Reforma agrária não está incluída entre os programas do governo de Jair Bolsonaro

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Lula e Dilma usaram o MST como massa de manobra

Pedro do Coutto

Apesar de ter sido um dos temas centrais da sucessão presidencial de 1960 a reforma agrária, pelo menos até o momento não integra a lista dos projetos propostos pelo governo Bolsonaro, e assim completará 60 anos de sua não realização. Não estou me referindo ao projeto de João Goulart, mas sim ao Estatuto da Terra, projeto do ministro Roberto Campos, avô do atual presidente do Banco Central.

Era um projeto ajustado ao capitalismo. Portanto nunca foi – tampouco poderia ser – considerado um lance subversivo e antidemocrático.

SÓ NO PAPEL – Mas a questão é que não conseguiu sair do papel e, com isso, nosso país não se mostra sensível ao progresso no campo, tanto sob a ótica social quanto pela lente da economia.

O debate das eleições que terminaram com a vitória de Jânio Quadros foi bastante intenso e incluiu no primeiro plano, ao lado da reforma agrária, a lei de remessa de lucros para o exterior. Como se sabe Jânio Quadros renunciou e Jango assumiu a presidência.

A remessa de lucros entrou em vigor em 1963 e foi revogada pelo governo Castelo Branco. Mas falei em reforma agrária e no projeto do estatuto da terra.

MINIFÚNDIOS – A matéria não saiu do papel, inclusive atravessou os governos Lula e Dilma Rousseff mas não conseguiu ser implantada. Nada adiantaram as simples distribuições de terra para produção agrícola. Tornaram-se minifúndios sem possuir a engrenagem indispensável de implementos agrícolas.

Hoje, olhando-se para trás, verificamos o tempo perdido com o projeto da reforma agrária oscilando sem execução. Principalmente, estranha-se o silêncio sobre a matéria por parte dos governos do PT. O movimento dos sem terra não funcionou, restringindo-se a poucas concessões e muitas apropriações ilegais.

O tema reforma agrária parece ter saído das preocupações dos governos Lula, Dilma Rousseff, Michel Temer e agora está fora do elenco reformista do presidente Bolsonaro.

TODOS PERDEM – O Brasil perde com isso e também a população rural brasileira, que trabalha sem contrato de vínculo trabalhista. Em muitos casos, verifica-se até a manutenção do trabalho mais perto da escravidão do que da libertação social.

Poderíamos ter uma agricultura muito mais desenvolvida do que aquela até hoje existente, apesar de seu grande êxito nas exportações brasileiras. O meio rural conseguiu avançar com as grandes propriedades. Com a reforma agrária, o avanço seria ainda muito maior. Os produtos chegaria à mesa dos brasileiros com preços mais baixos e qualidade mais alta.

Foi uma pena o tempo perdido sem a modernização que a reforma agrária poderia ter oferecido ao país.

9 thoughts on “Reforma agrária não está incluída entre os programas do governo de Jair Bolsonaro

  1. “Reforma agrária não está incluída entre os programas do governo de Jair Bolsonaro”

    kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

    E em qual governo esteve, alem do que ele já tinha dito que era programa de seu governo não fazer a tal reforma.

    kkkkkkkkkkk

  2. Excelente artigo.
    A Reforma Agrária iria melhorar a vida do homem do interior e mante-lo no campo. Não só ele seria beneficiado, mas também quem vive nas cidades, que é abastecida com alimentos pelos pequenos agricultores.
    A falta da Reforma Agrária fez com que o trabalhador que vivia e vive no interior se viu e, se vê obrigado a ir para as grandes cidades em busca de uma oportunidade de trabalho para sobreviver. Como brasileiro é um direito que tem.
    Com isso, as cidades que não estavam preparadas para receber tanta gente, inchou e criou-se um grande número de comunidades carentes.
    Se as Reformas de Base fossem implantadas naquela época, sem dúvida o Brasil hoje seria outro. Mas, como disse um embaixador americano na época : “não vamos admitir um novo Japão no hemisfério sul”.
    A revogação da lei de Remessa de Lucros, foi o primeiro ato do Castelo Branco ao assumir a presidência para atender os interesses dos EUA.
    Lula foi o grande traidor dos trabalhadores.
    Do Bolsonaro não se pode esperar nada de melhoria para o Brasil e os trabalhadores, está mais preocupado em defender os interesses dos EUA, ao alinhar-se automaticamente e incondicionalmente.

    • Nelio em que patamar estaríamos se fossem feitas a reforma agraria e agrícola que levaria a uma reforma urbana pois fixaria o agricultor no campo associado a uma educação que forme cidadãos e não consumidores.

    • O grande e experiente Jornalista Sr. PEDRO DO COUTTO analisa a Reforma Agrária que assentou e assenta muito pouca Gente no Brasil.
      Mas quando vemos a grande quantidade de pequenos Produtores Rurais estabelecidos a gerações no Campo, que por total falta de Lucratividade vendem barato a sua Terrinha e vem para a Cidade em busca de Emprego, é que nos damos conta do imenso desafio que ė hoje uma Reforma Agrária Produtiva.
      Antes deve o Governo criar Lucratividade nas pequenas Propriedades para depois assentar com sucesso os Sem Terra.
      Dos Países da América Latina os Países que fizeram grandes Reformas Agrárias Radicais como o México na Revolução de 1912 e a Bolivja nos anos 50′ não tiveram nenhum sucesso.
      A nosso ver o caminho é INDUSTRIALIZACAO, com muito esforço iniciada de verdade pelo grande Presidente VARGAS, continuada pelo dinâmico Presidente JUSCELINO KUBITSCHEK e acelerada na Revolu ao Civil-Militar de 64, especialmente no Governo MÉDICI/DELFIM NETTO.
      Claro que os tempos são outros mas um caminho assim é que deveria ser nosso alvo.

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