Em tempo de Natal, reflexões sobre os criadores das principais religiões – de Krishna a Maomé, passando por Lao Tse, Moisés, Buda, Confúcio, Sócrates e Jesus Cristo

Carlos Newton

Avatar é uma palavra derivada do sânscrito. Significa “aquele que descende de Deus” ou, simplesmente, qualquer espírito que ocupe um corpo, representando assim uma manifestação divina na Terra.

Lao Tse (1.300 anos antes de Cristo)

A humanidade teve grandes avatares do pensamento filosófico, social e espiritual, que nos influenciam até hoje. Pela ordem de entrada em cena – Krishna na Índia (3 mil anos antes de Cristo); Lao Tse na China (1.300 a.C.); ao mesmo tempo, Moisés no Egito e Oriente Médio (1.291 a.C), Buda na região do Nepal/Himalaia (600 anos a.C.); pouco depois, Confúcio no Nordeste da China (550 anos a.C.); logo em seguida, Sócrates na Grécia (469 a.C.); o próprio Jesus Cristo na Palestina, abertura da atual nova Era; e Maomé (570 depois de Cristo).

Há outros avatares, como Zoroastro (ou Zaratrusta), criador da doutrina dualista (Bem e Mal) dos persas, cerca de 700 anos antes de Cristo,uma religião também muito importante, adotada pelo Império Aquemênida, que dominou grande parte do mundo 500 anos antes de Cristo. Mas vamos nos fixar nos outros oito avatares, que ainda hoje influenciam a humanidade.

Em todos esses doutrinadores, constatam-se praticamente os mesmos ensinamentos, a idêntica tentativa de melhorar a vida de todos e de criar relações mais justas e humanas, numa impressionante coincidência de propósitos e iniciativas.

Suas origens são bem distintas. Mas tinham em comum os mesmos objetivos sociais e espirituais. Detalhe interessante: nenhum dos grandes avatares deixou por escrito seus pensamentos religiosos e teses filosóficas. As palavras de todos eles foram difundidas ou transcritas por discípulos, apóstolos ou seguidores.

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OS AVATARES

Os registros históricos são precários, especialmente de Krishna, o mais antigo,  que viveu na Índia antiga há mais ou menos 5 mil anos. Seus ensinamentos, transmitidos por uma série de seguidores (também considerados avatares na Índia), formam a base do Hinduísmo, uma das mais importantes religiões.

Krishna, o mais antigo

Diz-se que o chinês  Lao Tse (ou Lao Zi, Lao Tzu) era filho de um alquimista. Conforme os registros do cânone religioso taoísta, Lao Tse teria sido convidado pelo rei Wen para ser o responsável pela biblioteca real. Portanto, era alfabetizado. No 25º ano da era do rei Zhao, iniciou sua grande viagem para o Ocidente, com intuito de chegar aos reinos da atual Índia, depois ir ao Afeganistão e à Itália. Durante o trajeto, teria aceitado como discípulo um oficial chefe da fronteira, a quem ditou vários escritos, entre eles o Tao Te Ching.”

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DE MOISÉS A JESUS

Moisés (Moshe ou Mōüsēs) foi um profeta egípcio da Tribo de Levi, autor da Torah, segundo a tradição judaico-cristã, correspondente aos cinco primeiros livros do Antigo Testamento cristão. Segundo o Livro do Êxodo, o menino Moisés foi adotado pela filha do faraó, que o encontrou enquanto se banhava no Rio Nilo e o educou na corte como o príncipe do Egito. Por ter matado um feitor, levado pela “justa ira”, fugiu do Egito para escapar da pena de morte. E conduziu o povo de Israel até ao limiar de Canaã, a Terra Prometida a Abraão. Moisés é patriarca dos judeus e santo nas Igrejas Católica e Ortodoxa.

Os registros são de que Buda (Siddharta Gautama) nasceu numa família nobre num reino da região do Nepal. Quando descobriu o que representavam a vida e a morte, submeteu-se a sofrimentos, purificou-se e passou a doutrinar os outros, ensinando que uma pessoa não se torna  sacerdote por nascimento e ninguém é pária pelo berço, mas em função de seus próprios atos.

Já o chinês Confúcio (K’ung Ch’iu, K’ung Chung-ni ou Confucius) nasceu em uma pequena cidade na região chinesa de Lu. Seu pai, Shu-Liang He, teria sido magistrado e guerreiro. O pensador teve seus ensinamentos difundidos na obra “Analectos de Confúcio”, uma coleção de aforismos, compilada muitos anos após a sua morte. Sua filosofia pregava a moralidade pessoal e governamental, além dos procedimentos corretos nas relações sociais, com justiça e sinceridade.

O grego Sócrates veio de família humilde. Na juventude era chamado de Sokrates ios Sōfronískos (Sócrates, o filho de Sophroniscus). Seu pai era operário, especialista em entalhar colunas nos templos, casado com a parteira Phaenarete. Durante a infância, Sócrates ajudou o pai no ofício de entalhador, mas logo depois se tornaria o maior filósofo e educador da Antiguidade. Seus pensamentos foram transmitidos pelos discípulos Platão e Xenofonte. São impressionantes as teses de Sócrates sobre a alma, a espiritualidade e a reencarnação.

Depois, temos Jesus Cristo e seus ensinamentos compilados na Bíblia, também escrita bem depois da morte dele e que deu origem a grande número de ramificações e seitas religiosas derivadas do Cristianismo.

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MAOMÉ, O MAIS RECENTE

O avatar dos muçulmanos é Maomé (Muḥammad ou Moḥammed), que é bem mais moderno e nasceu depois de Cristo, em 6 de Abril de 570. Para os islamitas, Maomé foi precedido em seu papel de profeta por Jesus, Moisés, Davi, Jacob, Isaac, Ismael e Abraão. Seria o mais recente e último profeta do Deus de Abraão.

Como figura política, Maomé unificou várias tribos árabes, criando os primórdios da formação do império islâmico que se estendeu da Pérsia até a Península Ibérica. Também Maomé nada deixou escrito, foram seus discípulos que redigiram o Corão.

Por fim, ainda sobre os avatares, é interessante destacar um pensamento atribuído a Buda, nos seguintes termos:

“Não sou o primeiro Buda que existiu na terra, nem serei o último. No tempo devido outro Buda levantar-se-á no mundo, um santo, um ser divinamente iluminado, dotado de sabedoria em sua conduta, benigno, conhecendo o universo, um líder incomparável dos homens, um mestre dos anjos e dos mortais. Ele vos revelará as mesmas verdades eternas que vos ensinei. Ele vos pregará esta religião, gloriosa em sua origem, gloriosa em seu clímax, gloriosa em seus objetivos, tanto no espírito como na forma. Ele proclamará uma vida religiosa tão pura e perfeita como a que agora proclamo. Seus discípulos serão contados em milhares, enquanto que os meus contam-se em centenas.”

O assunto é importante e inesgotável.
Amanhã voltaremos a ele, com os
ensinamentos de Sócrates,

sua influência no Cristianismo e no Espiritismo.

 

 

3 thoughts on “Em tempo de Natal, reflexões sobre os criadores das principais religiões – de Krishna a Maomé, passando por Lao Tse, Moisés, Buda, Confúcio, Sócrates e Jesus Cristo

  1. Sri KRSNA (Krishina) não é base do Hinduísmo, e sim da YOGA como ele mesmo declarou no Bhagavad-Gita: “yogah–the science of yoga; proktah–spoken; puratanah–very old; bhaktah–devotee; asi–you are; me–My;”
    (Capítulo 4, Vesro 3, do “BHAGAVAD-GITA AS IT IS” disponível in: http://www.asitis.com/4/3.html ).

    Portanto, tenham a dignidade humana de corrigir esse erro, de modo a evitar-se a difusão da ignorância.
    Repito: SRI KRSNA (Krishina) É A BASE DA YOGA, NÃO DO HINDUÍSMO. EIS A CORREÇÃO.
    Atenciosamente,
    Tiduilasa Vivekananda 31/1/13.
    ( https://twitter.com/@tiduilsa ).

  2. Aproveite também, Sra Vivekananda, e corrija a data postada ao final, para que eu não pense que a senhora viajou recentemente na máquina Mayonese do tempo ao dia 31/1/13, retornou e esqueceu, por razões de fusos de tempo, que o ano está prestes a findar. E não se esqueça que o articulista é uno, escreveu o artigo e se identificou acima.

  3. Não entendo as razões pelas quais ao se abordar temas referentes às religiões e o que surge em forma de reação é a intolerância!
    Grandes embates nesta Tribuna aconteceram por causa da crença de cada um, onde o propósito maior é alardear que a fé que se está professando é a verdadeira e, as demais, completo erro.
    Igualmente quando leio que certas pessoas detestam as religiões, mas cultuam o sincretismo ou espiritismo ou porque são atéias, outra maneira de se acreditar em algo, nem que seja em si próprio.
    Parece que Deus enseja em certos corações e mentes a ira e não a compreensão; o ódio e não a tolerãncia; a descerença e não a esperança.
    Neste aspecto, Nietzsche tem razão quando divulgava a necessidade de este Deus ser morto, da discórdia, da separação entre seres humanos, das guerras, das perseguições, das Inquisições, de fomentar o predomínio através da força sobre povos e nações em nome de Deus e do “amor”!?
    Pouco se me dá a fé que as pessoas cultuam, desde que sejam HUMANAS e que deem valor ao próximo, que o respeitem, que de fato o considerem irmão, caso contrário, professar uma religião e não levar em conta o ser humano, definitivamente não é religião, mas um grupamento de doentes mentais e radicais.

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