Sr. RICARDO,
    Nosso BC está sempre fazendo Auditoria Interna da Dívida Pública. Só não vale dizer que Juros/Amortizações não pagos e acrescentados ao Principal, são ilegais porque constitui Anatocismo.
    A nosso ver, o verdadeiro larápio é o Governo que gasta em CUSTEIO, ano após ano, bem mais do que Arrecada e operando com Déficit Nominal de quase 10% do PIB, cobrindo esse Deficit Nominal, ano após ano, vendendo novos Títulos do Tesouro.
    Abrs.

  4. Durante os 8 anos do governo Lula, quase todos os países do mundo e o Brasil viveram um bom momento. No Brasil havia superavit comercial, com a China comprando muito nossos commodities e, havia superavit primário, mesmo assim a dívida interna aumentou assustadoramente.
    No governo da Dilma situação ficou pior, porque gastou o que tinha e o que mão tinha, aumentando muito mais a dívida interna. Resultado: a crise está aí como uma bomba de efeito imediato e retardado.
    Entendo, que nenhuma pessoa consegue viver bem, endividado, em que o juros leva boa parte do que ganha, assim é uma empresa , ou um país.
    Eu não acho que um país precisa se endividar para ter progresso, Ninguém, nem pessoas empresas, ou países, consegue ficar rico, com dinheiro emprestado, sem seu próprio esforço e trabalho. Infelizmente de muitas décadas para cá, só tivemos governos perdulários.

  5. Prezado Sr. NÉLIO JACOB,

    Reconheço que nossa Dívida Pública tem Custo alto. Que o ideal seria ser como a excelentemente Administrada Singapura que não tem Dívida Pública e aonde quase todos são Classe Média e 35% da População de +- 5 Milhões são Milionários em US$ Dollar.
    Mas num País como o Brasil onde temos +- 14 Milhões de Desempregados Oficiais, outros 14 Milhões que já desistiram de procurar Emprego, etc, nossa Opinião é de que a Dívida Pública, apesar do alto Custo, não é nosso maior problema.
    Abrs.

  6. Caro Flávio José Botolotto,
    Você tem toda a razão: no momento o nosso maior problema, são os 14 milhões de desempregados e o acerto da economia. Antes do governo Dilma, nós não tínhamos esse número enorme de desempregados e a dívida vinha subindo, sem investimentos relativos ao aumento da dívida.
    Um abraço..

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